Irã – crise econômica e manifestações

Khaju Bridge, Isfahan, Província de Isfahan, Iran/ Imagem de Mohammad Nasr
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Por JOÃO SANTIAGO*

Uma rebelião alimentada pela inflação e pelo desespero desafia o regime dos aiatolás em escala inédita, sob o olhar cínico de potências estrangeiras e a sombra de um vazio de poder

Tudo começou com os protestos dos comerciantes do Grande Bazar de Teerã em 28 de dezembro do ano passado diante da desvalorização da moeda nacional, o rian, em relação ao dólar, e a consequente subida da inflação para os 40%. Segundo o jornal Le Monde, desde a primavera passada, o preço do queijo aumentou 140%, o do pão sangak – amplamente utilizado na alimentação iraniana – subiu impressionantes 250%, enquanto o preço do leite subiu 50% em dois meses e o da carne moída 20% em apenas um mês.

A partir de então, uma onda crescente de protestos que já duram duas semanas espalhou-se por todas as 31 províncias do Irã, um fato inédito, e mais de 140 cidades, dentre as mais importantes Teerã, Mashhad, Isfahan, Tabriz, Shiraz.

Todas as imagens recebidas e os vídeos que estão vindo do Irã nas diversas redes sociais (apesar do bloqueio da internet desde a quinta-feira pelo regime) mostram mobilizações radicalizadas nas cidades, com queima de veículos, derrubada de câmeras do regime pelos manifestantes, derrubada de estátuas, como a do ex-oficial e herói nacional Qasem Soleimani, morto pelos Estados Unidos em 2020, bandeiras iranianas sendo queimadas , mulheres queimando os véus em Teerã, jovens queimando outdoors com a fotografia de Ali Khamenei ou queimando fotografias menores com palitos de fósforos nas bocas, além de inúmeras passeatas nas mais diversas províncias e cidades menores.

A ONG HRANA sediada nos Estados Unidos já havia computado até hoje 585 manifestações em 186 cidades diferentes (Liberation online, 12.01.26). Tem-se informações de que no bairro de Naziabad em Teerã, no dia 9 de janeiro, milhares de pessoas tomaram o controle das principais ruas e as forças de segurança fugiram da área. No sábado, 10 de janeiro, uma mesquita foi incendiada na capital Teerã, atingindo um dos símbolos da teocracia no poder. Mas há relatos de que mais de 25 mesquitas tenham sido incendiadas na capital e em outras cidades.

A resposta dos aiatolás

A reação do regime dos aiatolás, através do líder teocrático Ali Khamenei, tem sido a mesma desde a primeira onda de 2009, a “revolução verde”, e da onda das mulheres em 2022 depois do assassinato de Mahsa Amini, pela Polícia Moral: repressão e acusação dos manifestantes de “sabotadores” do regime, agora com o adendo de que são “vândalos” que querem agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Também o poder judiciário da República Islâmica ameaça acusar todos os manifestantes de Mohareb, “travando guerra contra Alá”, o que acarreta a pena de morte. Até neste domingo (11/01/26), segundo o grupo de direitos humanos HRANA, baseado nos Estados Unidos, o número de mortos nos protestos chegou ao número de 500 e as prisões chegam a 10.000, superando o relato da revista Time do dia 10.01.26, baseado em registro de seis hospitais em Teerã, onde 217 pessoas já teriam sido mortas nestas duas semanas de protestos pela Guarda Revolucionária.

Algumas ONGs sediadas no exterior estimam os mortos entre 600 e 6.000, devido os necrotérios e hospitais estarem sobrecarregados. Sem contar que o regime cortou todas as transmissões da internet para que o movimento seja sufocado internamente e não tenha as repercussões mundiais. De nada valeram os apelos do presidente reformista Masoud Pezeshkian para que não se reprimisse os manifestantes e se instaurasse uma negociação com os representantes dos manifestantes.

