Hijab, racismo e islamofobia

Imagem: Felipe Ribeiro

Por GERCYANE OLIVEIRA*

O racismo e a islamofobia estão sob um fino véu de defesa a valores universais e propagandas que sustentam as políticas de guerra e terra arrasada da classe dominante

Desde nossa tenra idade é trabalhado em nosso imagético a vilificação do povo árabe e muçulmano através da cultura e da ideologia dos grandes meios de comunicação, onde refletem o racismo e a islamofobia. O Dr. Jack Shaheen é um dos grandes intelectuais que trabalham e estudam esta questão há mais de 30 anos, a sua obra mais consagrada é Filmes ruins, árabes malvados – como Hollywood vilificou um povo. O que gostaria de tentar fazer neste escrito é tornar um pouco mais visível a urgência do que muitos ainda estão reticentes em ver como o racismo e a islamofobia estão sob um fino véu de defesa a valores universais e propagandas que sustentam as políticas de guerra e terra arrasada da classe dominante. Observo há um bom tempo um padrão – inclusive sustentado por grande parte da esquerda, especialmente feminista – de estereótipo do árabe perigoso e odioso. Estereótipos que roubam a sua humanidade e dignidade. Todos os aspectos da nossa cultura projetam árabes como constante perigo.

A ascensão de um discurso de extrema direita na França, por exemplo, está presente a islamofobia e a pregação dos militares envolve a propagação do medo pelo imigrante pobre, praticantes do Islã. A política francesa cria leis cada vez mais repressivas.

Em abril deste ano o senado francês votou que nenhuma garota abaixo de 18 anos poderia usar o Hijab em público, e mães que usam o Hijab não estariam permitidas a acompanhar os seus filhos a viagens escolares, reacendendo um debate antigo sobre o lugar do Islã na sociedade em geral. A Islamofobia está se aprofundando na França de Macron sob o discurso de liberdade e democracia, e até mesmo utilizando-se do feminismo para isso. O discurso secularista, republicano e “moderno”. O mainstream político francês utiliza-se de refinamento intelectual astuto para suas políticas racistas e anti-imigração. Contudo, as diferenças entre a extrema direita raivosa na prática são menores do que pensamos.

É importante relembrarmos que este não é um problema novo a ser colocado à mesa. No início do ano letivo de 2003, duas jovens mulheres, Alma e Lila, foram excluídas de uma escola de ensino secundário na França por usarem o véu muçulmano, ou hijab. Na época, o Primeiro-Ministro Raffarin declarou que seria “inflexível na sua determinação” em relação a esta questão. Referindo-se às exclusões no Seine Saint Denis, disse: “Em matéria de educação, a república deve dominar sobre a fé e, como os acontecimentos recentes demonstram, os meios estão à nossa disposição”[1]. Durante meses, o governo Raffarin falou em introduzir um projeto de lei sobre a laicidade e o lugar da religião na escola – um projeto de lei que se tornou lei. O verdadeiro alvo é o Islã, como admitiu o antigo primeiro-ministro Alain Juppé: “O extremismo religioso é uma ameaça para a república. O uso de insígnias conspícuas não é aceitável. Deve haver legislação para evitar o uso do véu islâmico”[2]. Alguns deputados de direita na época chegaram ao ponto de dizer abertamente que o véu deve ser proibido, não só na escola, mas também em locais públicos e nas ruas. O editor do jornal Le Point, Claude Imbert, chegou mesmo a afirmar: “Temos de ser honestos. Eu sou um pouco islamofóbico e não me envergonho em dizer isto. Tenho o direito de pensar, e não sou o único neste país a pensar que o Islã – e refiro-me ao Islã como uma religião, não apenas aos islamistas – é retrógrado e prejudicial. Tem uma forma de ver as mulheres, de desqualificar sistematicamente as mulheres. [e] quer que a lei do Alcorão se sobreponha à lei do Estado. Tudo isto faz-me islamofóbico”.[3]

A entidade à qual ele pertencia, e que é responsável pela situação dos imigrantes em França (o Alto Conselho para a Integração), deu-lhe o seu apoio. Ninguém de direita condenou a declaração.

Os ataques atuais ao Islã tanto por parte dos Le Pen quanto por parte de Macron sempre fez parte da ofensiva racista do governo francês. O objetivo é desviar a atenção dos verdadeiros problemas da sociedade, usando os muçulmanos e imigrantes como bode expiatório, eles os modernos e secularistas e os outros a representação do bárbaro, sob o pano de fundo da ameaça iminente do terrorismo. O governo está tentando recuperar a iniciativa, fazendo da questão do véu um fator de divisão e regra entre estudantes, professores e pais – o melhor para recuperar o controle. A concentração no preconceito ao lenço permite-lhes esconder os problemas reais que atingem as escolas (desigualdades sociais, desemprego, insegurança no emprego, discriminação e privatização), que a bela França tem em vez de os resolver.

