As ideias precisam circular. Ajude A Terra é Redonda a seguir fazendo isso.

A falácia do discurso neoliberal

Imagem_Elyeser Szturm
Whatsapp
Facebook
Twitter
Instagram
Telegram

A iniciativa privada, regida pelo lucro e pelas determinações do mercado, não cumpre papel central ou relevante para suprir as emergências de milhões de pobres e excluídos, tampouco figuras que ocupam pastas de relevo no governo. Todos sumiram, pois são nulidades que nada têm a contribuir neste momento gravíssimo da história brasileira

Por Kátia Gerab Baggio*

A pandemia de Covid-19 está desmontando, de maneira inclemente — como muitos analistas têm observado —, a falácia do discurso e das políticas econômicas neoliberais, de enxugamento do Estado, e ultraliberais, de defesa do Estado mínimo e privatização de praticamente todos os setores da economia, neste contexto de hiperglobalização dos mercados financeiros.

A iniciativa privada, regida pelo lucro e pelas determinações do mercado, não cumpre papel central ou relevante para suprir as emergências de milhões de pobres e excluídos. Pode fazer ações pontuais, mas a coordenação econômica e as políticas de massa são sempre do Estado, tanto nas situações emergenciais (como pandemias ou desastres, naturais ou não) como nas ações para combater as desigualdades.

Escutei na GloboNews um jornalista afirmar que, com a pandemia, faltava uma voz, no governo federal, que coordenasse as ações sociais. E que essa voz não era a de Onyx Lorenzoni, que tomou posse como ministro da Cidadania no dia 18 de fevereiro de 2020, sucedendo a Osmar Terra.

Alguém sabe o nome do secretário de Desenvolvimento Social, antiga pasta absorvida pelo Ministério da Cidadania?

Entrei, neste dia 1º. de abril, na página da Secretaria de Desenvolvimento Social e não consegui descobrir o nome do secretário(a). Há os nomes dos responsáveis pelas subsecretarias, mas não encontrei o nome do titular da Secretaria.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, criado pelo ex-presidente Lula em janeiro de 2004, teve titulares que realizaram um trabalho importantíssimo no combate à fome, à miséria, à pobreza e às desigualdades sociais, principalmente Patrus Ananias, ministro da pasta de janeiro de 2004 a março de 2010 (governo Lula), e Tereza Campello, de janeiro de 2011 a maio de 2016 (governo Dilma).

Já escutei na GloboNews, nestas semanas de pandemia, referências ao trabalho de Betinho — como era conhecido o sociólogo Herbert de Souza, criador do projeto “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”, fundamental, sem dúvida — e à importância do Bolsa Família, mas nenhuma menção (repito: nenhuma) aos nomes de Lula, Dilma, Patrus ou Tereza Campello (registro que o Bolsa Família é um programa gerido pela pasta de Desenvolvimento Social, hoje Secretaria).

Sabemos, e não esqueceremos, que as corporações de mídia — principalmente a mais poderosa, o Grupo Globo, cujos veículos cumprem, agora, um importantíssimo papel informativo durante a pandemia de Covid-19 — tiveram um papel fundamental no processo de desestabilização da democracia e de demonização do PT como “partido mais corrupto do Brasil”, além do apoio a todas as reformas antissociais dos (des)governos Temer e Bolsonaro: EC 95 (teto de gastos), (contra)reforma trabalhista e (contra)reforma da Previdência, que iriam “salvar a economia brasileira”, lembram-se?

Agora, diante da tragédia mundial da Covid-19, todos os jornalistas e economistas, praticamente sem exceção, apelam ao Estado.

Onde estão figuras como Salim Mattar, titular da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia?

Ou Abraham Weintraub, “ministro” da Educação que deveria estar nas coletivas do governo federal, mas que praticamente desapareceu, desde que a pandemia começou a se espalhar pelo país e se tornou um problema gigantesco e absolutamente urgente?

E o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, por que não participa das coletivas?

E Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos?

Sumiram, pois são nulidades que nada têm a contribuir neste momento gravíssimo da história brasileira.

Nós, historiadores, temos esse “vício” de ofício: não esquecer o passado, nem o remoto e nem o recente.

