A Paris de Rubem Braga

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Por AFRÂNIO CATANI*

Através de um olhar estrangeiro e singular, Rubem Braga capturou em suas crônicas a alma vibrante da Paris intelectual dos anos 1950, transformando encontros em literatura

1.

Em 1950 o cronista Rubem Braga, com 37 anos, voltou a Paris, onde trabalhou durante um ano. Augusto Massi reuniu em Retratos parisienses 31 artigos que ele escreveu, em sua maioria, para o diário carioca Correio da Manhã, sobre gente do mundo da pintura, da literatura, do cinema e do teatro, com sua verve cortante e bem-humorada e a elegante escrita que sempre o caracterizou.

Leio Rubem Braga (1913-1990), que viveu dez anos mais que seu amigo Vinícius de Moraes (1913-1980), desde que tinha uns 12 ou 13 anos e ainda morava em Piracicaba e era aluno no antigo curso ginasial. Li em êxtase uma edição encalhada e desbotada, exposta na vitrine da Agência Cury de jornais e revistas, comprada por uma bagatela, de A borboleta amarela (1955), que já era o oitavo livro de Rubem Braga.

Muita gente que eu conheço gostava e ainda gosta de ler Rubem Braga. Destaco dois amigos e professores fanáticos pelo cronista capixaba: Gilberto Vasconcellos, da Universidade Federal de Juiz de Fora e José Leonardo do Nascimento, da Universidade Estadual Paulista.

Ambos são capazes de citar trechos e trechos das crônicas do escritor natural de Cachoeiro de Itapemirim. Gilberto Vasconcellos, além disso, considera que Rubem Braga é quem melhor sabe usar o ponto e vírgula na língua portuguesa. José Leonardo, por sua vez, nas aulas ministradas aos acadêmicos lisboetas, conseguiu fazer com que os gajos se encantassem com o cronista maior brasileiro.

Há mais de uma década, em janeiro de 2013, mês de nascimento de Rubem Braga, a Editora José Olympio lançou Retratos parisienses, que Augusto Massi, professor de literatura brasileira na USP, teve a feliz ideia de selecionar e apresentar. É um conjunto de 31 crônicas publicadas entre janeiro de 1949 e outubro de 1952, sendo o núcleo central “composto por textos escritos em 1950, na capital francesa” (p. 9). Um dos artigos saiu na Folha da Noite, sete na Folha da Tarde e 23 no Correio da Manhã.

Antes de mais nada, acrescente-se que a apresentação de Augusto Massi é dedicada a Davi Arrigucci Jr. “jovem cronópio de 70 anos”, professor aposentado de literatura brasileira na USP e autor de uma excelente análise, “Onde andará o velho Braga?”, que integra seu livro de ensaios Achados e perdidos (1979), que na ocasião foi contemplado com o Prêmio Jabuti.

2.

Augusto Massi esclarece que Braga “estava com 37 anos, novamente solteiro, e retornava a Paris como correspondente do Correio da Manhã”. Para quem havia participado da cobertura da Segunda Guerra Mundial, a temporada parisiense soava, no mínimo, como uma trégua. O salário do jornal, esparsas colaborações para a revista Leitura, um bico no Escritório Comercial do Brasil e um câmbio favorável permitiam que Rubem Braga, após peregrinar por pensões e prisões em nosso país, pudesse viver confortavelmente em Paris. Talvez por tudo isso, 1950 tenha sido um dos melhores anos de sua vida” (p. 9).

Ele assinava uma breve crônica diária, “Recado de Paris”, na página 2 do Correio da Manhã e realizou entrevistas ou reportagens, parte delas para o suplemento cultural do jornal, material que havia permanecido inédito até esta antologia.

Rubem Braga trabalhou bastante, conversando com Pablo Picasso, Jean- Paul Sartre, Henri-Georges Clouzot, Juliette Greco, Marc Chagall, André Breton, Duke Ellington, Jean-Louis Barrault, Jean Cocteau, Georges Duhamel, Marie Laurencin, Jacques Prévert, Eugenio Montale, Alberto Moravia, Giuseppe Ungaretti, De Chirico, David Alfaro Siqueiros, Tsuguharu Foujita, além de visitar exposições de Henri Matisse, Georges Braque e Frans Post, de escrever sobre o cinquentenário da morte de Oscar Wilde e de Émile Zola, realizar breve necrológio de Corinne Luchaire, especular sobre o misterioso desaparecimento de Maurice Sachs, além de considerações acerca do julgamento de Louis-Ferdinand Céline, de uma viagem a Roma, de três artigos envolvendo a visita de Thomas Mann à França para o lançamento de seu livro Doutor Fausto, fazer conferência na Sorbonne e conceder entrevistas a algumas publicações francesas.

