Por ANA AGUIAR COTRIM*
Vera carrega o sol no peito. Plantou girassóis de rebeldia. Porque o girassol não busca a sombra: ele se volta, intencional e radicalmente, para a luz do sol e resiste, teimando em crescer em solo difícil
À companheira Vera Aguiar Cotrim, nossa despedida para quem semeou girassóis, das Mulheres Sem Terra do MST
7 de outubro de 2025[i]
Companheira,
Nossas palavras são feitas de terra revolvida. Nossa despedida é também um reencontro, você fica inscrita nas frestas dos cadernos que você desabrochou, na lousa de nossas salas de aula que você transformou em trincheira de ideias, no silêncio atento de cada uma de nossas companheiras Sem Terra, naqueles rostos curiosos nos quais brotavam inquietações, na espera e na ação para a revolução.
Sentimos em Vera a inquietude de quem nunca se contentou com a superfície das coisas. Diante de nós sempre esteve uma educadora popular, pesquisadora-militante que mergulhou fundo, de dedo em riste, de mente acesa, até encontrar o fio vermelho que tece a história da luta de classes, não como um capítulo velho, mas como o motor que range e pulsa nas entranhas do presente. No prato vazio, na luta, no tapa no rosto das mulheres, na falta da terra e da liberdade.
Você chegou e nos reafirmou que é virtude tomar partido, é ético e necessário denunciar o opressor e que é revolucionário ser feminista. Que bom que você chegou e que sua voz se fez foice e flor no campo do saber, e que pudemos te ter, com sua sabedoria e voz convicta, celebrando e enaltecendo com ciência a mulher trabalhadora, a mulher negra, a mulher Sem Terra.
Vera Cotrim foi professora universitária, mas também foi e continuará sendo a nossa Vera, marota, riso de menina, inquieta e afetiva, com raiz profunda, com a força que sustenta a árvore da luta e faz nascer novas sementes para as que ainda estão por vir.
Vera nos fez perguntas, nos fez perguntar, e soube nos oferecer a chave da leitura crítica da realidade. Reafirmou conosco que o capitalismo precisa ser banido, mas que o patriarcado e o racismo também precisam ser derrotados. E que a humanidade irá desvendar o mundo, não pelas mercadorias que parecem brilhar, mas pelas mãos que produzem, que cuidam, que lutam, pelas mãos que seguram firmes a bandeira vermelha da justiça social.
Vera foi radical no sentido mais belo da palavra: foi raiz. Uma semeadora de sementes férteis, obstinada. É nosso girassol e semente, que se espalha longe. Soube romper as paredes das salas de aula, plantou jardins em territórios de esperança. Se espalhou nos sulcos da terra molhada da luta pela terra e pela emancipação humana.
Vera carrega o sol no peito. Plantou girassóis de rebeldia. Porque o girassol não busca a sombra: ele se volta, intencional e radicalmente, para a luz do sol e resiste, teimando em crescer em solo difícil.
Nossa eterna gratidão, companheira Vera, por cada aula, por cada prosa, por cada defesa feita com a força de um abraço, por ser presença viva entre nós, por seres corpo e alma na defesa intransigente do amanhã, onde a justiça não seja promessa, mas chão firme sob nossos pés.
Querida Vera, espalharemos em nossas lutas os girassóis que você plantou. De onde estiveres, continuará vivendo nas sementes espalhadas por tantos cantos e rincões desse nosso país, em cada acampamento e assentamento em que brota uma nova flor de resistência, consciência e luta.
Vera Aguiar Cotrim, Presente, Presente, Presente!
Com amor, admiração e compromisso,
Das Mulheres Sem Terra do MST
***
Sobre Vera[ii]
Por Denilson Cordeiro
Aristóteles escreveu que para saber o que é a sabedoria prática era preciso, antes de tudo, considerar as pessoas a quem a atribuímos. Pessoas como Vera Cotrim representam para nós esse tipo de sabedoria.
(…)
Um tanto a veracidade da filósofa, historiadora, militante, professora se afasta, outro tanto se perpetua. Vera vai, Vera fica.
Do canto derradeiro, a irmã gêmea, Ana, quando se levanta, surge como a presença viva da irmã querida. Ana fica, Ana vai um pouco. Hoje toda feita de lágrimas, ela aquece a memória da irmã na tarde fria de garoa paulistana, também de luto. O tempo fará prevalecerem as boas lembranças — e nisso Ana (e nós) irá se refazendo e se fortalecendo pela fortuna do laço e das experiências que as uniram, que as fizeram na história e na filosofia que juntas compuseram durante a vida.
As bandeiras da militância (Escola Nacional Florestan Fernandes, MST, GMarx, Palestina livre) ajudam no alento faz tempo. A presença de tanta gente na despedida deixa ver o caminho de amizade e de confiança que ambas souberam construir, com clareza e firmeza de propósitos políticos e intelectuais.