Organizações de Direitos Humanos como o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede em Nova York, afirmou ter recebido “testemunhos diretos e relatos confiáveis” sobre a morte de centenas de manifestantes nos últimos dias. “Um massacre está ocorrendo no Irã. O mundo precisa agir agora para evitar mais mortes”, alertou a organização. Acrescentou ainda que os hospitais estão “sobrecarregados”, os estoques de sangue estão diminuindo e muitos manifestantes foram alvejados deliberadamente nos olhos por disparos. (Liberation online, 11.01.26, às 13:27h de Paris).

Preocupados com o volume e extensão das manifestações, os aiatolás convocaram marchas e manifestações de apoio ao regime nesta segunda-feira (12/01), para dizer que os que estão destruindo delegacias, mesquitas, incendiando caros, são “sabotadores” a serviço dos Estados Unidos. Pelas imagens divulgadas pelo regime, as únicas permitidas devido ao bloqueio da internet, uma multidão se fez presente nas ruas, mas em nada comparável ao volume das mobilizações revolucionárias contra a ditadura islâmica.

O regime dos aiatolás irá cair?

A depender dos manifestantes e da extensão dos protestos, sim. Diferentemente das duas ondas anteriores, a de 2009, da Revolução Verde, liderado pelo candidato de oposição Hussein Moussavi contra a fraude eleitoral a favor do candidato do regime Mahmoud Ahmadinejad, e a de 2022, que chegou a mobilizar milhares de pessoas em Teerã contra o assassinato da jovem Mahsa Amini pela Polícia Moral iraniana, nessa terceira onda revolucionária a questão chave é a economia, totalmente estrangulada pelas sanções econômicas norte-americanas, que levou o rian, a moeda iraniana ao seu pior nível de desvalorização nos últimos anos.

Nos protestos anteriores, mesmo tendo os seus picos de massa – em 2009, Moussavi mobilizou 1 milhão de iranianos em um único dia no Irã, em 17 de junho, e o Movimento Mulher, Vida e Liberdade de 2022 tendo mobilizado centena e milhares em Teerã e um conjunto de cidades do Curdistão, assim como um dia de greve geral em 18 de setembro, nesses protestos não havia uma “unidade nacional” em torno de Moussavi e de Mahsa Amini, a sociedade iraniana estava dividida em relação a esses aspectos democráticos.

Entretanto, nessa terceira onda, que tem como pano de fundo a crise econômica, sentida muito mais no Irã por conta dos bloqueios e sanções devido ao Programa Nuclear iraniano, estamos vendo uma unidade nacional muito maior contra o regime dos aiatolás, pois tanto os comerciantes, como a classe média e os trabalhadores estão vendo o seu nível de vendas e de vida cair drasticamente.

Desta vez os protestos se expandiram para todas as 31 províncias do Irã, com pico de mobilizações em mais de 100 cidades até agora. O volume de manifestantes nas ruas é tão extenso e permanente que alguns analistas da CNN dizem que o regime perdeu o controle das manifestações. Quando isso acontece, como em todos os processos revolucionários, começa a se abrir uma fissura maior no poder dominante, as massas encontram os espaços para colocar o regime abaixo, abre-se uma crise revolucionária, um vazio de poder. Pode não ser o caso ainda, mas caso o movimento persista essa intensidade e dimensão, é tão certo como o sol nasce todos os dias que virá um vazio de poder no Irã.

Na pergunta feita pelo editorialista do jornal francês Liberation Hamdam Mostafavi, “Apenas mais uma revolta? Ou aquela que, através da soma de todas as queixas em contexto internacional sem precedentes, derrubará o regime que governa o irã há 47 anos?” (Liberation, Editorial, 10.01.26).

O próprio Hamdam Mostafavi aponta três elementos que distinguem essas manifestações de todas as outras precedentes: primeiro, a geografia, pois é um movimento mais vasto e extenso, alcançando cidades e vilarejos que nunca haviam se manifestado antes; segundo, o Bazar, o coração da vida econômica iraniana, a raiva dos comerciantes é um sinal poderoso, a tal ponto que, em 1979 foi o que desencadeou a queda do Xá Reza Phalevi e o estabelecimento da República Islâmica; ver as lojas fechadas em muitas cidades é um caso muito raro.