Existe, além disso, o contexto global. Para justificar a sua guerra sem fim em prol das “liberdades democráticas do ocidente”, Macron fez do Islã e dos muçulmanos o pretexto para uma nova “cruzada”. A propaganda mascara a verdadeira razão desta guerra sem fim e as questões em jogo – que na realidade é uma continuação da guerra econômica. À sua maneira, os governos europeus estão adotando a mesma lógica que os EUA – com menos gastos com o bem-estar e mais com a lei e a ordem, os pobres e os imigrantes tornaram-se os alvos a serem escolhidos. Deve ser encontrada uma razão para justificar os crescentes orçamentos militares e de segurança do Estado. Durante a Guerra Fria, a classe dominante dos EUA, por exemplo, deu como razão “a ameaça comunista”. Após a queda do Muro de Berlim, foi necessária uma nova. O Islã desempenhou e desempenha este papel e as classes dirigentes ocidentais bradam: ‘Se não está conosco, está contra nós’. Nos dias que se seguiram ao 11 de Setembro, vários milhares de muçulmanos foram detidos nos EUA. Num mês, mais de 100 mesquitas foram destruídas ou incendiadas. A França também testemunhou um aumento constante de incidentes anti-muçulmanos ao longo dos últimos anos.

É precisamente por isso que, na questão do véu na escola, o direito à educação destas alunas deve ser defendido. Como diz Pierre Tévanian:

O ensino público deve ser acessível a todos. Se o sistema escolar laico começa a selecionar a sua admissão e diz que este ou aquele grupo não é suficientemente laico para ter direito à escolaridade pública, deixa de ser laico: torna-se reservado a alunos específicos da escola.

Lamentavelmente, esta não é hoje uma atitude majoritária da esquerda. Isto não é surpreendente. Em governos anteriores tiveram os ex-ministros Fabius e Lang, prosseguiram praticamente as mesmas políticas que a direita, e não fizeram qualquer tipo de discurso sobre a utilização das mesmas armas racistas para implementar a sua agenda neo-liberal, além de atualmente existir um discurso na esquerda liberal pró direitos femininos que endossam tais políticas. Que a esquerda radical esteja dividida sobre esta questão é talvez mais surpreendente.

Os que apoiam as exclusões assentam o seu argumento em dois argumentos principais – um é que o véu serve para oprimir as mulheres, e o outro é que mina o princípio da laicidade. O objetivo do presente artigo é responder a estes argumentos. Começa não a partir das fantasias que circulam sobre o Islã na França, mas a partir da realidade. O Islã não é a ameaça que muitos gostariam que acreditássemos, pois o que caracteriza qualquer religião é a sua ambiguidade. É um instrumento de dominação para aqueles que gerem o sistema. Mas também pode ser um instrumento de resistência para os oprimidos. O Islã não é homogêneo. O islamismo distorcido utilizado por terroristas não deve ser confundido com o dos imigrantes franceses que são sujeitos ao racismo estatal. As variações de fundamentalismo foram, na verdade, sempre apoiadas pelos EUA e Israel para minar forças políticas laicas. O exemplo mais famoso é o do Afeganistão: um regime apoiado pela URSS (com ocupação militar, sempre condenável, é verdade), com amplos direitos civis para mulheres e minorias, foi destruído pelos muhajedins, os “freedom fighters” que Reagan e a imprensa ocidental propagavam. Posteriormente dariam forma ao Taleban e à Al Qaeda.

Ao contrário do que pode parecer, este fundamentalismo islâmico é bastante recente, tendo sido promovido incessantemente pelos defensores da democracia, inclusive nos dias de hoje — o que eram os “rebeldes sírios”, defendidos pelo Ocidente, que deram origem à Al Nusra e ao Daesh (Estado Islâmico), afinal? Quem destruiu o regime líbio, promotor da convivência entre povos distintos, e armou grupos sectários na região? Quem enche de armas e dinheiro o país que mais promove a variação mais perniciosa de obscurantismo islâmico (wahabismo), inclusive com centros universitários espalhados pelo mundo, a Arábia Saudita? Entre eles consta a França.

A maioria dos jovens seduzidos pelo discurso fundamentalista islâmico são radicalizados no Ocidente. Os atraídos pelo islamismo radical são na sua maioria “muçulmanos nascidos de novo”. Tornaram-se obscurantistas religiosos no Ocidente. Precisamos de uma resposta coerente de esquerda à discriminação que sofrem os muçulmanos, e mais particularmente as mulheres muçulmanas. O objetivo dos socialistas é combater as divisões racistas e reforçar a unidade de todos aqueles cujo interesse é mudar o mundo. O verdadeiro inimigo é o sistema, o capitalismo, que explora e oprime a grande maioria do planeta. Precisamos unir a maioria dos explorados e oprimidos, independentemente da sua religião ou sexo, se quisermos dar a nós próprios os meios para transformar o mundo. Na construção desta unidade, podemos forjar uma verdadeira alternativa política, ela pode ser o motor para derrubar radicalmente esta sociedade.