Brilhos de afeto, de estima, de admiração se alternavam nas feições com a turva tristeza do lamento, sob a sombra do susto e da recusa. Secretamente, (…) esperávamos também a aprovação da historiadora — no fundo, é o que vale de fato. Mas a sabedoria prática dá dessas, tem suas sutilezas e modos de se manifestar. Ficamos apenas com os olhos e o coração mareados, náufragos. Quem sabe se como sempre propôs no que estudava, no que exercia, praticava e acreditava, Vera também agora, pelo inconsolável adeus e pelo exemplo que deixa; pela palavra suspensa, cuja forte sonoridade da voz dela ainda ouvimos, não expresse o seu espírito de coletividade? Espírito político, generoso e crítico ao nos situar entre a dura realidade da vida e a necessária persistência na luta.
Alguma verdade, assim, deverá perdurar, quem sabe, porque Vera ainda vive em nós. Quem a conheceu sabe que ela aprovaria se fosse essa agora também a nossa história.
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ENFF e MST se despedem da companheira Professora Vera Cotrim[iii]
Sua militância e dedicação à formação política permanecerão como referências na trajetória do MST e da educação popular
7 de outubro de 2025
Da Página do MST
(…)
Vera dedicou sua vida à construção do pensamento crítico e à formação de gerações de militantes. Em suas aulas, sempre generosas e rigorosas, conjugava o método marxista com a sensibilidade pedagógica de quem acreditava, de forma radical, na capacidade humana de aprender, resistir e transformar o mundo. Vera foi uma intelectual militante que uniu, com firmeza e ternura, o rigor teórico do marxismo e a prática pedagógica libertadora. Como professora da ENFF, contribuiu intensamente para a formação de militantes e quadros de diferentes gerações, sempre reafirmando que o conhecimento é instrumento de emancipação e de luta contra todas as formas de opressão.
Feminista e revolucionária, acreditava profundamente na força das mulheres na construção de uma nova sociedade. Enfrentou com coragem e dignidade a dura batalha contra o câncer, mantendo-se até o fim como exemplo de compromisso, esperança e coerência entre pensamento e ação.
Seguiremos honrando sua memória na continuidade da luta pela qual Vera viveu, ensinou e sonhou.
Presente! Hoje e sempre.
Escola Nacional Florestan Fernandes
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Memória operária…
NOTA DE HOMENAGEM DO GMARX USP À VERA COTRIM[iv]
O GMarx está consternado com a notícia do falecimento da querida Vera Cotrim, nossa companheira de lutas e amiga de tanto tempo. A Vera foi participante ativa dos nossos ciclos de estudos e entusiasta das nossas polêmicas marxistas desde a fundação do grupo, em 2009, até aproximadamente 2016. Ela marcou a trajetória de formação política e teórica de muitas gerações de estudantes e pesquisadores do GMarx. Sempre foi uma ótima companheira do festivo pós-reunião, quando prosseguíamos nossos acalorados debates no Clube da Máfia, uma pizzaria no Bom Retiro.
A Vera politizou e fortaleceu as mulheres do GMarx em iniciativas feministas de estudos teóricos, organização política e elaboração prática. Incentivou no grupo a concepção do feminismo como luta política de todos, homens e mulheres, num tempo em que isso ainda não era tão evidente como é hoje. A Vera marcou a história do GMarx e marcou a história do marxismo como prática social.
Ela era combativa sem perder a ternura. Rigorosa no pensamento e na filosofia marxista, sem perder a alegria. Precisa nos combates teóricos e políticos, sem perder o humor.
(…)
O GMarx deixa um abraço solidário à família e aos amigos da Vera.
GMarx, 06/10/2025
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Alunos do curso livre sobre O Capital, organizado pela amiga Dora Longo Bahia
Ontem recebemos a triste notícia de que Vera se foi. Passamos com ela algumas noites durante a pandemia. Entre telas, tivemos nossa primeira aproximação de O Capital, de Marx: cálculos e mais cálculos, para, entendendo a acumulação, poder pensar em outros modos de produzir. Quando terminou o curso sobre O capital, passamos ao seu texto que partia da seguinte inquietação: “Como foi que abrimos mão do horizonte revolucionário?”.
Ainda que nosso encontro tenha sido breve, o pensamento de Vera permaneceu conosco nos lugares menos previstos — do planejamento da viagem ao México ao orçamento das 330 folhas riscadas de caneta Bic. Vera nos deixou antes de ver o sonho revolucionário se converter em realidade, mas não antes de fazer do seu sonho o nosso.
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Vera Cotrim, presente![v]
Boitempo
Recebemos com enorme tristeza a notícia do falecimento de Vera Aguiar Cotrim, importante pesquisadora da obra de Marx. Junto com sua irmã, Ana, traduziu O desafio e o fardo do tempo histórico, de István Mészáros, publicado pela Boitempo em 2007, além de ter participado de eventos da editora.
(…)
Nós, da Boitempo, nos solidarizamos com familiares, amigos e camaradas de Vera.
VERA COTRIM, PRESENTE!
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Tinta Vermelha – grupo de pesquisa e extensão da UFMG
Nota de pesar e homenagem à professora Vera Aguiar Cotrim[vi]
Com os corações apertados, prestamos hoje uma homenagem à professora Vera Aguiar Cotrim.