O historiador turco Ata Shahit também cita o papel do Bazar de Teerã como a principal diferença na onda atual de protestos. Segundo ele, foi a participação dos comerciantes, o fechamento de lojas e as greves que se tornaram o primeiro sinal de que “a sociedade está perdendo a confiança na capacidade do Estado de gerir a economia”, como já havia acontecido na véspera da revolução de 1979 (https://www.trtrussian.com/article)

Em terceiro lugar, e outro fator principal, tem a ver com Donald Trump. As imagens do presidente norte-americano que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro repercutiram até em Teerã, um ditador, assim como o regime dos aiatolás é uma ditadura teocrática. Lembrando que em junho de 2025 os iranianos se uniram com o regime contra os bombardeios de Israel no país e dos Estados Unidos nas instalações nucleares.

Entretanto, agora, com a captura de Nicolás Maduro e o fato de Donald Trump ameaçar os aiatolás de intervenção caso atirem e matem o povo iraniano, dá aos manifestantes uma motivação a mais para continuar nas ruas.

Fato emblemático é a foto aparecida no X deste sábado (10/01) onde a senadora republicana Lindsey Graham, ao lado de Donald Trump, que segura um boné preto nas mãos com a inscrição “Tornar o Irã grande novamente”, pronuncia a seguinte frase: “Ao povo iraniano, seu longo pesadelo está chegando ao fim. Sua bravura e determinação em acabar com sua opressão foram notadas por todos os que amam a liberdade”.

Quem assumirá o poder?

Diferentemente de 1979, quando a revolução derrubou o Xá Reza Pahlavi e colocou no poder os aiatolás do ramo xiita liderados por Khomeini (cinco milhões de pessoas aguardaram a chegada de Khomeini em Teerã em 1º de fevereiro de 1979, vindo do exilio em Paris) ou mesmo da “Revolução Verde” de 2009, que tinha o líder Hussein Moussavi como uma alternativa de poder, dessa vez o povo iraniano não criou uma alternativa de duplo poder, um organismo que tome o poder caso os aiatolás sejam derrubados pelas mobilizações revolucionárias.

Temos visto em algumas manifestações o nome do filho do ex-ditador do Irã, o Xá Reza Pahlavi, ser entoado pelas pessoas – gritos como “Viva o xá” e “Esta é a batalha final! Pahlavi retornará”, “Viva o xá” e “Morte ao ditador”, são ouvidos – e o próprio Reza Pahlavi (tem o mesmo nome do pai) tem convocado os iranianos a fazerem os protestos, como o chamado que fez na quarta-feira passada pelas redes sociais, desde os Estados Unidos.

Desgraçadamente, na falta de uma direção forjada pelo próprio movimento, as massas acabam se apegando a qualquer símbolo, a qualquer referência do passado, como fizeram com Khomeini na revolução islâmica de 1979 ou como tentam fazer agora, com um setor reivindicando que o poder seja passado para Reza Pahlavi. É fato também que uma parte dos manifestantes tem gritado nas ruas “nem ditador nem reis”, repudiando tanto a teocracia xiita quanto a tentativa do filho do Xá de reestabelecer uma monarquia.

Alguns analistas colocam a possibilidade da queda da ditadura islâmica e a implantação de uma ditadura militar a partir da Guarda Revolucionária. Mas, tudo isso dependerá da amplitude e da extensão da mobilização das massas iranianas.

O papel dos imperialismos norte-americano e europeu e de Israel no conflito

É verdade que tanto o imperialismo norte-americano quanto o europeu, assim como Israel, tem um interesse direto na queda do regime dos aiatolás, pois, mesmo sendo um regime linha dura, tem atritos e enfrentamentos diretos com eles (como foi o caso dos bombardeios com mísseis em cidades israelenses durante a guerra dos 12 dias em junho de 2025), seja na questão do controle do petróleo, seja por conta do enriquecimento de urânio através do Programa Nuclear iraniano, que pode levar a construção de uma bomba atômica.