A França tem a mais ampla minoria muçulmana na Europa, com cerca de 5 milhões de pessoas, o que equivale a entre 7% e 8% da população. A maioria são imigrantes da África (o Magreb ou África negra) ou vêm de origem imigrante. A afirmação da extrema-direita, de que a França foi “islamizada”, é uma fantasia. A figura da população tem permanecido relativamente estática desde o início dos anos 80. Até ao início da década de 1970, a maioria dos imigrantes eram homens negros do Magrebe que normalmente regressavam aos seus próprios países após alguns anos de trabalho. Mas como a situação na África se agravou tragicamente a partir dos anos 70, devido à crise econômica, ataques neoliberais e programas de ajustamento estrutural, cada vez mais imigrantes querem permanecer na Europa. A sua estabilização permanente criou os chamados “imigrantes de segunda e terceira geração”.

O Islã tornou-se assim a segunda religião na França. Com os controles da imigração e a política de reagrupamento familiar introduzida pelo Presidente Giscard d’Estaing em 1974, a população imigrante mudou. As mulheres imigrantes ou mulheres de origem imigrante aumentaram em número. Os maridos estabeleceram-se em França, onde as suas esposas se juntaram a eles. Os filhos nascidos de imigrantes constituem a segunda e terceira gerações.

Agarrar a ligação entre a imigração e a religião muçulmana é essencial, uma vez que isto realça o fato de nem todas as religiões serem tratadas de forma igual no Ocidente. O Islã é principalmente a religião dos imigrantes e é vítima de racismo. O islamismo é uma religião oprimida na França.

O racismo desenvolveu-se com o capitalismo e o colonialismo. A islamofobia é o resultado disso:

Existe um contexto racista para a islamofobia que o 11 de Setembro ressuscitou, e que está profundamente enraizado na história colonial francesa. Lendo os textos jurídicos de 1865, que legitimam o estatuto especial dado aos colonizados, pode-se ver que não se trata de racismo biológico, mas sim de racismo cultural – baseado em ver os colonizados como pertencentes à lei muçulmana, que foi julgada “contrária à moralidade”.[4]

Oficialmente, a segregação na Argélia era religiosa. Antes de 1962, a administração francesa caracterizava a população argelina como “francês muçulmano”. O racismo e a islamofobia desempenham assim um papel crucial em França na divisão e enfraquecimento da classe trabalhadora como um todo.

O racismo moderno, com a sua retórica sobre a diferença cultural, retoma tacitamente velhas noções sobre inferioridade racial. O desenvolvimento capitalista depende da exploração do trabalho assalariado gratuito. Mas a classe trabalhadora, que vende a sua força de trabalho ao capital, está ela própria dividida. A produção capitalista depende da divisão do trabalho (trabalho manual e intelectual, a fragmentação das tarefas produtivas), sendo cada trabalhador apenas um elo de uma imensa cadeia. O capitalismo forma uma hierarquia, com trabalhadores em competição permanente uns com os outros no mercado de trabalho.[5]

Mas o capitalismo também se desenvolve globalmente, através das fronteiras, e suga trabalhadores de diferentes origens nacionais. Os capitalistas empregam mão-de-obra imigrante para os benefícios que ela lhes traz. A imigração aumenta a flexibilidade da força de trabalho. Nos anos 60, um grande número de imigrantes africanos foi trazido para França porque a mão-de-obra era escassa e o desemprego praticamente nulo. Depois, com o advento da crise a partir da década de 1980, já não eram procurados no país de acolhimento. Muito frequentemente, a insegurança no emprego forçou-os a aceitar salários mais baixos e piores condições de trabalho.

A imigração permite aos capitalistas reduzir os custos da mão-de-obra e manter os lucros. Em setembro de 1963, o então primeiro-ministro, Georges Pompidou, declarou: “A imigração oferece uma forma de reduzir a pressão no mercado de trabalho e de desanuviar a pressão social”[6]. Marx tinha muito antes chamado a atenção para as divisões entre os trabalhadores protestantes ingleses e os imigrantes católicos irlandeses na Inglaterra do século XIX:

Este antagonismo é artificialmente mantido vivo e intensificado pela imprensa, o púlpito, os textos humorísticos – em suma, por todos os meios à disposição das classes dirigentes. Este antagonismo é o segredo da impotência da classe trabalhadora inglesa, apesar da sua organização. É o segredo pelo qual a classe capitalista mantém o seu poder. E essa classe está plenamente consciente disso.[7]

A classe capitalista tem de perpetuar a ideologia racista, o que é crucial para eles, ao mesmo tempo que cria uma força de trabalho multirracial. Na década de 1930, os espanhóis, portugueses e judeus foram estigmatizados. Hoje em dia, são árabes e muçulmanos.

A classe dominante mantém o racismo espalhando preconceitos que de fato não têm qualquer fundamento, mas que prejudicam a consciência da maioria. Somos levados a crer que existe atualmente um problema muçulmano nas escolas francesas, apesar de este ser completamente refutado pela realidade.