(…)
Mais do que uma pesquisadora exemplar, Vera era uma mulher alegre, generosa, cheia de vida, apaixonada pela filosofia e profundamente comprometida com o diálogo e a formação de novas gerações. Sempre disposta a apoiar e incentivar outras mulheres, ela transformou a vida de muitos e muitas ao seu redor.
Sua partida deixa uma falta irreparável — para a academia, para a pesquisa, para o marxismo, para a militância e, sobretudo, para todos que tiveram o privilégio de conviver com ela. Muito da Vera vive em nós, e seu trabalho continuará ressoando por décadas a fio.
Vera, presente!
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Revista Barravento[vii]
A Revista Barravento vem em nome de todos os seus membros manifestar profundo pesar pela perda da professora Vera Cotrim. Em nome da relevância e do respeito ao qualificado debate que Vera sempre cultivou e promoveu, republicamos sua contribuição direta a esta revista, o texto “Intelectualidade e Luta de Classes: uma crítica à postura tuísta” — partes 1 e 2.
(…)
Sua partida representa uma perda inestimável para o fortalecimento de nossos horizontes. Ao mesmo tempo, Vera Cotrim nos deixa como contribuição rica as bases necessárias para pensar nossa realidade de maneira crítica, bem como para concatenar as relações necessárias para uma crítica cotidiana da sociedade burguesa, que, ao fim, aponte para a superação dessa sociedade.
Vera Cotrim, presente!
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SINDCEFETMG – SINDICATO DOS DOCENTES DO CEFET-MG[viii]
É com grande pesar que informamos o falecimento da nossa querida amiga, colega e companheira de lutas Vera Cotrim, do Departamento de Ciências Sociais e Filosofia do CEFET-MG.
Professora muito querida por todas as suas turmas, reconhecida por sua dedicação e competência, Vera cresceu em meio a um círculo de intelectuais orgânicos da classe trabalhadora brasileira em São Paulo, adquirindo sólida formação humanista e marxista. Doutora em história econômica pela USP, dedicou também seus estudos às questões de gênero. Ela deixa uma obra de elucidação das tendências atuais do capitalismo, especialmente quanto ao papel da produção capitalista da ciência, do trabalho intelectual assalariado e da propriedade intelectual para o aumento da produtividade do trabalho. Seu trabalho intelectual era expressão de seu compromisso com a luta pela emancipação da classe trabalhadora, sua solidariedade aos povos em luta (em especial à causa palestina) e a defesa da educação pública de qualidade.
Os mais próximos guardarão nos corações seu sorriso contagiante e afetuoso, o humor afiado, o amor pela cultura e o canto doce de sua voz. Aos familiares e amigos, em especial a Ana, Lia, Theo, Raul e Pedro, nossos mais respeitosos sentimentos.
Companheira Vera, presente!
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Do Theo
Na minha mãe eu vejo o que fez os mares e montanhas
Ou as melhores noites que caminham junto ao riso
Ela vê o mundo do jeito que todos deveriam
E é céu composto de chão e cicatrizes
Minha mamãe oxum
Com seu jeito de orixá
Me blindou com sua sensibilidade
E me entregou algumas de suas armas
O amor que ainda não sei ler
E a inteligência que não aprendi a usar
Minha mamãe orixá
Com seu jeito de ogum
Só pediu pra eu almoçar
Me sinto tão pequeno quando te vejo
E as vezes tão cheio de desespero
Que esqueço de dar forma e sentido ao tempo
Pra mim foi você que criou o tempo
E tudo de bom
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Da Lia
quando o cometa halley passou pela terra em 1986 minha mãe tinha oito anos. eu lembro dela me contar disso, de ter visto ele passar.
a próxima vez que halley passará pela terra será em 2061. minha mãe teria 83 anos, e eu – se tudo der certo – vou ter 62.
é algo que eu gostaria de ter tido a chance de viver com ela e ao mesmo tempo percebo que estar vivo é isso: sujeitar-se sempre à morte.
aquela coisa que ninguém sabe quando ou como vai acontecer, mesmo sabendo de que a única certeza que se pode ter nessa vida é de que vai acontecer, independente das circunstâncias.
dá medo. mas depois que você já viu acontecer bastante, principalmente com pessoas muito próximas ou que se foram muito cedo, tudo se ressignifica.
achei uma foto da minha mãe e da minha vó na praia, sentadas numa mesinha, se olhando e rindo.
