Por LUIS FELIPE MIGUEL: A lucidez política exige rejeitar as fábulas maniqueístas: é possível condenar a agressão imperial sem endeusar regimes autoritários, pois a história real raramente oferece heróis
Por IVANA BENTES: A imagem de Nicolás Maduro em Nike Tech Fleece simboliza o capitalismo mafioso, onde a pilhagem geopolítica se converte em mercadoria viral e a guerra vira entretenimento consumível
Por VLADIMIR SAFATLE: O colonialismo 3.0 não disfarça mais: suas razões são a pilhagem, e sua lógica, a força bruta. Resta-nos responder com a clareza de quem sabe que a próxima fronteira do império é nosso próprio quintal
Por TIAGO NOGARA: O ataque à Venezuela é o ato desesperado de um império em declínio, que vê na resistência bolivariana o símbolo maior de um hemisfério que lhe escapa. Mas a história, movida por milhões, não retrocede: o sequestro de Maduro apenas acelera o despertar dos povos
Por FERNÃO PESSOA RAMOS:
Kleber Mendonça consolida sua linhagem ao fundir o realismo social brasileiro com a autorreflexão pós-moderna, usando o verniz trash e a intertextualidade genérica não como mero pastiche, mas como lente crítica para dissecar a violência de classe e a barbárie histórica do país
Por MICHAEL LÖWY: A investigação das raízes ecológicas de Marx revela que o enfrentamento ao aquecimento global é indissociável da ruptura com a lógica da acumulação desmedida e da construção de uma autoatividade humana livre
Por LUIZ MARQUES: Ao confrontar o otimismo compulsivo norte-americano com a melancolia da formação brasileira, a análise propõe a esperança como uma práxis política capaz de honrar o passado e projetar a emancipação social
Por FRANCISCO TEIXEIRA: O debate entre a valorização cultural de Gilberto Freyre e o materialismo de Caio Prado Júnior revela o abismo epistemológico que molda as interpretações sobre a contribuição negra e a herança escravista no Brasil
Por FLÁVIO AGUIAR: Enquanto o governo consolida vitórias diplomáticas e econômicas, as oposições enfrentam um cenário de fragmentação, marcado por tentativas frustradas de pautar a segurança pública e a política externa
Por EMILIANO JOSÉ: A conquista do poder revela-se menos como um evento eleitoral e mais como um projeto metódico de longo prazo, onde a guerra ideológica, financiada e disfarçada em jornalismo, pavimenta o caminho para a hegemonia
Por JOSÉ RAIMUNDO TRINDADE: O dilema brasileiro permanece: como construir soberania tecnológica quando o mercado de trabalho ainda reflete a lógica colonial do emprego precário e da informalidade estrutural?
Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA: O desenvolvimento é uma construção que exige mais que generosidade: demanda investimento soberano e a coragem de desafiar as amarras do imperialismo
Por LUIZ BERNARDO PERICÁS: Uma trajetória de constante reinvenção, da marginalidade ao internacionalismo, cujo pensamento evoluiu do nacionalismo negro para uma luta global contra a opressão, unindo raça, classe e anticolonialismo
Por RICARDO ABRAMOVAY: A abundância alimentar é uma ilusão tóxica: nossa mesa está intoxicada por químicos perversos e sustentada por uma monocultura global que troca saúde por lucro e resiliência por fragilidade
Por FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA: A história do crédito no Brasil é a da lenta substituição dos sistemas sociais pré-capitalistas — do fiado, da agiotagem e do coronelismo — por um mercado financeiro nacional, um processo completado apenas com a urbanização e a estabilização monetária
Por LUIZ RENATO MARTINS: Em resposta ao golpe de 1964, Hélio Oiticica e seus pares forjaram a Nova Objetividade Brasileira, uma síntese que fundia vanguarda construtiva, cultura popular e uma consciência política radical do subdesenvolvimento
Por TARSO GENRO: A eleição do muçulmano de esquerda Zohran Mamdani personifica uma insurgência contra a decadência iluminista dos EUA, traduzindo as antinomias do sonho americano numa linguagem política nova e comovente