De acordo com o governo, dos 5 milhões de alunos do ensino secundário, houve cerca de 150 casos problemáticos entre 1990 e 1992. Numa entrevista para a Humanité, Hanifa Chérifi, a intermediária governamental na matéria, explicou que os casos tinham “atingido o seu pico” em 300 em 1994 (coincidindo com a ofensiva racista de Pasqua), mas que agora a taxa tinha baixado para 150 por ano. Outros investigadores falam de que o número ronda os 100. Como algumas centenas de jovens mulheres poderiam ser uma ameaça para o sistema escolar é difícil de entender. Em 1989, o Conselho de Estado decretou que os lenços de cabeça podiam ser usados na escola (embora equivocados pela proibição de insígnias ” visíveis”). No entanto, não houve um salto espetacular em números. Estudos estimam que não mais do que alguns milhares de jovens mulheres usam lenços de cabeça na escola (tão minoritária), e não há nada que indique qualquer aumento recente. Em 26 de Setembro de 2003, a manchete em Lutte Ouvrière sobre a exclusão de Alma e Lila em Aubervilliers era Escolas Sob Ataque do Véu[8], implicando que isto se estava a tornar um grande problema, é que o uso de lenços de cabeça estava numa espiral ascendente. Temos de explicar e demonstrar pacientemente que isto não é verdade.

Aceitar o hijab na escola é frequentemente dito para abrir a porta ao “comunitarismo”, minando assim o universalismo republicano. Mas isso é para esconder o fato de já existirem ‘comunidades’ – nas áreas ricas da capital, como o 16º arrondissement ou Neuilly, e em escolas exclusivas para os ricos, como Louis Le Grand ou Henri IV. A sociedade é desigual, e as suas classes sociais constituintes são reais. A condenação da direita do comunitarismo supostamente praticado por muçulmanos ou imigrantes é completamente hipócrita. Eles são os primeiros a enviar os seus filhos para escolas privadas para os ricos, onde funciona a seleção social.

A aceitação do lenço de cabeça na escola é muitas vezes dito para abrir a porta ao “comunitarismo”, minando assim o universalismo republicano. Mas isso é para esconder o facto de já existirem ‘comunidades’ – nas áreas ricas da capital, como o 16º arrondissement ou Neuilly, e em escolas exclusivas para os ricos, como Louis Le Grand ou Henri IV. A sociedade é desigual, e as suas classes sociais constituintes são reais. A condenação da direita do comunitarismo supostamente praticado por muçulmanos ou imigrantes é completamente hipócrita. Eles são os primeiros a enviar os seus filhos para escolas privadas para os ricos, onde funciona a seleção social. A história dos muçulmanos na França é esta:

“(…) de uma força de trabalho explorada no trabalho e muitas vezes super-explorada em relação à habitação: uma força de trabalho incluída na sociedade mas excluída dela em termos culturais e políticos. As gerações mais jovens que são seus descendentes foram, no seu conjunto, excluídas socialmente. O racismo marca uma dupla rejeição por parte da sociedade francesa, tanto social como culturalmente. Isso conta fortemente quando se trata de afirmar uma identidade de base islâmica: “Vocês dizem que eu sou diferente? Bem, sim eu sou, sou muçulmano, e é aí que encontro a força para viver e sobreviver nesta sociedade”.[9]

O que deve ser combatido, portanto, são as causas desta situação, não os próprios oprimidos. Fala-se muito de uma ameaça islâmica fundamentalista existente nas mesquitas e arredores da cidade. Não há estudos sérios que sustentem isto. Xavier Ternisien, um jornalista do Le Monde, resumiu as suas conclusões. Todos eles provam exatamente o oposto daquilo em que os meios de comunicação da imprensa e todo o establishment político nos fariam acreditar:

“O que todas as investigações no terreno mostram é que as mesquitas na França, com algumas raras exceções, não são centros de islamismo radical. Fazer tais afirmações neste momento é ser acusado de viver na terra do cuco nas nuvens. Contudo, os fatos estão lá – mesquitas e salas de oração não são lugares onde se prega a guerra santa”.[10]

A constante mistura do que é suposto ser uma deriva para o islamismo em França com o que aconteceu como “terrorismo islâmico” onde ele existiu apenas na forma de ataques isolados faz-se um escarcéu a respeito do papel da religião islâmica e, mais amplamente, da imigração. Partindo de pressupostos políticos ou ideológicos, e não da realidade, impede-nos de compreender por que razão a repressão sistemática do Estado francês contra os jovens muçulmanos têm de ser combatida.

Houveram, por exemplo, “intelectuais revolucionários” como Bernard-Henri Levy, Alain Finkielkraut e Pierre-André Taguieff[11], uma corrente intelectual barulhenta nos meios de comunicação de massas que gosta de se fazer passar por democrática e progressista. Estas pessoas faziam uma campanha para que as jovens muçulmanas sejam excluídas da escola. A fachada é respeitável, mas por detrás dela emerge a realidade do seu racismo anti árabe, ligado ao apoio incondicional às políticas coloniais do Estado Israelense:

“O que é impressionante é que os mais empenhados em proibir o véu na escola são aqueles que mais calorosamente acolheram o escândalo racista e a islamofobia de Oriana Fallacci de um livro. Alain Finkielkraut e Pierre-André Taguieff demonstraram grande indulgência para com esta obra hedionda, enquanto Bernard-Henri Levy a condenou severamente – pelos seus excessos formais”.[12]