é assim que imagino o céu agora.
ninguém nunca vai estar pronto pra isso, nunca conheci ninguém que estivesse.
quando eu era criança, só de pensar na minha mãe morrer eu já chorava instantaneamente. toda vez que eu imaginava a morte da minha mãe era um cenário de achar que eu ia morrer junto, que ia ser uma dor tão grande que eu não ia conseguir suportar.
a dor é exatamente essa, não errei nem por um milímetro, mas eu estava errada ao que diz respeito a morrer junto, pelo contrário, isso só me mostrou o quanto eu quero viver.
faz vinte e seis anos que saí do útero, mas sempre me pareceu que a gente não tinha separação nenhuma: minha mãe é tanto uma extensão minha quanto eu sou dela, por isso ela continua – nem que seja só em mim.
minha mãe me deu a base pra que eu pudesse ser quem eu sou hoje e enfrentar isso, minha mãe é a grande responsável pelo meu jeito de ser e de ver o mundo, minha mãe é a maior fonte de encantamento e amor que eu já vi.
a previsão para a próxima visita do cometa halley em 2061 cai no dia 28 de julho e eu sei que eu vou estar lá, esse é o sonho, e por alguma razão que vem do fundo dos meus ossos eu sei que ela vai estar lá também.
até lá, mama
***
Do aluno e orientando do CEFET_MG Gabriel Santos
Ela perguntava o porquê de eu ter tanta pressa de ler os livros. Eu dizia que era porque um dia eu teria que aprender a ler Marx sozinho. Ela ria, e dizia que a gente tinha todo o tempo do mundo, e logo lembrava que mesmo depois do doutorado, ainda tirava dúvidas com a Lívia.
Ontem, pela primeira vez em 4 anos, eu realmente senti que estava lendo sozinho. Sensação estranha, desconhecida.
Às quartas, tomávamos café, sempre depois dos laboratórios, que eu odiava. Falávamos da pesquisa, das fofocas da semana e da política cotidiana. As garçonetes perguntavam se Vera era minha mãe, e ela dizia: “sou sua mãe filosófica e ele é meu filho filosófico”, e eu ria tímido. Vera, assim como Lívia, era mãe da tribo: rompia com as velhas classificações da família burguesa. Ela dizia que éramos da mesma gens.
Como seu aluno, andava sempre com ela pelos corredores, normalmente com um caderno ou um livro na mão, ao modo peripatético. E ela alertava: um intelectual não faz revolução! E nisso, batia em nomes da esquerda, muitas vezes considerados sagrados. Advogava a importância do proletariado; contra as chamadas mercadorias imateriais. “Os filósofos envelhecem. Marx, torna-se sempre mais jovem”, dizia.
Vera foi muito mais do que minha professora: foi amiga nas horas difíceis e nas fáceis; companhia das ligações intermináveis; dona dos áudios de 30 minutos. Ensinou-me não apenas a Filosofia, mas também quem eu gostaria de ser. Ela era extremamente rigorosa, o que não a impedia de ser tão amada e esperançosa: dizia acreditar em todos os alunos, até “os mais fascistinhas”.
Falava de uma revolução realmente radical, cuja pretensão era a emancipação humana. Pensava a superação da Família, da Propriedade Privada e do Estado. O ideal da Revolução Soviética, como dizia, ainda era o seu, o que não a impedia de fazer severas críticas ao stalinismo e à traição burocrática.
Gostava de Blackbird (odiava a versão do Haddad), gostava de café e de gatos. E eu gostava dela, assim como um filho gosta de uma mãe. As pessoas ainda me apresentam como “Gabriel, o orientando da Vera” ou “esse aqui é o Gabriel, da Vera”.
Sempre que eu choro, você dá um jeito de aparecer. Onde está você?
***
De Júlio, filho de Marcelo Zelic, para Lia, filha de Vera Cotrim
Breve carta de um amigo que perdeu o pai[ix]
Querida Lia,
vejo sua mãe nas páginas do MST,
assim como vi meu pai, já no dia seguinte, no olho do furacão.
As bonitas homenagens dão força à luta constante, fruto do dia a dia.
Eu fiquei chapado quando aconteceu essa coisa,
CARALHO, essa coisa que é perder um progenitor.
Pensei tanto que podia ser depois, pensei tanto que quase explodi.
Mas foi sentindo que percebi que nunca estaria preparado. A vida dá dessas né, que merda.
Novas raízes circundam o vazio (que como todo vazio: é relativo), tal qual nas urnas funerárias plantadas dentro de árvores milenares por indígenas amazônicos. Essas raízes crescem em seu umbigo e de seus irmãos, e nos umbigos de tanta gente que talvez você sequer conheça.
Vera presente, dizem os companheiros.
Um professor querido me disse sobre sua mãe: “Era foooooooooda. Companheira de luta. Marxista rigorosa.”
Pouco sei sobre ela, vi apenas aquele dia no bar, festejando sua poesia, acendendo seu fogo de banana brava, um vestígio de transformação. Sei que muito de ti vem dela, já te vi falando com muito amor, isso não vai embora nunca.
Os próximos tempos serão intensos, como todos os tempos hão de ser, mas dessa vez mais. Talvez o chão pareça eternamente ruindo, não sei, só seus processos podem dizer. Mas lhe desejo força, dia após dia, como os marxistas fazem: a poesia do cotidiano. Cercar-se de quem te faz bem, fazer bem a quem te cerca, pois “pessoas queridas assim não se vão, mas têm a magia de se transformarem em memórias. Primeiro, tristes, depois, as mesmas memórias, serão as melhores”. O resto deixe ao tempo de nossas pernas que, sem pressa, mas com respeito e carinho, caminham nossos mortos pelo mundo dos vivos.
