30 de outubro

Imagem: Ekaterina Bolovtsova
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Por GILBERTO NEVES*

A eleição de nossas vidas exige engajamento total

Guardadas as proporções e os sinais ideológicos distintos, a base social bolsonarista-raiz possui hoje o “ímpeto militante” que o petismo possuía na década de 1980. A criação do PT como partido de novo tipo (de massas e de base) nos estertores do combalido Regime Militar que convergiu para as Diretas-Já e a Assembleia Constituinte criou um discurso inovador, potente e mobilizador. Militava-se por ideal, não por votos. Isso levou muita gente a assumir a política como abnegação militante. Nosso discurso era portador da esperança com o fim da ditadura (futuro). O petismo possuía moral arrebatadora.

A chegada do PT ao poder criando a lógica da governabilidade e depois as crises do mensalão e da Lava Jato, com a criminalização do PT, erodiu nossa moral. Teceu-se a química do antipetismo. Envelhecemos, houve pouca renovação geracional.

Nesse ínterim a extrema direita surgiu capturando as bases da direita com um discurso moralista, retrógrado e negacionista contra o “comunismo” (qualquer ideia de justiça social). Em essência, autoritário. Coincidiu com a ascensão da extrema direita no mundo, e isso trouxe motivação e engajamento ao bolsonarismo. Na sua ótica neofascista, eles sentiram-se em condições de destruir os valores da esquerda/progressista. Sentem que podem nos derrotar eleitoralmente, e também aniquilar nossa sobrevivência como força política relevante. É isso que os anima e engaja milhões em escala gigante. Para eles, está em jogo que tipo de pais será o Brasil no próximo período (futuro).

Do nosso lado caímos numa postura reativa e defensiva. Vivemos do “nosso legado” de governo (passado). Que sociedade queremos? Não temos ideal. Dependemos da força pessoal do Lula para salvar a democracia. Carecemos hoje de um projeto engajador como o do PT anos 1980. Muitos andam cheios de medo, acomodados e presos às pesquisas de opinião.

Carecemos de coerência e de maior consequência quando afirmamos que esta é a “eleição de nossas vidas “. Agimos como eleitores, não como militantes de uma causa maior. Embora cumpra função importante, não é suficiente ficarmos ligados às bolhas de whatsapp. Observo muita gente nos grupos virtuais com análises e debates, mas pouca atuação prática nas ruas. São sempre os mesmos enquanto a tropa bolsonarista aos milhares veste verde amarelo, adesiva o carro, pressiona seus funcionários e nos intimida.

Precisamos entrar na campanha Lula aos milhões todos os dias o tempo todo. Se não temos um projeto ideal, façamos valer a resistência ao neofascismo com força coletiva. Conversar com as pessoas, ir às atividades, virar votos. Denunciar e enfrentar o inimigo. Entender que não é mais só votar e ir para casa. Temos que ganhar eleições virando votos, apoiando nosso eleitor. Depois virá a batalha pela posse.

Mais difícil será governar na atual correlação desigual de forças. Se ganharmos sofreremos oposição encarniçada, boicotes e sabotagens. Não será fácil, e sem mobilização popular nada vai acontecer com alianças conservadoras.  Nossa vitória eleitoral será o início de um novo período duro e tenso. Todos nós somos chamados a atuar sob a liderança de Lula. Mas precisamos vencer as eleições. Isso significa engajar, ocupar território e mostrar nossa força nas atividades de ruas e com nosso visual vermelho e branco no dia da eleição.

Se cada um virar votos, manter votos e atuar sem temor, o nosso eleitorado sentirá respaldo e confiança. À luta, companheiros (as)!!! Unidos, Venceremos!!!

*Gilberto Neves é advogado e professor. Ex-vereador e ex-Secretário Municipal de Cultura de Uberlândia.

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