Alívio e esperança

Imagem: João Nitsche
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Por KÁTIA GERAB BAGGIO*

O desprezível precisa pagar por seus inúmeros crimes contra a população brasileira

Que alívio imenso por não termos que ouvir – espero que nunca mais – “presidente Bolsonaro”.

Todos(as) nós recordamos que, em 2018, escrevíamos e gritávamos – nas ruas, praças e janelas – “Ele Não”, para não termos que pronunciar o nome do inominável (com minhas desculpas pela redundância).

Mas não podíamos imaginar, então, que mais de 694 mil pessoas morreriam em decorrência da pandemia de covid-19, segundo dados atualizados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o CONASS. Parte significativa dessas quase 700 mil mortes poderia ter sido evitada, não fosse a negligência do desgoverno federal em relação à pandemia.

Não podíamos saber que a tragédia seria ainda maior, muito maior do que supúnhamos, com a destruição do Estado e de políticas públicas em suas mais diversas dimensões. E mais, com a destruição do Brasil, como tanto já foi dito, escrito e demonstrado. Vivemos (sobrevivemos), nos últimos anos, em tempos sinistros, funestos.

Ainda durante a campanha eleitoral de 2018, pensei: se ele vencer – como era e foi possível –, seremos obrigados(as) a escutar e ler o seu nome (e ver o seu rosto, suas expressões, e ouvir a sua voz) todos os dias, durante um longo tempo. Foram quatro anos de horror, de desespero, de um dos governos mais nefastos e um dos períodos mais deletérios da história brasileira – marcada, como sabemos tão bem, pelo genocídio de populações originárias, pela escravidão e por diversos governos oligárquicos e/ou autoritários.

O inominável não ficou no Brasil para presenciar a posse de seu sucessor. Fugiu para Orlando (Flórida, Estados Unidos), onde talvez se sinta mais confortável e protegido, rodeado por parques fantasiosos e ilusionistas.

Os desprezíveis e canalhas agem assim, bem de acordo com a sua vileza e covardia.

Mas o desprezível precisa pagar por seus inúmeros crimes contra a população brasileira. Talvez ainda consiga ser eleito, novamente, pelo eleitorado de extrema direita do Rio de Janeiro, deputado federal ou senador. O futuro dirá…

De todo modo, a sua ausência do país é um imenso alívio.

*Kátia Gerab Baggio é professora de História das Américas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

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