50 anos do golpe no Chile

Charlie Millar, Pintura Vermelha
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Por RONALDO TAMBERLINI PAGOTTO*

Apresentação do livro recém-publicado

Yo pisaré las calles nuevamente \ De lo que fue Santiago ensangrentada \ Y en una hermosa plaza liberada \ Me detendré a llorar por los ausentes \ Yo vendré del desierto calcinante \ Y saldré de los bosques y los lagos \ Y evocaré en un cerro de Santiago \ A mis hermanos que murieron antes \ Yo unido al que hizo mucho y poco \ Al que quiere la patria liberada \ Dispararé las primeras balas \ Más temprano que tarde sin reposo \ Retornarán los libros, las canciones \ Que quemaron las manos asesinas \ Renacerá mi pueblo de su ruina \ Y pagarán su culpa los traidores” (Pablo Milanés, Yo Pisaré Las Calles Nuevamente).

Terça-feira, 11 de setembro de 1973, data prevista para um plebiscito convocado pelo Presidente Salvador Allende em resposta a escalada golpista em ponto de ebulição. A situação estava dramática, por um fio, e as forças políticas organizadas na Unidade Popular (UP) buscavam uma saída política, social e militar para derrotar a escalada golpista. Um golpe anunciado desde a vitória eleitoral e durante todo o governo. Naquela manhã as forças armadas saíram da caserna e atacaram a democracia e o povo chileno.

As imagens dos ataques ao Palácio La Moneda (Presidencial), percorreram o mundo. O presidente foi morto, as ruas da capital e das principais cidades foram varridas em uma caça perpetrada pelas forças armadas e setores da direita com a ordem de prender, torturar, desaparecer e executar. O golpe não poupou esforços e entregou o poder para uma junta militar, que imediatamente foi reconhecida e apoiada internacionalmente pelos EUA e países alinhados.

Antes de ser consumado o golpe em setembro de 1973 o que se viu foi uma campanha de boicotes, bloqueios, sabotagens, terrorismo e todo tipo de conspiração. Tudo sob acompanhamento e apoio dos EUA, cujo presidente Richard Nixon em uma reunião na Casa Branca em setembro de 1970 bradou para Henry Kissinger, poderoso secretário de Estado, conforme anotações do diretor da CIA, Richard Helms, que a eleição de Allende seria inaceitável e lançou a famosa frase: “Faremos a economia do Chile berrar por socorro”, como registrou Richard Helms em um documento pessoal posteriormente revelado.

E após o golpe e o que se aplicou no Chile foi um conjunto de propostas econômicas nascidas nos países centrais para supostamente solucionar os problemas dos países da periferia do mundo. A proposta de um liberalismo inédito e violento seria adotada pelos golpistas. Seria ali o laboratório do neoliberalismo radical de liberais engravatados e de fala empolada, mas aplicados sob mão de ferro conjugando violência de Estado com o desmonte das economias locais. Todos sabemos o que fizeram no Chile com essa cartilha sustentada por uma ditadura militar desavergonhada.

A democracia e a luta popular foram asfixiadas, as forças políticas progressistas e democratas lançadas na ilegalidade e o povo pagou o duro preço de uma ditadura dirigida pelos militares sob coordenação dos setores oligárquicos orientados com as diretrizes de Washington. E a cartilha neoliberal conduzida pelo Milton Friedman e seus Chicago boys.

A ação golpista daquele 11 de setembro fora demonstrada antes em ensaios ou tentativas frustradas, e não longe dali realizados em diversos países da América Latina e Caribenha. Passados 50 anos desde aqueles dias intensos e duros muito já se produziu de balanços, avaliações críticas, hipóteses e diferentes abordagens sobre os antecedentes e os momentos terríveis daquela manhã de setembro.

Muito embora muito já se tenha dito, escrito e falado sobre o Golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, que impôs uma derrota profunda nas forças populares do Chile e com consequências duras para toda a região, ainda é preciso estudar e sempre relembrar dos principais elementos presentes nessa história.

A proposta da presente obra é de reunir discursos, textos e reflexões sobre essa rica e intensa experiência de luta, sonhos, conquistas e muita ousadia.

A democracia a serviço das maiorias

A democracia representativa na América Latina e Caribenha foi conquistada com a luta popular, mas sempre serviu como mecanismo legitimador da conversão de minorias sociais em maiorias políticas. Grupos sociais pequenos – como grandes proprietários de terras, industriais, banqueiros etc., detém muita força nas instituições de Estado – Executivo, Legislativo e Judiciário –, claramente assumindo a posição de maiorias políticas, por vezes em hegemonia. O principal mecanismo para garantir esse processo é o papel do poder econômico nas democracias, preponderante para determinar vitórias ou derrotas, as regras restritivas para a participação popular e outros aspectos.