Desde o 11 de Setembro, a assimilação do Islã ao fundamentalismo e ao terrorismo foi reavivada. Alguns dias após o ataque em Nova Iorque, ocorreu uma explosão na fábrica química AZF em Toulouse. Hassan Jandoubi, um empregado de fábrica morto no acidente, foi acusado de cometer um ataque porque usava “dois pares de calças uma sobre a outra e quatro conjuntos de roupa interior, dois pares de cuecas e dois pares de boxers” – uma roupa que lembra a “mitologia kamikaze”[13]. Durante dias, a imprensa e a televisão produziram esta história. Uma equipe de jornalistas foi à mesquita de Hassan para nos dizer que o imã era um islamista perigoso. Isto foi simplesmente uma mentira para chamar a atenção para longe da responsabilidade da Total’s pelo acidente, uma mentira que reforçou o racismo anti-muçulmano.

O mesmo tipo de manipulação da opinião pública repete-se regularmente. Em Dezembro de 2002, Sarkozy empreendeu uma série de detenções em “redes islamistas” em La Courneuve, Romainville, Bondy, etc. Mais uma vez, isto foi propaganda para nos fazer pensar que Bin Laden estava à porta. Ao mesmo tempo, toda a imprensa anunciou a descoberta de um equipamento nuclear, bacteriológico e químico em Seine Saint Denis. Os preparativos para os ataques islamistas estavam em curso! O equipamento terrorista provou então não ser mais do que uma roupa de pintor industrial. Na mesma semana, a polícia prendeu Abderazak Besseghir, um bagageiro no aeroporto de Roissy. Tinham descoberto armas no porta-bagagens do seu carro. Numa questão de horas, ele tornou-se o terrorista número um. As pessoas tinham de ser consideradas culpadas para provar que a ameaça era real[14]. Foi uma grande mentira, e algumas semanas depois ele foi libertado. No mesmo período, 200 funcionários da plataforma aeroportuária de Roissy tiveram as suas licenças de trabalho revogadas. O seu crime foi que a sua aparência facial estava errada – e a polícia pensou que a presença na mesquita era perigosa. Ainda há várias dezenas de jovens presos acusados de terrorismo islâmico quando não há um pingo de prova contra eles. O racismo está a tornar-se um lugar comum e o assédio policial uma ocorrência diária.

Um argumento importante a favor da exclusão é que o uso do hijab é opressivo. A verdade é que uma religião pode reproduzir as ideias e os costumes das classes dominantes na sociedade. Cada religião defende os valores familiares, cujo objetivo é manter as mulheres numa posição subordinada, valorizada principalmente para a reprodução, enquanto que à autoridade paterna é dado um estatuto mítico. Mas isso não é exclusivo do Islã. Na sociedade ocidental, a religião católica condena a contracepção e o aborto, proíbe o divórcio e justifica a desigualdade entre os sexos.

Aqueles que defendem as exclusões estão, portanto, numa posição totalmente contraditória – as mulheres jovens que usam o hijab são consideradas vítimas mas são também forçadas a sofrer repressão. Na realidade, a discriminação apenas reforça a opressão.

“O lenço é inquestionavelmente um sinal de discriminação contra as mulheres, intolerável num país como o nosso, onde os direitos são respeitados”[15]. Muitos dos que apoiam essas discriminações em nome dos direitos das mulheres esquecem o quão fortemente as mulheres são oprimidas na nossa própria sociedade ocidental. O mundo ocidental, assim nos dizem, é ‘progressista’ e ‘avançado’ – a posição das mulheres é boa e pode ser oferecida como modelo para os muçulmanos ‘atrasados’. Será necessário recordar o quão profundamente machista é a “nossa” sociedade? Na França, o salário médio dos homens é 25% mais elevado do que o das mulheres em empregos comparáveis; 85% dos empregos a tempo parcial são trabalhados por mulheres; as mulheres nas relações fazem 98% da limpeza, 96% das tarefas domésticas e 80% das compras; apenas 12% dos deputados franceses são mulheres.

As famílias imigradas e muçulmanas seguem o mesmo padrão. Não existem estatísticas, deve dizer-se, que indiquem maiores níveis de violência doméstica em famílias muçulmanas ou imigrantes que vivem em circunstâncias comparáveis. De fato, um maior número de famílias de imigrantes pobres vive em zonas pobres afetadas pelo desemprego em massa. Não se trata de negar que as mulheres muçulmanas são oprimidas. Mas esta opressão não tem as suas raízes no Islã – está enraizada no papel desempenhado pela família sob o capitalismo. A ideia de que a opressão pode ser combatida estigmatizando este símbolo ou centrando-se na questão religiosa não tem qualquer credibilidade a não ser o Orientalismo.