* Kátia Gerab Baggio é historiadora e professora de História das Américas na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

AUTORES

TEMAS

MAIS AUTORES

Lista aleatória de 160 entre mais de 1.900 autores.
Ricardo Antunes Eleonora Albano Fábio Konder Comparato Berenice Bento Everaldo de Oliveira Andrade Claudio Katz Walnice Nogueira Galvão João Adolfo Hansen Rubens Pinto Lyra Marilena Chauí Daniel Afonso da Silva Marcos Silva Juarez Guimarães Ronaldo Tadeu de Souza Leonardo Avritzer Benicio Viero Schmidt Leonardo Sacramento Ricardo Musse Ronald Rocha Tadeu Valadares Luiz Werneck Vianna João Lanari Bo Paulo Fernandes Silveira João Carlos Salles Julian Rodrigues Carlos Tautz José Dirceu Lucas Fiaschetti Estevez Luiz Roberto Alves Bruno Fabricio Alcebino da Silva Alysson Leandro Mascaro Michael Roberts Luiz Marques Igor Felippe Santos André Singer Afrânio Catani José Micaelson Lacerda Morais Caio Bugiato Henri Acselrad Luiz Carlos Bresser-Pereira Jorge Luiz Souto Maior Tarso Genro Remy José Fontana Vanderlei Tenório Boaventura de Sousa Santos Manchetômetro Alexandre Aragão de Albuquerque Carla Teixeira Flávio Aguiar Sandra Bitencourt Fernando Nogueira da Costa Francisco de Oliveira Barros Júnior João Carlos Loebens Antônio Sales Rios Neto Bento Prado Jr. Francisco Pereira de Farias Denilson Cordeiro Elias Jabbour Alexandre de Lima Castro Tranjan Bernardo Ricupero Luis Felipe Miguel Anderson Alves Esteves Slavoj Žižek Airton Paschoa Mário Maestri Valerio Arcary Heraldo Campos Plínio de Arruda Sampaio Jr. Tales Ab'Sáber João Feres Júnior Daniel Brazil Roberto Bueno Celso Frederico Luiz Renato Martins Marilia Pacheco Fiorillo Manuel Domingos Neto Marcelo Módolo Gabriel Cohn Daniel Costa Jorge Branco Marcus Ianoni Mariarosaria Fabris Leonardo Boff Ladislau Dowbor Otaviano Helene Yuri Martins-Fontes Leda Maria Paulani Sergio Amadeu da Silveira Henry Burnett Gilberto Maringoni João Sette Whitaker Ferreira Michael Löwy José Machado Moita Neto Atilio A. Boron Armando Boito Eduardo Borges José Geraldo Couto Ari Marcelo Solon Jean Pierre Chauvin Marcos Aurélio da Silva Celso Favaretto Milton Pinheiro Fernão Pessoa Ramos Thomas Piketty Luiz Costa Lima Eugênio Bucci Luiz Bernardo Pericás Vladimir Safatle Vinício Carrilho Martinez Jean Marc Von Der Weid André Márcio Neves Soares Chico Alencar Antonino Infranca Maria Rita Kehl Paulo Capel Narvai Marcelo Guimarães Lima Annateresa Fabris Antonio Martins Osvaldo Coggiola Lorenzo Vitral Paulo Martins Marjorie C. Marona José Raimundo Trindade Gerson Almeida Érico Andrade Priscila Figueiredo Flávio R. Kothe Chico Whitaker Dênis de Moraes Andrew Korybko Valério Arcary Bruno Machado Paulo Sérgio Pinheiro Samuel Kilsztajn Alexandre de Freitas Barbosa Rafael R. Ioris Luciano Nascimento Salem Nasser Ricardo Abramovay Anselm Jappe Ricardo Fabbrini Kátia Gerab Baggio Renato Dagnino Paulo Nogueira Batista Jr Dennis Oliveira Luís Fernando Vitagliano Roberto Noritomi Ronald León Núñez Eleutério F. S. Prado Gilberto Lopes Francisco Fernandes Ladeira Lincoln Secco José Luís Fiori João Paulo Ayub Fonseca Rodrigo de Faria José Costa Júnior Eliziário Andrade Eugênio Trivinho Liszt Vieira Luiz Eduardo Soares

NOVAS PUBLICAÇÕES

Pesquisa detalhada