Mas em diversas situações essas mesmas democracias limitadas permitiram que as maiorias sociais – trabalhadores/as, camponeses, pequenos proprietários alcançassem maioria política. Esse processo aparentava subverter a dinâmica “natural” das democracias, que seria de legitimar o domínio político das classes sociais mais poderosas. E a subversão da democracia foi atacada e golpeada e os exemplos são abundantes, merecendo destaque sempre a Guatemala de Jacobo Arbenz do final dos anos 1940; Getúlio, que foi para o sacrifício para conter um golpe; a execução do candidato favorito Jorge E Gaitan na Colômbia em 1948, o golpe em Cuba (1952), Argentina com sucessivos golpes de estado; América Central, Venezuela, Peru, Equador e muitos outros que conseguiram disputar por dentro do sistema da democracia.

O Chile apresentava uma “via chilena” para o Socialismo justamente conjugando luta social com a luta institucional. Sucessivas derrotas do próprio Allende como candidato até a vitória em 1970, com uma importância estratégica: a democracia disputada pelo povo em luta poderia resultar em um campo de luta estratégico e de vitórias.

Novamente recorremos ao Secretário de Estado Henry Kissinger, que foi pedagógico sobre a ameaça da via chilena para o socialismo: “Acredito firmemente que esta linha é importante no que diz respeito a seu efeito nas pessoas do mundo”, disse Nixon a Kissinger em uma conversa telefônica em novembro de 1970, segundo os papéis divulgados pela primeira vez pelo Arquivo de Segurança Nacional. E foi respondido pelo presidente: “Se [Allende] puder demonstrar que pode estabelecer uma política marxista antiamericana, outros farão o mesmo”, afirmou o presidente americano. Kissinger concordou: “Terá efeito inclusive na Europa. Não só na América Latina”.

Em outro trecho ainda mais didático do então Secretário de Estado: “O exemplo de um bem-sucedido Governo marxista eleito no Chile certamente teria um impacto em – e até mesmo um valor como precedente para – outras partes do mundo, principalmente na Itália. A propagação imitativa de fenômenos similares em outros lugares, por sua vez, afetaria significativamente o equilíbrio mundial e nossa própria posição nele”.[i]

Na América Latina o governo Allende foi a experiência mais ousada e por assim dizer radical da disputa por dentro e por fora dos instrumentos legais da democracia. Foi capaz de tensionar a legalidade para os setores habitualmente subalternos tivessem voz – e vez. Foi vitorioso e desde a vitória combinou a ação dentro da institucionalidade com a ação de massas, a força viva da sociedade, pulsante, ativa e tenaz. Uma vitória nas urnas, dentro de um sistema que historicamente serviu como terreno de hegemonia das frações das classes dominantes minoritárias, seguido de um processo de mobilização permanente e governando com uma base social de massas com capilaridade, criatividade, capacidade de pressão e de tomar as ruas do Chile. Uma vivacidade incrível cobria o território com cantos, palavras de ordem, greves, paralisações e ação popular e de trabalhadores organizados/as. A vida pulsava em ritmo frenético.

Assim a questão foi abordada pela chilena Marta Harnecker: “A vitória de Salvador Allende apresentou às forças de oposição a seguinte alternativa: ou respeitava a maioria simples, como tradicionalmente se fazia no Chile, ou era impedir, por qualquer meio, que o candidato marxista assumisse o governo. Este último foi o saída que as forças mais conservadoras tentaram colocar em prática.”[ii]

O processo eleitoral de 04 de setembro de 1970 resultou em uma maioria da Unidade Popular (UP), que obteve 36,6% dos votos, mas menos de um ano depois, em abril de 1971 nas eleições municipais as candidaturas da Unidade Popular obtiveram mais de 50% dos votos. Um crescimento importante, festejado pela esquerda e temido pela direita. O sinal de alerta já havia se tornado um ultimato para os golpistas: ou derrotam essa experiência ou assistiriam o Chile abrir caminho para a luta socialista por dentro da democracia liberal.

Salvador Allende foi um dos arquitetos das vitórias (1970 e 1971) tendo como destaque também a capacidade de construção de unidade dentre os setores progressistas e em forjar alianças políticas com setores centristas, mesmo sob forte tensão e pressão dos setores da direita golpista para dividir a Unidade Popular e também do governo os setores de fora do arco progressista da UP.