Na verdade, esta nossa sociedade “secular e democrática” abunda com símbolos e estruturas que reproduzem a opressão. O casamento é o principal exemplo, mas é muito mais amplo do que isto, pois “a ideia de propriedade estende-se muito para além dos limites do casamento legal” (Alexandra Kollantai). O local chave para a violência contra as mulheres – violação, maus tratos a crianças – é a família capitalista (em 90 por cento dos casos de violência, o infrator faz parte da família ou do círculo familiar[16]). Ninguém, porém, pensaria em argumentar que os homens que casam se reproduzem ou são responsáveis pela opressão das mulheres. No entanto, este é o raciocínio que muitos ativistas de esquerda usam para justificar a sua islamofobia do bem – as jovens muçulmanas, oprimidas tanto como muçulmanas como mulheres, são obrigadas a suportar ainda mais repressão.

As mulheres jovens que usam hijab são frequentemente acusadas de serem manipuladas por fundamentalistas. Alain Finkielkraut afirmava confiantemente que: “quando vão para a escola secundária são forçadas a colocar hijab. Como estas não têm lugar na instituição, as jovens mulheres estão sob a vigilância de imãs que patrulham as saídas do pátio da escola para verificar se os hijabs estão sendo usados corretamente”.[17]

Esta fantasia completa é transmitida pelos políticos, a imprensa e a televisão sempre que tais incidentes ocorrem. Um excelente estudo sociológico mostrou como é infundada: “Os incidentes por trás das exclusões escolares, em Mantes ou Lille, Estrasburgo ou Goussainville, ajudaram a provar que em muitos casos o lenço não é imposto pela família, mas é livremente escolhido – não é experimentado como submissão, mas como auto-afirmação. Estas jovens mulheres são o produto de uma sociedade que há dez anos se dedica à perseguição de imigrantes do Norte de África.”[18]

O livro de Gaspard e Khosrokhavar tem algumas revelações surpreendentes: “Conhecemos um bom número de mulheres jovens usando o véu, que nos pareciam mais próximas das atitudes modernas do que alguns adultos e mulheres jovens que não usavam o véu. Um bom número delas opõe-se à poligamia, a não ser permitido trabalhar fora de casa, à desigualdade de direitos em certas áreas, etc. Quando discutem entre si, não estão dispostas a abdicar da sua autonomia. Não se trata de ficarem em casa ou aceitar um casamento arranjado. Mesmo com o cabelo tapado, os seus movimentos seguem a sensibilidade corporal da sociedade francesa, não a da sociedade islâmica tradicional. Quando estão na recreação, os seus movimentos e a forma como se relacionam com as moças e com os rapazes mostram-no muito bem. Não evitam o contato corporal com os outros: não existem num “espaço de vergonha” impenetrável para os rapazes; não demonstram qualquer apreensão em misturar-se com eles. Só muito dificilmente encarnam a ética estrita das sociedades mediterrânicas tradicionais”.[19]

Em 1994, o ministro da educação, François Bayrou, enviou duas mulheres de origem imigrante para representar o ministério nas conversações com as jovens mulheres que usam o Hijab. O relatório, que recebeu pouca publicidade, vai contra todos os preconceitos. Um representante relatou: “Paradoxalmente, o fenômeno é de emancipação. Com o hijab, sentem-se livres. Ao colocarem-se sob a autoridade de Deus, sentem-se livres da autoridade dos seus pais e irmãos. Uma jovem disse-me mesmo que, desde que usava o véu, iria a debates e conferências”.[20]

Pierre Tévamian sublinha o quão simplista é igualar ‘hijab’ e ‘submissão’. As mulheres jovens podem usar o véu como meio de libertação, apesar de serem dominadas noutros aspectos. Isto não é para idealizar o papel desempenhado pela religião, mas para mostrar que a religião, por ser um instrumento de dominação, pode desempenhar um papel na construção de uma identidade – pode ser um meio de resistência numa sociedade racista onde os imigrantes e os muçulmanos são oprimidos. Na verdade, o racismo estatal tem aumentado à medida que sucessivas políticas de austeridade têm empurrado camadas inteiras da população para as periferias.

Aqueles que defendem as discriminações colocam em destaque o Islã como: “O véu não é um símbolo religioso simples, como a cruz usada por raparigas e rapazes à volta do pescoço”, é “a estrela amarela da condição feminina”[21]. O Islã é comparado ao fascismo como algo que deve ser combatido. Um deputado da direita deixou isto claro quando argumentou que a lei não deveria ser contra os símbolos religiosos em geral, pelo contrário, o lenço islâmico tinha de ser banido porque constituía uma ameaça específica. Comparar o hijab na França com o fascismo é um completo absurdo.

Uma confusão generalizada (e particularmente chocante) por parte de algumas pessoas é a forma como se fundou o Islã na França com o Islã nos países como Arábia Saudita. Os dois não podem ser comparados. As jovens mulheres que usam hijab na França não podem ser responsabilizadas pela situação ali existente. No entanto, alguns dizem que usar o lenço na França é para legitimar os ataques às mulheres nesses países. Isto é completamente absurdo. As jovens que usam o hijab na França querem proteger os seus direitos. Elas lutam pelo direito de estudar no ensino público, e não de frequentar uma escola religiosa. Como disse uma aluna da Universidade Censier, “Pode-se lutar aqui pelo direito de usar livremente o lenço, bem como apoiar a luta das mulheres no Irã para terem o direito de não o usar”.[22]

Na França, a maior ameaça aos direitos da mulher vem hoje do governo, não das jovens muçulmanas. O direito francês tão democrático quer reintroduzir os subsídios para as mães e mandar as mulheres de volta para casa. As suas reformas previdenciárias afetam as mulheres em particular. Devemos lutar por mais recursos para a emancipação das mulheres.