***
Do Dani Gag
Sobre a Vera
Quando éramos pequenos, a Vera cuidou muito da gente. Nos levou para viajar diversas vezes.
Eu guardo no peito muitas lembranças dela, mas uma em especial, do último ano. Fui visitar a Lia, e a Vera estava na cozinha, almoçando. Isso foi durante um dos períodos de relativa melhora, ela estava bem, com aparência ótima, ficamos conversando na mesa da cozinha. Quase nem falamos sobre a doença, ficamos papeando sobre amores, sobre a faculdade, falamos sobre conhecidos em comum etc. No final dessa conversa tangenciamos o tema da doença e, embora naquele momento a expectativa fosse de melhora, ela frisou para a Lia algo como “se, por ventura, eu vier a morrer, saiba que eu vivi uma vida muito feliz.”
Esse amor pela vida faz todo sentido no caso dela. Uma comunista de verdade tem que amar muito a vida e as pessoas. No caso da Vera, o comunismo surgia como uma conclusão absolutamente natural e lógica de um amor que vinha de dentro, um genuíno desejo de que o próximo tivesse acesso a condições de vida dignas, para que todas as vidas pudessem ser vividas plenamente
Dizem que coração de mãe sempre tem espaço pra mais um, e nesse caso era verdade mesmo. Essas eram minhas virtudes preferidas da Vera: amor e braços abertos. Ela foi mãe da nossa tribo.
***
De Gui Gag
Cresci num espaço rodeado pelos “adultos”, seres estranhos, grandes, mas legais que tomavam cerveja enquanto me explicavam coisas estranhas. Quando os adultos ficaram do mesmo tamanho que eu e comecei eu a tomar cerveja, segui nos mesmos debates com eles. As máscaras vão caindo ao meu redor enquanto morrem os adultos e me resta a responsa e o amor de cuidar de quem vem e do mundo ao redor.
Mãe da tribo quer dizer isso.
Fiquei muito tocado no funeral da Vera ao ouvir essa expressão. Encaixa nela que nem luva. A Vera tinha a responsa e o amor duma noção de família comunidade.
Com uma térmica de café sempre cheia, ela acolhia quem quer que fosse e sem nenhum tipo de pedantismo, conseguia falar sobre tudo e ensinar um jeito de ver o mundo que é sacar a responsa que o saber tem e o amor que o mundo precisa.
A homenagem à Vera, é manter a tribo de pé, baseada num marxismo quase que anárquico dado a rebeldia e à revelia dela, é perguntar por que, é mandar à merda o estado burguês e a PM, com verdade no coração e não como essa performance tosca moderna; é chamar os moleque em casa pra ler Marx e trocar ideia
é viver
com um puta dum brilho nos olhos
de quem quer queimar coração
e se permitir a maravilha do mundo.
Isso agora é um dever.
***
De Ana
Mana Vrá, minha geminha amada,
Você não imagina pobreza que é a minha vida sem você. Ideias, chistes, ações, melodias, olhares, expressões, grandes ou pequenas, que temos em comum, que nos fazem rir, que nos divertem, que fazem o nosso modo de olhar e entender as coisas, tudo agora existe apenas dentro da minha cabeça. Pra onde foi nossa telepatia? E por isso agora sou eu que tenho um monte de caixinhas de remédio do lado da cama.
A indigência da minha vida eu sinto em cada momento do dia. Vão alguns exemplos pequenos:
Quando estávamos no hospital e as enfermeiras vinham esvaziar os drenos, diziam: “vamos desprezar a diurese”. Desde esse tempo, sempre que uma de nós ia no banheiro, nos olhávamos e dizíamos, vou lá desprezar a diurese. Quando na larica da noite uma de nós se dirigia à geladeira, a outra dizia: search and destroy? Precisamos cagar o coco, significando escrever o texto principal para depois ajeitar. “Aqui faltou o Marcus”, você dizia se referindo ao nosso mouro, ao ler algum texto.
Essas coisas pequenas me fazem tanta falta quanto as grandes. As grandes se referem à nossa interlocução sobre o mundo, a filosofia, a história, a literatura. Antes de você adoecer, eu comecei um projeto de estudo sobre – vejam só – Da presença da ausência, de Mahmoud Darwish.
Mas, desde sempre, meu trabalho só caminha quando converso com você sobre ele. E agora? Vai ser mais um objeto preso na minha cabeça, sem saída? Eu falava, falava e você fazia um comentário, um só, que fazia fluir tudo, organizava o sentido. Sei que pra você eu também fazia isso. Assim aprendemos nós duas o que cada uma estudava.
Vra, como vou fazer agora o trabalho sobre Darwish? Será que algum dia vou conseguir fazer algum trabalho?
É para mim o texto mais complexo que adveio de nossa viagem à Palestina. Que só teve sentido por compartilhar com você.
Como a gente riu, tantos anos depois, do que você chamava de “sua covardia”. Você se identificava com o verso do Pessoa, “Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!”