Nesse processo como vimos o Imperialismo não deu tréguas. Grupos da CIA, sob comando do Presidente, Secretário de Estado e dirigente da Cia, atuaram desde antes das eleições, mas de modo mais intenso após a vitória, para desestabilizar o governo e a alternativa chilena. Uma multiplicidade de esforços: doutrinação de militares na Estola das Américas; financiamento de grupos de oposição; presença de militares dos EUA em diversos setores das Forças Armadas e da Polícia Nacional (Carabineiros); no financiamento de grupos de sindicatos patronais; nas tensões internacionais com o Chile (boicotes, ações para atacar setores econômicos ligados ao mercado internacional, etc); no financiamento de lockouts (greves patronais) etc. E orientando e financiando toda a oposição diretamente pela Embaixada dos EUA. Não houve um dia de calmaria.

O método é o que já se conhece em toda América Latina e Caribenha: desestabilização econômica, política e social; financiamentos; guerra ideológica – centralmente com o discurso anticomunista, defensor dos costumes e religiosidade e intervenção nas Forças Armadas. O governo enfrentando uma batalha épica para construir saídas populares para os graves problemas do povo e os inimigos de sempre deram a tônica daquela rica e intensa experiência.

Os setores populares, a esquerda organizada, os partidos da Unidade Popular etc. não pouparam esforços para enfrentar a crise de duas dimensões complementares: a crise de um país dependente e centrado na exportação e a crise causada pela ação golpista via boicotes, sabotagens, bloqueios provocados pelos EUA.

O grande “pecado”, “crime” ou atrevimento dos chilenos foi primeiro em subverter o tradicional terreno confortável para os setores dominantes em um meio para uma vitória política. E aprofundou ao construir um governo unindo a disputa institucional com o povo ocupando as ruas, universidades, escolas, sindicatos, parlamento para lutar por mudanças urgentes e disputar corações e mentes com poesia, música, literatura, teatro, muita capacidade de disputar a hegemonia das ideias, na política e sociedade.

A questão das Forças Armadas

Um tema sempre relevante nos processos de luta, revoluções e contrarrevoluções é o das Forças Armadas. Em grande parte dos processos de contrarrevolução as Forças Armadas jogaram um papel importante para a vitória das forças do terror. Também em algumas experiências e lutas o papel jogado pelas Forças Armadas foi de respeito a Constituição e na contenção de golpes. Infelizmente esse segundo papel jogado pelas Forças Armadas é absolutamente minoritário.

A vitória e a posse da UP foram asseguradas por uma posição das Forças Armadas chilenas lideradas pelo General René Schneider, que em julho de 1970 anunciou a linha mestra: “As forças armadas não são um caminho ao poder político e nem uma alternativa a esse poder. Elas existem para garantir o trabalho regular do sistema político e o uso da força para qualquer finalidade que não para sua defesa constitui alta traição”.

As eleições ocorreram menos de dois meses depois (4 de setembro de 1970) desse discurso e definiu dois nomes para o segundo turno indireto, decidido no Congresso Nacional, realizado em 24 de outubro daquele ano. Dois dias antes dessa votação que definiu a posse do primeiro colocado no voto popular o General Schneider foi baleado em uma tentativa de sequestro orquestrado pela CIA, que forneceu armas e financiou. Tendo resistido à tentativa e ferido na troca de tiros o general morreu em 25 de outubro, um dia após a confirmação. Essa foi talvez o primeiro ato do golpe, antes mesmo da posse.

A doutrina Schneider era uma manifestação de respeito à soberania do povo e de sua vontade expressa no voto. Desde a eleição até o golpe o tema do respeito a decisão popular foi marcada pela forte tensão.

Em 1971, Fidel Castro fez uma viagem para o Chile, percorrendo o país em mais de 20 dias entre reuniões com trabalhadores, estudantes, sindicalistas, lideranças, artistas, partidos e com o governo. A direita ficou em polvorosa. E entre os muitos diálogos o tema foi abordado por Fidel com Allende diante de mais uma crise militar no final do primeiro ano do governo. E teria questionado o presidente chileno sobre a situação das Forças Armadas, recebendo uma resposta destacando a tradição de não intervenção das Forças Armadas, expressa em linhas claras pelo General Schneider do ano anterior, ocasião em que o líder cubano teria feito uma observação certeira de que essa seria uma posição instável e que nos momentos decisivos, como o que se avizinhava, os interesses de classes da qual a hierarquia militar pertencia seriam preponderantes e contra a democracia. E assim se fez.

Lições para o futuro

São muitas as lições desde o já longínquo processo chileno, latino e caribenho para a atualidade. Compreender essa história é o desafio das atuais gerações e impedir que ela se repita é uma das maiores tarefas políticas na América Latina e Caribenha, territórios em que o golpismo está sempre a espreita e conta sempre com o apoio dos EUA.