A queda do regime cairia como uma luva para os imperialistas e para Israel. É por isso que Donald Trump declarou em suas redes sociais que está à disposição do povo iraniano pela sua liberdade ou como declarou presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, na tarde de sábado que a Europa apoia “totalmente” os protestos em massa no Irã e condena a “repressão violenta” contra os participantes.

“As ruas de Teerã e cidades ao redor do mundo ecoam com os passos de mulheres e homens iranianos que exigem liberdade. Liberdade de expressão, de reunião, de locomoção e, acima de tudo, de viver livremente. A Europa está totalmente ao lado deles”, afirmou Ursula von der Leyen em uma declaração online. “Condenamos inequivocamente a repressão violenta desses protestos legítimos. Os responsáveis serão lembrados do lado errado da história”, acrescentou. (Liberation, online, 10.01.26).

Também Israel, através de seu Ministro de Relações Exteriores Gideon Saar, declarou neste domingo (11/01/26) que seu país “apoia a luta do povo iraniano pela liberdade” e que “acreditamos que o país merece um futuro melhor. Não temos hostilidade em relação ao povo iraniano. Temos um grande problema […] com o regime […], o principal exportador de terrorismo e radicalismo” (Liberation online, 11.01.26).

Os seja: os imperialismos, tanto o norte-americano quanto o europeu hipocritamente, por conta de seus interesses saem em defesa da “liberdade” do povo iraniano, enquanto dentro dos Estados Unidos reprimem e assassinam imigrantes através da ICE, a polícia da imigração e fora atacam a soberania dos povos, como fez Donald Trump ao sequestrar o Presidente Nicolás Madura e sua esposa Lícia Flores.

Igualmente, o cinismo de Israel e dos sionistas não tem limites quando defende que o povo iraniano tenha “liberdade” e um “futuro melhor”, quando em Gaza já mataram mais de 70 mil palestinos nos últimos dois anos, a maioria mulheres e crianças e tenta matar o povo de fome impedindo a plena entrada de caminhões com mantimentos para saciar a fome do povo palestino.

No tocante à posição da China, como parceiro do Irã em treinamentos militares, temos visto declarações vagas do Ministério das Relações exteriores, através de seu porta-voz, tais como “a China espera que o governo e o povo iranianos consigam superar as dificuldades atuais para manter a estabilidade nacional”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, a jornalistas em Pequim, no dia 05 de janeiro, com uma semana de protestos, e que Pequim “se opõe firmemente à interferência externa nos assuntos internos do Irã” (anadolu ajansi, www.aa.com.tr, Istambul, 05.01.26)

Em relação à Rússia ainda não temos visto um posicionamento direto do governo Putin acerca dos confrontos no Irã, mas a preocupação central de Moscou diante de uma provável queda do regime dos aiatolás é com o fornecimento de armas e drones na Guerra da Ucrânia. Segundo o site RBC-Ukrânia (https://www.rbc.ua/ukr/news), a queda do regime dos aiatolás causaria grandes prejuízos à Rússia na guerra com a Ucrânia, pois o canal de abastecimento de armas e de material militar através do Mar Cáspio desapareceria, assim como a possibilidade de contornar as sanções do Ocidente com a ajuda de Teerã, pois hoje o Irã compra e vende petróleo e combustível da Rússia.

Para onde vai o Irã?

É certo que o regime vai lutar com todas as suas forças para impedir que os manifestantes tomem o poder, invocando inclusive pessoas do antigo regime do Xá para governar. Nas palavras de Khamenei essa disputa pelo poder será muito dura: “Que todos saibam que a República Islâmica chegou ao poder através do sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso.” (BBC online, 09.01.26).

Mas, segundo a jornalista iraniana Masih Alinejad, em entrevista à CNN, o regime iraniano está vivendo o momento “muro de Berlim”, em referência à queda das ditaduras stalinistas no Leste Europeu em 1989, pois neste momento as pessoas estão indo às ruas sem medo porque sentem que não tem mais nada a perder e que este regime não pode ser reformado (infomoney.com.br, 08.10.26). Na verdade, quem estamos vendo nos combates de rua é uma juventude que nasceu sob o signo da revolução islâmica de 1979, e a geração Z, que hoje tem entre 20 e 30 anos; são esses jovens que estão dispostos a qualquer sacrifício para respirarem um regime democrático.