E contava rindo a sua própria covardia: estávamos em Jericó, atravessando uma rua que era uma rotatória, e vimos, ao longe, uma moto da polícia palestina (bem raro de ver), com dois policiais montados, nos olhando e dirigindo-se a nós. Vieram desacelerando e parando na nossa frente. Ato contínuo, você se colocou atrás de mim. Na verdade, eles vinham rindo, cumprimentando, porque todo estrangeiro na Palestina tende a ser um aliado. Era claro para eles que éramos aliadas. E nos deram as boas-vindas.
Nunca deixou de ser engraçado. “Cara, eu me escondi atrás de você!”
Entretanto, falávamos menos da sua coragem, e da minha covardia. Aqui vai um sólido exemplo. Ao entrevistar o querido Prof. Uri Davis e Myassar, com o intermédio do diplomata da AP, quem teve a coragem de questionar o colaboracionismo indigno da Autoridade Nacional Palestina, a pessoas que, sabíamos, eram seus quadros? Foi você. O diplomata tossia para que aquilo não ficasse gravado. O prof. respondeu dignamente, embora corado. Eu olhava tudo constrangida. Covarde. Pensava, mana, passa pra próxima! Tiveram de responder, porque você insistiu. A maravilhosa Myassar aproveitou para concordar com seus questionamentos. Que tenso pra mim na hora, que maravilhoso e divertido para sempre. Está gravado.
Tantas outras histórias de valentia eu poderia contar da viagem e da vida. Mas vale mais uma historinha significativa da sua alma aberta e brilho.
Quando visitamos o campo de refugiados de Balata, em Nablus, nosso guia, o querido Rasmi, nos olhava indiferente e mal-humorado. Certamente pensava que éramos europeias pró paz, esse tipo cínico incapaz de superar o sionismo. Uns meninos jogavam bola na rua, logo abaixo. A bola sobrou pro nosso lado, Rasmi deixou passar, e você devolveu num lindo e perfeito passe – que, como você insiste em dizer, aprendeu com o Dioguinho. Ele te olhou admirado e você disse: “Brazilian, man!”.
Daí em diante o tratamento foi outro, sorridente, éramos nós, éramos parte, visitamos as casas de sua família, ouvimos meninas cantando, ouvimos as histórias dos mártires, conhecemos e nos fotografamos com seus sobrinhos gêmeos. Os palestinos são os mais hospitaleiros do mundo para quem quer que engrosse a fileira palestina, da forma que for. Descobrimos isso juntas e nos aproveitamos demais. Vimos tudo, entrevistamos, bebemos, cantamos, tivemos nossa parcela das mil e uma noites, nos engajamos, aprendemos a luta, mudamos.
E chegamos, entre outros estudos que se abriram, a Mahmoud Darwish. Da presença da ausência. Eu jamais imaginaria o sentido pessoal que esse título viria a ganhar para mim.
Você é a presença ausente com a qual tentarei fazer esse e qualquer trabalho. Seguindo o conselho de um amigo, pensar: o que você diria? Que cara você faria diante de um verso? Como você entenderia o choro dele em Túnis? Se encantaria com a criança aprendendo as letras? Riria?
Vivo e viverei com a presença da sua ausência. Morro a cada momento com a ausência da sua presença.
Com o maior amor do mundo da sua
Mana Ana.
***
Da amiga Goreti
Há algumas semanas, Verinha, Aninha e eu estávamos sentadas na cama, olhando a foto da Lívia pendurada na parede… Eu disse: vocês são como minhas filhas, minhas irmãs mais novas, minhas amigas…. Nesse momento, Vera me olhou e disse: “Acho que minha mãe também sentia essa mesma mistura de sentimentos em relação a você”. Sim, com certeza!
Lembro de uma conversa que tive com Verinha há uns dois anos. Falávamos sobre Marx e de muitas coisas que nos afligiam, e comungamos nossa saudade da Lívia, da falta que a nossa grande interlocutora nos fazia, mas o desabafo de Verinha, da filha da minha amiga Lívia, da menina que vi crescer tão humanamente linda, me fez querer acalentá-la, então, eu disse a ela: “Verinha, você e Ana são a expressão mais viva e bela da Lívia!”, ao que ela respondeu: “Obrigada, Gô, esse foi o melhor elogio que recebi na vida!”.
Minha amada Verinha, a bela alma que enriqueceu nossas vidas, você vive em nós, eternamente.
***
De Ivan
Tentei escrever várias vezes sobre a Verinha, mas não conseguia terminar. Agora estou conseguindo, tirando força das lembranças de outros tempos.
Eu e a Livia, minha companheira de mais de 40 anos, nunca imaginamos que teríamos filhas gêmeas. Foi uma surpresa que atingiu com alegria toda a família.
A relação entre elas sempre foi particular. Vale citar que com um ano e meio, quando uma olhava no espelho falava que a figura espelhada era a irmã. E assim seguiram a vida com total identidade, muito embora com grave insistência nas suas evidentes diferenças pessoais, pois repudiavam ser confundidas. Elas só vestiram roupas iguais quando tiveram que usar uniforme na escola. Mantiveram suas distintas personalidades sem, contudo, abandonar seu laço de confidencialidade.