Porque a discriminação é uma realidade, os oprimidos podem ser levados a acreditar que a opressão é a principal razão da situação em que se encontram. Porque os muçulmanos são discriminados na França. De tal forma, pode-se interpretar que o orgulho e a afirmação da própria religião muçulmana numa sociedade racista e islamofóbica pode ser uma forma de luta de resistência, porque conduz a um confronto com os preconceitos racistas e imperialistas. Nos anos 60, Malcolm X. e o pugilista Muhammad Ali[23] explicaram que aderiram à Nação do Islã porque os descendentes dos escravos tinham de romper com a religião dos escravos. Esta afirmação levou-os a confrontarem-se com o opressivo e racista Estado norte-americano.

Muitos da esquerda e da extrema esquerda justificam o seu atual apoio à islamofobia em nome de uma luta contra a opressão feminina – mesmo que isso signifique lutar contra essas mulheres, e não ao lado delas. Tal conceito de luta leva à noção de que uma minoria bem intencionada na posse da verdade pode convencer a maioria independentemente de qualquer processo pelo qual a consciência é elevada através da experiência da luta e do choque de ideias.

As jovens mulheres muçulmanas tornam-se assim uma ameaça a ser combatida e isolada. Elas são excluídas de uma luta antirracista através da qual podem então ser conquistadas para outras lutas – contra o machismo e contra o capitalismo. Encontramos este tipo de raciocínio noutras circunstâncias. A justificação dada para a guerra no Afeganistão foi que ela libertaria as mulheres afegãs da sua opressão, da burca. A verdade era que nenhuma emancipação poderia ser trazida do exterior, muito menos confiando no Estado, ele próprio patriarcal, racista e imperialista. Como Yves Sintomer colocou num fórum sobre as discriminações em Aubervilliers, ‘Emancipar as mulheres jovens pela força’[24] é totalmente ilusório. A nossa visão é de auto-emancipação. Os oprimidos e os explorados podem libertar-se a si próprios através da sua própria luta.

As exclusões só podem ser contraproducentes. Isolam as jovens muçulmanas das outras pessoas, e apenas as fortalecem na sua visão do mundo de que o conflito é entre muçulmanos e não-muçulmanos.

Como dito anteriormente, o argumento mais frequentemente apresentado pelos franceses para justificar as exclusões e discriminações no ambiente escolar é a necessidade de defender a laicidade, que seria minada pelas jovens que usam hijab. A principal definição de laicidade é que a escola é “independente de todas as confissões religiosas”[25]. Isso não significa que os alunos das escolas careçam de convicções religiosas. Aqueles que gerem o sistema atual mantêm a teoria de que a escolaridade moderna é imparcial. A escola deve ser um ‘santuário’ apolítico, protegendo as crianças de disputas entre adultos. No entanto, a escola moderna é tudo menos imparcial, como a sua história demonstra.[26]

A discussão sobre o lenço levanta uma questão importante e complexa sobre a opressão à qual os marxistas devem ter uma resposta. Porque os preconceitos que dividem os franceses dos árabes, os cristãos dos muçulmanos, são grandes obstáculos no caminho para a emancipação dos trabalhadores, os revolucionários devem defender irredutivelmente os oprimidos. Não se pode exigir que os oprimidos (neste caso, os muçulmanos na França) se livrem primeiro de aspectos ambíguos do seu pensamento antes de lutarem contra a sua própria opressão. Isto equivale a negar o papel que a opressão desempenha na garantia do domínio da classe dominante.

A realidade é que o racismo anti-muçulmano enfraquece a classe trabalhadora como um todo e divide ainda mais os seus interesses comuns. Não combatê-lo pode ter consequências graves. Um importante acontecimento que é necessário resgatarmos, na época da instabilidade na indústria automóvel francesa no início dos anos 80, Pierre Mauroy, o primeiro-ministro do Partido Socialista, declarou que se tratava de uma greve “manipulada por ayatollahs”[27]. Ele queria quebrar a greve no setor da indústria onde a maioria dos trabalhadores eram imigrantes. Em 1982, quando a Citroën entrou em greve, a direção tentou a mesma provocação. Ofereceram apenas carne de porco e vinho aos delegados sindicais, muitos dos quais eram trabalhadores de origem islâmica. O que a direção não previu foi que tal seria recusado por cada um dos delegados, tanto franceses como imigrantes.