Augusto Massi lembra que não é simples definir o presente livro do ponto de vista do gênero, uma vez que o conjunto de textos reunidos não se constituem em uma obra tradicional de entrevistas e, igualmente, pouco tem a ver com os volumes de crônicas publicados por Braga. “Penso que se filiam à linhagem que costumamos denominar perfil de artista. É como se o cronista se aventurasse pela arte do retrato de escritores, pintores, atores e cantores” (p. 10).

No que se refere à vida literária, Rubem Braga não deixou por menos, tendo se valido de seus contatos para falar ou visitar todo mundo que lhe interessava e que fosse possível ficar face a face. O correspondente também informava sobre “…as principais revistas, livrarias, polêmicas e os últimos lançamentos em torno de Valèry, Gide, Colette, Claudel, Mauriac.

3.

Adora Eugenio Montale: “Lembro-me que o visitei em Florença ainda em 1945: ele reassumiu tranquilamente o seu lugar de bibliotecário ou zelador de um prédio cheio de livros e obras de arte, lugar que perdera vinte anos antes por causa do fascismo” (p. 139), registrando o cerne da fala do poeta: “Tendo sentido, desde o nascimento, uma total desarmonia com a realidade que me cercava, a matéria de minha inspiração só poderia ser essa desarmonia” (p. 140).

Eugenio Montale é sofisticado e complexo, o que leva Augusto Massi a considerar a erudição de Braga, escrevendo que “sua sensibilidade de leitor é mais elástica e porosa do que podemos imaginar, admira tanto a dicção escarpada de Eugenio Montale quanto o lirismo cotidiano de Jacques Prévert” (p. 12).

Destaca que Eugenio Montale publicou Finisterra em 1943, em Lugano, cuja epígrafe já seria suficiente para que os censores fascistas o perturbasse: “Os príncipes [isto é, os ditadores] não têm olhos para ver essa grandes maravilhas/Suas mãos agora servem apenas para nos perseguir… (Agrippa d’Aubigné, 1552-1603) – “versos de um homem que sabia o que eram luts e matanças” (p. 142).

Giuseppe Ungaretti era, talvez, o poeta mais conhecido no Brasil, tendo lecionado literatura italiana na Universidade de São Paulo entre 1937 e 1942, e Braga dedica três páginas a ele (p. 147-149). Recorda-se do poeta italiano em outro artigo, tendo-o recebido no Albergo d’Inghilterra, “o hotel mais velho de roma, onde em 1800 e tantos o papa Pio não sei quantos fez uma visita ao rei Pedro tantos de Portugal” (p. 139). O velho Ungaretti andou pelos corredores escuros, falando com sua voz explosiva, agitando as mãos. Já morou aqui, porque, durante o fascismo, assinou uma declaração contra as leis antissemitas” (p. 134).

Aparentemente, Rubem Braga gozava de “relativa autonomia” na escolha dos entrevistados e do que escrevia em suas matérias francesas.

Outro italiano a receber três páginas de destaque foi Alberto Moravia, “que continua a ser o romancista mais lido na Itália, e há muito tempo seus livros estão traduzidos em outras línguas (p. 145). Abre o dito “pessimismo” que perpassa sua obra, Moravia argumenta, lembrando que “nunca houve arte, desde que o mundo é mundo, que não fosse, em certa medida, pessimista (…) Mas o pessimismo, como os vinhos generosos, envelhece bem, e depois de muitos anos revela sua verdadeira natureza de sinceridade ingênua e corajosa, ao passo que aquilo que normalmente é chamado de otimismo azeda e, com os anos, torna-se nauseabundo” (p. 146-147).

4.

Jean-Paul Sartre é descrito como parecido com Candido Portinari, “um Portinari que fosse mais forte e mais rústico”, tendo “alguma coisa do camponês do norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos de palha suja (…) É impossível saber se está falando com Roberto Assunção ou comigo, pois cada olho verde fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão”. É um homem baixo, retaco e certamente feio. Mas quando começa a mover-se e a falar a gente compreende o seu poder de atração” (p. 116).