Escrevendo especificamente sobre a Verinha, quero dizer que suas qualidades humanas estiveram sempre presentes em suas atitudes. Sua simplicidade singular, desde a escolha de roupas, etc. mostravam o quanto ela se despojara de qualquer ostentação. A Verinha brilhou em área compatível com sua formação e sensibilidade intelectual, e embora irradiando humanismo e inteligência ela nunca se gabava disso.
Seguiu a vida com firmeza de caráter e dedicação ímpares na formação pessoal e humana de seus filhos. Tivemos contato sempre bem-humorado. Lembro que quando a Lia nasceu, era sua primeira filha, brinquei com ela dizendo que era o produto do meu produto, o que rendeu boas risadas. Seu humor, sempre inteligente dava consistência às relações. Infelizmente tive pouco contato após sua mudança para BH.
Agora restam as boas lembranças, que não se dissiparão pela força humana que sempre marcou sua presença. Eternas saudades.
***
Histórias do tio Marcus e da tia Denise – fragmentos de lembranças tão boas!
aqui vai uma delas:
Não sei se foi dia 7 ou 8 de novembro de 1978. Eu tinha acabado de tirar minha “carta de motorista”. Adorava dirigir e o vô sempre me emprestava o carro dele. Nesse dia eu tinha uma missão especial: buscar minhas recém-nascidas sobrinhas no hospital. Lá fui eu com o opala do meu pai, morrendo de medo de trazer dois bebezinhos tão frágeis. Me lembro da cena: eu dirigindo sozinho na frente e, no banco de trás, a vó Célia com uma no colo e ao lado a Tina [Lívia] com a outra. Quem era quem? Começava ali aquela deliciosa confusão.
mais uma:
Me lembro que a vó Célia ia com frequência buscar vocês no apartamento da Vila Nova para ficar em casa. Em uma dessas vezes eu fui com a vó. Vocês vinham naqueles carrinhos duplos para gêmeas descendo a Dona Veridiana, deveriam ter alguns meses de vida. Não paravam de “falar” um segundo: bla bla bla bla? Ble ble ble ble! Eu e a vó achávamos a maior graça. O vô e a vó adoravam vocês. Mal sabiam eles que, naquela noite de 1978, a Tina estava dando uma das melhores notícias da vida deles.
***
Pelo amigo Maurício Ianês
Tive a honra de conhecer Vera em um ambiente acadêmico, em um grupo de estudos na USP. Discutíamos O Capital de Marx, e nos seus comentários Vera logo demonstrou, de forma modesta, displicente, um profundo conhecimento do texto. Durante uma conversa no intervalo, minha querida amiga Dora comentou seu interesse pelas citações de Shakespeare com que Marx pontuava o texto. Vera sabia exatamente em que página estava escrita cada citação. Surpreendido pelo seu conhecimento, fiquei ainda mais impressionado ao ver a naturalidade com que Vera dialogava com o texto de Marx, fascinado ao perceber que, seguindo as palavras de Marx, Vera interessava-se não só pela investigação teórica, mas também pela aplicação de sua teoria na prática política. A amizade que desenvolvemos a partir dali transbordou o texto de O Capital, e Vera tornou-se uma amiga querida e generosa, sempre pronta a ajudar-me. Não fui apenas eu quem perdeu uma amiga muito amada; o mundo perdeu uma grande aliada na luta por justiça. Mas não perdemos: tenho certeza de que Vera deixou uma marca indelével em todas e todos que dela se aproximaram. Obrigada, Vera. Você transformou o mundo. E ainda que o mundo siga um lugar injusto, nós daremos continuidade à tua luta, em teu nome, com amor. Maurício.
***
Do amigo Gustavo Moreira Alves
Um pensamento (ou espírito) em mim
Quando recebi a notícia o primeiro reflexo foi queda de pressão, quase desmaio. Precisei me sentar. É que veio uma raiva, porque não é justo, mas como assim justo se não acreditamos no além? Acerto de contas com quem? Se tivesse com quem acertar as contas, a Vera era do tipo que estaria neste exato momento acertando todas. Pensamento crítico, sabe como é. Já tinham feito essa patifaria com sua mãe. Como ficariam agora seus filhos, sua irmã gêmea com essas duas perdas? Injusto pra cacete. Senti raiva demais e precisei de um deus pra xingar. Criador babaca, fez a gente pra adoecer, perecer, ver as pessoas que a gente ama partindo em sofrimento. Passada a raiva e pé na concretude, vieram as memórias com a Vera. Muito do que entendo hoje por episódio, em literatura, devo às interpretações dela sobre a unidade narrativa em Os irmãos Karamázov. Sem essa dimensão de coesão mesmo entre enredos paralelos eu não saberia diferenciar de um modo aprimorado o teatro de revista de uma peça de teatro épico. E isso só de conversa informal, pra não falar em livros e textos. A Vera tinha me prometido um bate-papo sobre a divisão social do trabalho, isso num bar ou na beira de uma piscina, tomando uma cerveja. Não deu. Ela que não era da literatura e mesmo assim me ensinou literatura e que tinha tanto ainda a ensinar. Tudo bem, ninguém vai embora no fim, pra quem curte dialética o momento é sempre meio, instante de contradição, a vida da Vera continua em quem ela formou, em quem ela foi e continua sendo uma referência, na família, no trabalho, na luta por revolução. Saudades, com a presença de alguém em mim que é, sempre será, por desfazer divisões sociais, por viver uma vida completa, mesmo com perdas que são gigantescas.