Ou seja, são as massas nas ruas, com seus protestos intermitentes e radicalizados, que darão a última palavra contra o regime xiita dos aiatolás. Depois de 47 anos da ditadura dos aiatolás, é possível que este regime venha abaixo pela força das manifestações que abarcam todas as 31 províncias do Irã e as cidades mais importantes, principalmente Teerã, onde os confrontos noturnos com as forças da repressão se intensificam.

Se, apesar de terem assassinado mais de duzentos manifestantes, as forças repressivas do regime, principalmente a Guarda Revolucionária, tiverem perdido o controle das manifestações, significa, que cedo ou tarde uma parte dos soldados e da própria guarda Revolucionária passe para o lado dos manifestantes. Entretanto, temos que acompanhar os acontecimentos, pois depende da resistência e persistência das massas nas ruas para desgastar e derrubar o regime.

Caso a repressão se intensifique temos a hipótese de que Donald Trump cumpra com o que prometeu e use suas forças de combate para liquidar diretamente o alto escalão da República Islâmica e seu bastião, a Guarda Revolucionária. Ocorre que o Irã não é e Venezuela, como bem afirmou o especialista em política iraniana Jonathan Piron ao jornal Liberation: “Teerã não é Caracas; não fica no litoral. É uma cidade no interior, cercada por montanhas, e, portanto, esse tipo de operação é mais difícil. A última vez que os Estados Unidos tentaram sequestrar pessoas no Irã foi em1980, na Operação Garra de Águia, que foi um completo fiasco para Jimmy Carter. Desde a Guerra dos Doze Dias, sabemos que Israel e os Estados Unidos têm capacidade para atacar o país. Mas qual seria o objetivo, além de perpetuar caos e fortalecer o regime e seus apoiadores remanescentes? Um Irã fraco é muito mais vantajoso para Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Um Irã estável desafiaria a atual liderança de Israel na região” (Liberation online, 10.01.26)

Por enquanto, a opção de Donald Trump é estrangular o regime economicamente, taxando em 25% todos os países que comercializarem com o Irã. O Brasil, por exemplo, exportou para o Irã em 2025 o equivalente a US$ 2,9 bilhões.

Solidariedade ao povo iraniano

Estamos com o povo iraniano na sua luta pela derrubada da ditadura dos aiatolás, prestes a completar meio século e contra toda intervenção das potências imperialistas ou do sionismo (Israel). Condenamos a repressão brutal movida pelo regime contra o povo nas ruas.

Todo apoio ao povo iraniano e sua juventude nesta jornada de luta por um futuro melhor e democrático, como um primeiro passo para uma sociedade igualitária e socialista, visto que um terço dos iranianos estão abaixo da linha de pobreza e sofrem o flagelo do desemprego, que chega a 20% entre os jovens. Assim como denunciamos a hipocrisia dos Estados Unidos e de Israel (os mesmos que bombardearam o Irã em junho de 2025 por conta do seu Programa Nuclear) em prestar solidariedade ao povo iraniano.

Infelizmente, o silêncio cúmplice de dirigentes de massas importantes como Lula, presidente do Brasil e fundador do Partido dos Trabalhadores, de partidos de esquerda stalinistas ou neoestalinistas, tem sido a tônica nestas duas semanas de mobilizações de massa no Irã.

Não vemos a mesma conduta e o mesmo empenho destes dirigentes e partidos como foi feito corretamente com a Venezuela bombardeada e invadida por Donald Trump para sequestrar o presidente maduro e sua esposa Cilia Flores. É hora desses dirigentes, principalmente Lula, Gustavo Petro e as organizações de esquerda na América latina e mundial prestarem toda solidariedade ao povo iraniano na luta mortal para derrubar a ditadura teocrática dos aiatolás.

*João Santiago é professor de sociologia na Universidade Federal do Pará (UFPA).

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