Jean-Paul Sartre concorda que estudantes do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio de Janeiro, montem a sua peça Mortos sem sepultura sem o pagamento de qualquer direito autoral. Na conversa informal, ele que pretendia visitar o Brasil em breve, é informado por Rubem Braga que na antiga capital federal, “existencialismo” tem um sentido “não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que Sören Kierkegaard” (p. 117). Jean-Paul Sartre cai na gargalhada.

O filósofo escrevia na ocasião algo sobre Jean Genet, fazem piada sobre o larapismo de escritor, além de se dedicar, vagarosamente, à elaboração de um Tratado de moral – disse que acabara um romance do ciclo Os caminhos da liberdade.

Alguns dias depois Rubem Braga retorna à casa de Jean-Paul Sartre acompanhado de Sérgio Milliet, com um longo questionário, que o filósofo responde com boa vontade, basicamente sobre a guerra, o dever do intelectual, a política francesa e as relações com a União Soviética. Os entrevistadores acham plenamente respeitável as considerações de Jean-Paul Sartre, para quem “um escritor é um homem cuja matéria de trabalho é a palavra. Sua dignidade consiste em dizer a verdade, isto é, reivindicar para cada palavra o seu exato valor” (p. 126).

Em abril de 1952 Rubem Braga escreve comentando a fake news que informava, através de um telegrama suspeito, vindo de Belém, que Jean-Paul Sartre havia morrido em sua visita ao Brasil. O cronista recorda que em sua última visita ao escritor o viu sentado em sua mesa de trabalho, no escritório da rue de l’Université, diante da Place Saint-Germain, “cercado de livros, fumando um cigarro forte, acendendo-o com os fósforos tirados de uma caixa grande, dessas que as cozinheiras usam, Simpatizei com o fumo forte e com a caixa grande de fósforos, e com o ambiente simples em que trabalhava aquele homem pequeno, feio, de olhos vesgos atrás de óculos, mas com alguma coisa de sólido e de rude no corpo retaco e na palavra clara, corajosa e precisa” (p. 153).

5.

Rubem Braga derrete-se com a musa Juliette Gréco, cantora e atriz, em “A mais bela professora de filosofia”, que estava em novembro de 1950 com 23 anos. Conta que ela e Anne-Marie Cazalis fundaram o Tabou, clube criado num porão cujo aluguel era barato, e onde se discutia literatura, arte e política. Ela faz teatro, canta e cria, em seguida, em outro porão, o Club Saint-Germain, na rua Saint-Benoît (p. 110 e 112).

Juliette Gréco estava indo ao Brasil para uma temporada de shows, com um repertório de canções de Jean-Paul Sartre (“Les Blancs Manteaux”), Raymond Queneau (“C’est bien connu”), Jacques Prévert (“Je suis comme je suis”), “tudo com música de Joseph Kosma”, compositor húngaro radicado na França. Rubem Braga inclusive manda um bilhete para sua amiga Aracy de Almeida “pedindo que trate bem essa jovem, filha de um corso com uma francesa que fala de arte e de filosofia com uma boca tão sadia e bela como é difícil de encontrar outra igual” (p. 113).

Os colaboracionistas Maurice Sachs, Louis-Ferdinand Céline e Corinne Luchaire são objeto de matérias, além de um excelente necrológio de Émile Zola, que Rubem Braga lia encantado, já aos 16 anos, na pequena biblioteca pública de sua cidade.

Identifica-se bastante com o escritor Jacques Prévert, que gozava de grande popularidade na França, parecendo “um irmão mais moço de Jayme Ovalle” (p. 83), com crianças povoando os seus poemas e demonstrando sua intensa simpatia pelos que “têm o pão quotidiano relativamente hebdomadário” (p. 83). Jacques Prévert não gosta de patrões, nem de generais, nem de padres, não poupando também reis, papas, comendadores e chefes de indústria. Os políticos e generais são para ele “os que dão canhões às crianças, os que dão crianças aos canhões” (p. 85).

O ator e diretor teatral Jean-Louis Barrault recebe grande destaque em março de 1950, assim como o pintor Georges Braque (maio de 1950), que confessa nunca ter planejado muito as coisas que faz: “Pinto. É como o viciado que toda manhã pega o seu copo; eu pego a minha paleta”. “Cada quadro para mim é uma aventura. Às vezes penso, na hora de dormir, amanhã vou fazer isso… No dia seguinte faço outra coisa. Há um mistério em tudo isso” (p. 72-73).

6.