Lênin colocou a questão de forma muito simples em 1902. Ele escreveu que quando os trabalhadores entram em greve por aumentos salariais são sindicalistas, mas quando fazem greve em protesto contra a violência contra judeus ou estudantes, tornam-se verdadeiros socialistas. A solidariedade com as jovens mulheres muçulmanas reforçará a unidade de todos os trabalhadores, independentemente da sua religião. Isto não terá apenas um impacto poderoso na luta contra o racismo. Irá reforçar a confiança para lutar contra o grande capital.

*Gercyane Oliveira é graduanda em Ciências Sociais na Unifesp.

Notas


[1] GROS, M. J. Statu quo au lycée d’Aubervilliers. Libération. Paris, 30 set. 2003. Disponível em: https://www.liberation.fr/societe/2003/09/30/statu-quo-au-lycee-d-aubervilliers_446553/.

[2] TERNISIEN, X. Etre musulman en France. Le Monde. Paris, 29 abril 2003. Disponível em: https://www.lemonde.fr/a-la-une/article/2003/04/29/etre-musulman-en-france-2-2_318534_3208.html.

[3] LCI, 24 de Outubro de 2003, acrimet.samizdat.net

[4] P. Tévanian, L’Etincelle, no. 32 (Outubro de 2003).

[5] CALLINICOS, A. Race and Class. International Socialism: A quartel jornal of socialista theory. Londres, v. 55, n. 2, p. 3-39, 1992. Disponível em: https://www.marxists.org/history/etol/writers/callinicos/1992/xx/race-class.html.

[6] Citação em D. Godard, Pourquoi devenir socialiste révolutionnaire (Socialisme International, 1994).

[7] K. Marx e F. Engels, On Britain (Moscou 1962), p. 552.

[8] ‘Le voile á l’assaut des Écoles’.

[9] WIEVIORKA, M. L’avenir de I’islam en France et em Europe. Balland: Paris, 2003.

[10] Ternisien, X. La France des mosquées (Edição Albin Michel, Setembro 2002).

[11] Nota: Um grupo de antigos intelectuais de esquerda que desempenham um papel ideológico semelhante ao dos “pensadores” imperialistas humanitários na Grã-Bretanha.

[12] BALIBAR, E.; BRAUMAN, R.; BUTLER, J.; CYPEL, S.; HAZAN, E.; LINDENBERG, D.; SAINT-UPÉRY, M.; SIEFFER, D.; WARSCHAWSKI, M. In: Antisémitisme, L’intolérable chantage. [S. l.]: La Découverte, 2003.

[13] Reuters, após a explosão da AZF, 21 Novembro 2001.

[14] BOUNIOT, S. Abderazak Besseghir, ” terroriste ” engendré par notre ère sécuritaire. L’Humanité, [ S. l.], 14 jan. 2003. Disponível em: https://www.humanite.fr/abderazak-besseghir-terroriste-engendre-par-notre-ere-securitaire-278085.

[15] SALOM, G. SEKSIG, A. En acceptant le foulard à l’école, on risque de transformer chaque musulman en intégriste. L’Etat doit légiférer. Clarté, fermeté, laïcité. Libération. Paris, 12 nov. 1999. Disponível em: https://www.liberation.fr/tribune/1999/11/12/en-acceptant-le-foulard-a-l-ecole-on-risque-de-transformer-chaque-musulman-en-integriste-l-etat-doit_290415/. Acesso em: 03 jun. 2021.

[16] Inquérito nacional sobre a violência contra as mulheres na França.

[17] FINKIELKRAUT, A. Le foulard et l’espace sacré de l’école. Les mots sont importtants. [S. l.], 26 nov. 2003. Disponível em: https://lmsi.net/Annexe-le-texte-d-Alain.

[18] GASPARD, F.; KHOSROKHAVAR, F. Le foulard et la republique. Paris: La Découverte, 1995.

[19] Id., Ibid.

[20] Libération, 8 Dezembro 1994.

[21] DJAVANN, C. Bas les voiles. [S. l.]: Gallimard Education, 2003

[22] L’Etincelle. Isto reflete a declaração de Shirin Ebadi, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2003: “O pretexto do véu não deve ser usado para fechar escolas a jovens mulheres muçulmanas. A escola é um lugar de liberdade para as mulheres. Os fundamentalistas não querem que vão para lá”, argumentou ela (15 de Dezembro de 2003).

[23] ALI. Direção: Michael Mann. [S. l.], 2001. (157 min).

[24] ‘Ne pas émanciper les filles de force’, Forum com Irène Jami, Anne-Sophie Perriaux, Yves Sintomer e Gilbert Wasserman, Libération, 1 Outubro 2003.

[25] LAICIDADE. In: Dicionário Petit Robert. [S. l.]: Le Robert, 2017.

[26] BOULANGÉ, A. L’Éducation n’est pas une marchandise. Socialism Paribas. Disponível em: www.socialismeparenbas.org.

[27] VIAL, J. P. Echange de letres entre le MRAP, la LDH et LO. Lutte Ouvrière: union communiste (trotskyste). n. 1763, 10 maio 2002. Disponível em: https://journal.lutte-ouvriere.org/2002/05/10/echange-de-lettres-entre-le-mrap-la-ldh-et-lo_4719.html.