A formação econômico-social na região tem em comum a herança do colonialismo e escravismo, que influenciam muito para que as classes dominantes dos países da região assumam uma condição subalterna e de integração dependente, sem projetos e nem soberania nacional. Essas classes dominantes colonizadas e escravocratas, sem projeto e sequer preocupadas com a soberania nacional combatem os setores organizados do povo com violência e preventivamente. Projetos democráticos e de reformas nos marcos das reformas históricas das burguesias pelo mundo são tratados como ameaças ao projeto de sujeição e dependência. E combatidos de todas as formas e meios. A região conhece bem o que significa isso: golpes e rupturas institucionais a cada processo de luta dos povos que colocasse em ameaça essa condição de um capitalismo sem projetos, violento e antipopular.

E quanto maior a condição subalterna, associada e dependente desses setores com os EUA e os países centrais, maior a intensidade da reação diante de qualquer aspiração democrática, soberana, de projeto nacional e progressista dos povos. Mais reativas, violentas, preventivas e explicitamente golpistas são as classes dominantes da região.

O projeto neocolonial para a região segue com os mesmos contornos: produção e exportação da mineração, agricultura, pecuária, fonte de energia e trabalho “barato”, combinado com mercado aberto para as grandes transnacionais e compradores de produtos industrializados, de alta tecnologia e que demandam um processo produtivo avançado. Uma sina para os povos do Sul Global que resiste ao tempo, as lutas e tantas mudanças. O neocolonialismo é uma força política, econômica, cultural/ideológica, militar e tecnológica e é o projeto das classes dominantes para a região. Um projeto das minorias e um não projeto para as maiorias.

Um destaque para o significado histórico desse período verdadeiramente épico no Chile foi a capacidade de travar a batalha ideológica, a luta de ideias, a disputa de corações e mentes. Literatura, poesia, música e todos os campos das artes; jornais, panfletos, cartazes, pichações; discursos, shows, atos, agitação e propaganda, uma infinidade de iniciativas, métodos e frentes para levar os debates mais estratégicos para o conjunto da sociedade e mais especificamente para que fossem os debates populares e presentes nos bairros populares, chãos de fábricas, escolas, teatros, praças, igrejas e por todo canto.

A importância estratégica da luta de ideias tratada com centralidade e que foi capaz de envolver milhões nos temas candentes daqueles anos intensos e efervescentes por todo o Chile. Uma onda de ideias politizando a sociedade. O presidente Allende em discursos sempre didáticos, claros, diretos e aplicando a pedagogia popular e de massas. Nesse pequeno livro apresentamos alguns que tiveram grande impacto e força simbólica. Vale observar a precisão dos termos, a força das ideias e da esperança nas mudanças profundas.

A capacidade de disputar a democracia para que ela fosse uma ferramenta das maiorias para as maiorias foi uma das características desses tempos retratados nesse livro. Uma força arrebatadora nas ruas, escolas, fábricas, minas de cobre tomaram o futuro nas mãos e iniciaram a construção de uma sociedade com democracia, liberdade, direitos, soberania e projeto nacional com profundidade e radicalidade. Os chilenos, liderados por Allende, fizeram da esperança uma arma e transformaram o incerto futuro em um campo de disputas em que a força do povo seria a condutora das mudanças.

O golpe interrompeu essa construção. Sabemos o que houve após isso: desaparecimentos, prisões, exílios, mortes e a tortura como método. A resposta foi de destruição e ódio. E deu um recado ao povo: não se atrevam a lutar por seus interesses reais. Mas eles não podem parar a história, não tem projeto para resolver os graves problemas do povo e não matam sonhos com desaparecimentos, mortes, tortura e a mentira. Interrompem, e por isso temem sempre que os fantasmas sonhadores do passado e as forças reais do povo do presente retomem os tantos sonhos interrompidos e avancem na construção da sociedade livre, solidária, fraterna e verdadeiramente democrática. E que bom que tenham pesadelos, que tremam de medo, a história não permite que eles durmam em paz.

Assim nos ensinou Allende, naquela dura manhã: “não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos. […] Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”.

E novamente Pablo Milanes

Un niño jugará en una alameda \Y cantará con sus amigos nuevos \Y ese canto será el canto del suelo”.

Allende vive, hoje e sempre. Em memória de tantos/as lutadores silenciados pela ditadura chilena. Não serão esquecidos/as!

*Ronaldo Tamberlini Pagotto, advogado trabalhista e sindical, educador, é ativista do Movimento Brasil Popular.

Referência


Ronaldo Tamberlini Pagotto (org.). 50 anos do golpe no Chile: não esqueceremos, não se repetirá!. São Paulo, Editora Expressão Popular, 2023.

Notas


[i] Golpe de Estado no Chile: Richard Nixon: “Se houver uma forma de desbancar Allende, é melhor fazer isso” | Internacional | EL PAÍS Brasil (elpais.com)

[ii] https://www.marxists.org/espanol/harnecker/allende.pdf


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