Em “Frans Post”, dedicado à exposição na Orangerie de paisagens holandesas do século XVII, Rubem Braga destaca que há apenas um quadro de Post, O rio São Francisco, que permite ao cronista dissecar “a tristeza dos espaços brasileiros” (p. 127). Augusto Massi relembra que “o roteiro dos museus e das galerias não é suficiente” para ele, que vive cercado de pintores. “Visita Foujita na companhia de Clóvis Graciano, ouve Duke Ellington tocar em companhia de Antônio Bandeira, frequenta Cícero Dias e Raymonde, diverte-se com Miró e Calder dançando samba…”Para sua alegria, havia 21 pintores brasileiros em Paris” (p. 21).

“Visita a Pablo Picasso” é bastante extensa. Rubem Braga vai até Vallauris para conhecê-lo, recomendado por Cícero Dias. Não diz que é jornalista. “Não menti, nem mesmo por omissão. Ser jornalista é, sobretudo, fazer perguntas e, na realidade, eu não tinha nenhuma pergunta que lhe pudesse fazer” (p. 89). Chega depois do almoço e encontra o pintor “de short e sapato-tênis e uma camisa esporte” – Rubem Braga estava vestido da mesma forma.

A descrição que faz do artista é primorosa: É um pouco mais baixo do que eu esperava, retaco, musculoso e belo, com sua grande cabeça bronzeada. Sei que vai fazer neste verão 69 anos – e eu não lhe daria mais de 54. Conheço bem e tenho prazer em ver pessoalmente essa bela cabeça de homem à qual todas as marcas da passagem do tempo só fizeram juntar energia e firmeza: suas rugas, a calvície que lhe aumenta a pureza do vulto” (p. 91).

“Roma” originalmente saiu na Folha da Tarde de 27 de setembro de 1951 e se constitui, entendo, em um paradigma da refinada arte de narrar ou descrever de Rubem Braga. Escreve que “Paris é feita de ruas, avenidas, perspectivas; Roma é feita de escultura e arquitetura entre a sombra de árvores imensas. Daí a sua beleza grave; nunca se tem vontade de fazer um quadro a óleo, como em Paris, nem uma aquarela, como em lisboa. Roma só pode ser bem contada em gravuras, tem massas e volumes, não cores” (p. 132).

Visita Jean Cocteau com o amigo e jornalista Louis Wiznitzer. Para Rubem Braga, o visitado “parece um pouco com Sérgio Milliet mais velho e mais rápido para falar as coisas”. Mas logo corrige: “Não, não é isso: ele parece um Olegário Mariano desidratado” (p. 39) – e olha, ele tem razão…

Jean Cocteau conta algumas histórias, mas há uma em especial que merece ser transcrita. Fala que “outro dia estava com Picasso, e Picasso perguntou a um rapaz, restaurador de quadros, o que achava de certa pintura. O rapaz confessou que não podia dizer nada, porque não compreendia aquele quadro. E o espanhol: ‘Você compreende chinês?’ O rapaz disse que não. ‘Pois chinês se aprende, isso também’” (p. 38-39).

Em uma das orelhas de Retratos parisienses, o jornalista Sérgio Augusto escreveu que “captadas pelo olhar de Rubem, coisas só na aparência insignificantes do cotidiano e estados d’alma enganosamente banais ganhavam nobreza e transcendência. Sua prosa divagante, encantadoramente simples, doce e cristalina, melancólica e irônica, lírica sem pieguice, tinha o condão de transformar o que quer que fosse em inesperadas epifanias. Só para Rubem era fácil”.

Concordo em quase tudo com a apreciação de Sérgio Augusto acerca de Braga. Talvez a escrita não fosse tão difícil para ele, mas Rubem Braga sempre se dedicou muito ao trabalho. Augusto Massi reproduz trecho de um depoimento de Louis Wiznitzer onde se fala que apesar da vida boêmia que levava e de se comportar em Paris como um flâneur, “todas as manhãs, porém, às nove horas Rubem batia infatigavelmente à máqina as suas crônicas” (p. 23).

*Afrânio Catani é professor titular sênior na Faculdade de Educação da USP e autor, entre outros, de Origem e destino: pensando a sociologia reflexiva de Bourdieu (Mercado de Letras). [https://amzn.to/4rpmvi3]

Referência

Rubem Braga. Retratos parisienses: 31 crônicas (1949-1952). Rio de Janeiro: José Olympio, 2013. [https://amzn.to/4q8VrlU]

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