Alguém assim, quando se vai, fica para sempre presente no espírito.
***
Do amigo Sérgio Audi
Difícil para mim falar na Vera nesse momento pois sua partida me gerou uma enorme revolta e um enorme vazio.
Um vazio gigante, pois ainda precisamos muito dela. De sua visão sobre as coisas, que gerava novas perspectivas. De sua capacidade crítica nos ajudando a enfrentar as questões colocadas a cada dia. De sua clareza. De seu amor e generosidade por todos, doando-se às vezes além de suas possibilidades. De sua intensidade emocional. De seu brilho.
É um vazio que sabemos que não vai ser preenchido nunca.
Porém sua memória não se encontra apenas no passado. Seu legado teórico e afetivo é gigante. Impossível deixá-la no passado, pois seus escritos, sua obra, seu testemunho, sua presença afetiva vão sempre nos iluminar. Sua memória nos ajudará a desvendar os caminhos tão difíceis do futuro.
Lembro-me de sua pessoa leve percorrendo os caminhos dos mais difíceis entendimentos e conceitos com simplicidade e desenvoltura, e, ao chegar à conclusão dos mais intrincados raciocínios, dizer: “É isso! Viu como é simples?”
Vera presente! Sempre!
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Do amigo e poeta Guto Leite
os corpos estão animados por um só tempo
por isso me recuso a baixar a cabeça
a desistir
mesmo nas piores terças
mesmo em segundas de quinta
como esta
quando descubro
que minha amiga não está mais
a respirar por aí
por isso me recuso
acima de tudo
me recuso
***
Por Ciro Yoshiyasse, amigo do GMarx
Vera
Raro encontrar uma pessoa inteira
vemos elas mesmo
aos pedaços
numa réstia da luz do sofrer
Numa fome de tudo perdida
num post logo apagado
É raro
Mas não a Vera
Inteira ela era
É evidente
ontologicamente
Quem pensa fora da caixa
vive fora dela
Quem busca a verdade
exercita até se tornar
Vera
Saudades de conversas inteiras
que eu não entedia a metade
de gente fazendo história fora da aula
sem medo ou pudor
sem patriarcado
Inteira
Vermelha
Vera
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Da amiga Deise Ferraz
Mulher de riso largo
de abraço apertado
de cabelos cacheados
de intelecto apreciado
Mulher de voz macia
de canto afinado
de grande empatia
Mulher de olhar cativante
de visão acurada
de visada delicada
de análises precisas
de fazer militante
Mulher totalidade
Arte, ciência, filosofia…
Filosofia, ciência, arte…
belezas histórias que a constituíam
Sabedoria que distribuía
Mulher que ensinava
Mulher que revolucionava
Quem viu…
verás que essa Mulher é de se admirar!
___
Obrigada por ter me ensinado tanto.
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Do amigo Paulo Bandouk
Vera vai estar sempre presente. Em cada conversa, sorriso, abraço, mas principalmente na alegria de encontrá-la! E são raras, muito raras, as pessoas nesse mundo que te fazem sentir bem, feliz, que te marcam, que fazem você sentir a essência humana. Vera era uma delas!
Estar com Vera e sua mana Ana tomando umas brejas no boteco, conversando e cantarolando! Ouvi-la cantar era um prazer! Uma voz linda que pude dividir em canções com sua mana Ana em momentos de grande alegria! Mas também me sentia bem, feliz por termos afinidades políticas, ideológicas: a compreensão dessa ideologia perversa liberal que mata e aliena. É óbvio que diante da envergadura intelectual de Vera eu só tinha a ouvir, aprender!
Querida Vera. Pra sempre no meu coração!

Com o amigo Theo, aos 17 anos.

Com Edu Lorde, há alguns anos.

Com o livro sobre o querido Dioguinho, o primeiro namorado, que também brilhou e partiu precocemente.

Com Prof. Uri Davis, em sua casa em Ramala, 2016.

Com nossa mãe Lívia, há vários anos.
[i] https://mst.org.br/2025/10/07/nossa-despedida-para-quem-semeou-girassois/
[ii] https://blogdaboitempo.com.br/2025/10/10/sobre-vera/
[iii] https://mst.org.br/2025/10/07/enff-e-mst-se-despedem-da-companheira-professora-vera-cotrim/
[iv] https://www.instagram.com/p/DPePbdljmBy/
[v] https://blogdaboitempo.com.br/2025/10/06/vera-cotrim-presente/
[vi] https://www.instagram.com/p/DPegaZekSti/
[vii] https://www.revistabarravento.com.br/post/vera-cotrim-presente
[viii] https://www.instagram.com/p/DPeFcPOE__C/
[ix] Esta carta foi editada a fim de manter as dimensões apropriadas à publicação.
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