Sabotagem ferroviária na Polônia

Imagem: Johannes Plenio
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Por ANDREW KORYBKO*

Sabotagem de ferrovia polonesa pode não estar nos trilhos danificados, mas na encenação cuidadosa que busca derrotar, nos corredores do poder, os frágeis avanços da diplomacia para colocar fim à guerra da Ucrânia

1.

Essa pode ser uma operação de simulação para minar a redução parcial das tensões polaco-bielorrussas e provocar um agravamento das tensões russo-americanas. Além disso, ocorre seis semanas depois de espiões russos terem alertado para um suposto ataque simulado (de falsa bandeira) polaco-ucraniano contra infraestruturas críticas na Polônia.

Investigadores poloneses afirmam que uma linha férrea que liga Varsóvia a Lublin foi danificada pelo que acreditam ter sido uma explosão. O primeiro-ministro Donald Tusk escreveu no X que “Explodir os trilhos da linha férrea na rota Varsóvia-Lublin é um ato de sabotagem sem precedentes, que visa diretamente a segurança do Estado polonês e de seus cidadãos. Essa rota também é crucial para o envio de ajuda humanitária à Ucrânia. Vamos capturar os responsáveis, sejam eles quem forem”. O contexto que envolve esse incidente é muito relevante.

Mais cedo naquele dia, a Polônia havia reaberto duas passagens de fronteira com a Bielorrússia, que havia fechado em setembro em resposta aos exercícios militares Zapad 2025 realizados naquele mês entre a Rússia e a Bielorrússia. No mesmo dia, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Polonesas, Wieslaw Kukula, também afirmou que “(a Rússia) iniciou o período de preparação para a guerra. Eles estão criando um ambiente aqui com o objetivo de gerar condições favoráveis a uma potencial agressão em território polonês.” Essa declaração veio na sequência dos comentários de Donald Tusk feitos na semana anterior.

“Não quero entrar em detalhes, mas não tenho dúvidas de que os recentes ataques a diversos sistemas digitais, não apenas ao [sistema de pagamento eletrônico] BLIK, são resultado de sabotagem deliberada e planejada. E haverá cada vez mais, por toda a Europa. Porque a guerra que Putin trava contra o Ocidente também acontece dentro de nossas sociedades. Putin possui ferramentas capazes de destruir a União Europeia como organização, mas também a Europa como fenômeno cultural. Essas ferramentas são os quintas colunas da Rússia, presentes em todos os países da Europa”.

Tudo isso aconteceu cerca de dois meses depois que drones russos de simulação entraram no espaço aéreo polonês, muito provavelmente devido a interferência da OTAN. A OTAN tentou então abatê-los, mas um míssil perdido atingiu uma casa na região. O governo de Donald Tusk mentiu, alegando que a culpa era de um drone russo, e seu rival, o presidente Karol Nawrocki, só descobriu a verdade por meio de um vazamento para a imprensa. O ponto principal é que o “estado profundo” polonês possivelmente tentou manipular Karol Nawrocki para entrar em guerra com a Rússia.

2.

Os eventos que antecederam o incidente de sabotagem ferroviária na Polônia explicam por que ele é altamente suspeito. O “estado profundo” polonês já havia tentado, sem sucesso, manipular o presidente para entrar em guerra com a Rússia e, portanto, esperava-se que tentasse novamente em breve. Seu rival, o primeiro-ministro, então, espalhou o medo sobre quintas colunas russas prontas para realizar atos de sabotagem em todo o Ocidente, uma semana antes de algo semelhante aparentemente acontecer, o que coincidiu com a redução parcial das tensões polaco-bielorrussas.

Este desenvolvimento favorece os interesses russos e pode ser visto como um resultado tangencial das negociações em curso com os EUA, apesar da escalada das sanções promovida por Donald Trump há um mês. Portanto, não faz sentido para a Rússia arruinar essas negociações com um ato menor de sabotagem, que previsivelmente corre o risco de reverter o que foi dito anteriormente, sem mencionar o endurecimento da posição agora hostil de Donald Trump, dando credibilidade às alegações dos belicistas sobre a suposta perfídia de Vladimir Putin. Os únicos que se beneficiam são esses mesmos belicistas.

O incidente de sabotagem ferroviária na Polônia pode, portanto, ser uma operação de falsa bandeira para atingir esses dois objetivos, particularmente o agravamento das tensões entre Rússia e EUA, o que poderia ocorrer se o Congresso aprovar o projeto de lei de Lindsey Graham para impor tarifas punitivas aos parceiros comerciais da Rússia, como Trump acaba de endossar. O “estado profundo” dos EUA, seus homólogos poloneses, o Reino Unido e a Ucrânia têm interesse nisso, e espiões russos alertaram recentemente sobre um ataque conjunto polonês-ucraniano “simulado (de falsa bandeira) contra infraestrutura crítica na Polônia”.

*Andrew Korybko é mestre em Relações Internacionais pelo Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou. Autor do livro Guerras híbridas: das revoluções coloridas aos golpes (Expressão Popular). [https://amzn.to/46lAD1d]

Tradução: Artur Scavone.


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