“Lute como quem sonha!”

Whatsapp
Facebook
Twitter
Instagram
Telegram

Por CHICO ALENCAR*

Cartaz estampado na varanda da casa de Boulos, no anoitecer deste domingo

O Brasil que sai das urnas municipais, em análise preliminar dessas inéditas eleições da pandemia, é um país:

1 – com uma população ainda fortemente desencantada com a política (nos dois turnos, abstenção recorde e muito grande percentual de nulos e em branco) e à margem das decisões políticas, embora a antipolítica (que elegeu Bolsonaro) perca força;

2 – com claro declínio da extrema-direita bolsonarista, a grande derrotada em praticamente todas as grandes cidades e capitais (as exceções são Rio Branco e Vitória);

3 – com preponderância da geleia geral partidária, do “centro” fisiológico, de viés social-liberal e conservador e continuísmo burocrático privatista nas administrações;

4 – com uma ânsia de mudança – vide a vitória para Câmaras de candidaturas coletivas e de corte identitário. Vontade emergente combinada, contraditoriamente, com o sentimento de apego à política tradicional, sem “riscos”;

5 – desiludido com o que se vendeu, em 2018, como “novo” – que foi, na prática, a velha política disfarçada;

6 – com um campo progressista, à esquerda, não hegemônico, debilitado mesmo, mas ainda significativo (PSOL, PT, PC do B, PSB, PDT, Rede, PSTU, PCB, que engloba de reformistas capitalistas a revolucionários idealistas, sem base popular organizada). Campo (ainda não consolidado) com forças emergentes em seu interior, como o PSOL.

A conhecida manipulação da direita, nas disputas mais acirradas, apareceu com a enxurrada de fake news das campanhas de Crivella, na compra de votos tucana (com cestas básicas, na cidade de São Paulo), nos ataques machistas e caluniadores do MDB em Porto Alegre, praticados também em Recife (!). Houve pesado uso da máquina pelos prefeitos candidatos à reeleição.

Nesse quadro geral, que carece de exame mais profundo, a dispersão partidária é enorme: as 26 capitais terão prefeitos de 11 partidos diferentes! A maravilhosa vitória de Edmílson/Edílson (Belém) – em frente de esquerda, com nitidez programática – e a grande votação de Boulos/Erundina (SP) e de Manuela/Rosseto (P. Alegre) têm notável importância. Parcela animadora da juventude energizou essas campanhas!

Nossos adversários veem seus cães ferozes enxotados, mas os mantém em suas mansões, e compõem com eles nos Palácios de Brasília. A direita com “punhos de renda” (DEM, PSDB, MDB) recuperou espaço e se articula para 2022. Provou ainda ter capacidade de “sedução” junto a grandes parcelas da população.

Nosso caminho é longo, e pede unidade na luta e construção de plataforma comum para as próximas disputas. Comecemos já, reconhecendo onde temos falhado e as promissoras avenidas que se abrem à mobilização popular.

*Chico Alencar, ex-deputado federal, é vereador recém eleito pelo Psol no Rio de Janeiro.

 

Veja neste link todos artigos de

10 MAIS LIDOS NOS ÚLTIMOS 7 DIAS

__________________
  • O filósofo e o comediantefranklin de matos 08/07/2024 Por BENTO PRADO JR.: Prefácio do livro de Franklin de Matos – uma homenagem dos editores do site ao filósofo e professor da USP, falecido ontem
  • A noite em que a Revolução Francesa morreuater 0406 01/07/2024 Por MARTÍN MARTINELLI: Prefácio do livro de Guadi Calvo
  • O Trabalhismo venceu, mas não é um partido de esquerdamaçã mpodre 07/07/2024 Por KEN LOACH: O líder trabalhista Keir Starmer não é um moderado, não é um centrista, mas sim um político de direita, intransigente e orientado para o livre mercado
  • A Unicamp na hora da verdadecultura artista palestina 13/07/2024 Por FRANCISCO FOOT HARDMAN: No próximo dia 6 de agosto o Conselho Universitário da Unicamp terá de deliberar se susta as atuais relações com uma das instituições empenhadas no massacre em Gaza
  • O balcãohomem caminhando preto e branco 08/07/2024 Por JOÃO CARLOS SALLES: Neoliberalismo na universidade pública
  • Hospitais federais do Rio de JaneiroPaulo Capel Narvai 11/07/2024 Por PAULO CAPEL NARVAI: A descentralização dos Hospitais federais do Rio não deve ser combatida nem saudada, ela é uma necessidade
  • A indenização esquecidamercado de escravos 07/07/2024 Por LEONARDO SACRAMENTO: O capital inicial das famílias da elite foi de escravizados, o grande e escondido capital inicial de quase todos os grandes empresários brasileiros
  • A lição francesaandré kaysel 10/07/2024 Por ANDRÉ KAYSEL: Não há como derrotar a extrema direita sem a esquerda
  • Nordeste — um novo cenáriovermelho ddddddddddd 10/07/2024 Por JOSÉ DIRCEU: O Nordeste passará a ser visto como exemplo para o Brasil, da mesma forma que escolas públicas do Ceará são referência em qualidade de ensino
  • Greve — o curso da verdade e um fragmento do realclarisse gurgel 08/07/2024 Por CLARISSE GURGEL: Toda greve do serviço público, em nosso país, é um fragmento do real do qual outra ideia de Brasil atesta que o trabalho de sua verdade está em curso

PESQUISAR

TEMAS

NOVAS PUBLICAÇÕES