Keynes e o keynesianismo militarista

Imagem: Alvin & Chelsea
image_pdf

Por LORDE ROBERT SKIDELSKY*

O próprio Keynes teria ficado deprimido, mas não surpreso com a facilidade com que o fervor da guerra pode ser alimentado para racionalizar políticas keynesianas que, de outra forma, seriam descartadas

Neste post, chamo atenção para o uso indevido da teoria de Keynes para justificar o rearmamento, algo que denomino de “keynesianismo militarista”. Em outras postagem, chamei atenção para o perigo das guerras imaginárias, não apenas para justificar aumentos nos gastos militares, mas para conduzir guerras reais num processo de escalada. Denomino, por isso, a guerra imaginária contra a Rússia ou a China de cena paranoica.

I

A economia de John Maynard Keynes (1883–1946) foi construída com base em sua filosofia. A economia era o meio para alcançar a vida boa, não para garantir a boa vida. O gênio próprio de Keynes era prático; o seu modo de encarar os acontecimentos de sua época conspiraram para mantê-lo preocupado com os meios para alcançá-la. No entanto, a sua crítica à economia de sua época sempre esteve perpassada por seus compromissos filosóficos e isso é mais evidente no tratamento que deu ao dinheiro.

Na economia da época de Keynes, o dinheiro era visto como um meio que torna a troca mais eficiente; não passa de “mera invenção para facilitar a circulação dos produtos” como escreveu John Stuart Mill. Produz esse resultado por ser uma régua” ou uma vara que mede os preços das mercadorias. Para que se mantenha como uma medida confiável de valor, o valor do dinheiro precisa ser estável. Era função dos banqueiros centrais manter uma relação fixa entre a oferta de papel-moeda e a oferta de ouro. Essa foi a teoria que John Maynard Keynes herdou quando começou a dar aulas sobre economia, em 1909. As pessoas adquirem dinheiro, explicava aos alunos, apenas para se livrarem dele o mais rápido possível.

No entanto, em 1933, ele faria a surpreendente afirmação de que o dinheiro, longe de ser aquela coisa insignificante dos economistas clássicos, desempenha “um papel especial” no drama econômico. É ao mesmo tempo dador de vida e vampiro, bombeador de sangue para a vida econômica e sugador que lhe tira essa vida.

Ao fazer essa afirmação, Keynes ressaltou a distinção entre dinheiro como meio de troca e dinheiro como reserva de valor. A economia padrão de sua época dava muito pouco importância a esse ponto crucial. Como boa parte do consumo ocorre necessariamente de forma “irregular” no tempo, poupar parece ser uma forma de suavizar o consumo ao longo do tempo. Keynes mudou essa teoria. Ele substituiu a função de “reserva de valor” do dinheiro por uma “demanda para guardá-lo” a qual se mostrava independente de qualquer desejo de comprar bens produzidos, presentes ou futuros.

Em The Treatise on Money (1930), Keynes dividiu os fluxos de dinheiro em duas esferas de circulação, a “industrial” e a “financeira”. A primeira mantém “o processo normal de produção corrente, distribuição e troca, permitindo [pagar] os vários fatores de produção, as rendas…”, correspondendo assim à teoria do dinheiro como meio de troca. A novidade apareceu na segunda, ou seja, na circulação financeira, que permite as “transações nas bolsas e no mercado monetário [e] nas atividades especulativas”, pois esta circulação tem pouca ou nenhuma relação com a produção. Ele usou esse esquema para explicar os ciclos econômicos: booms e quedas resultam, em sua nova perspectiva, de mudanças entre as duas esferas de circulação, à medida que a confiança aumenta ou diminui.

O ataque de Keynes à teoria clássica[i] do dinheiro culminou em sua Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro (1936)[ii]. Agora, ele introduziu o conceito de preferência por liquidez na teoria do dinheiro. Pois, as pessoas que o possuem podem preferir manter o seu dinheiro em forma “líquida” em vez de investi-lo em ativos fixos, tais como máquinas e instalações. Ora, foi isso o que se viu claramente na experiência da Grande Depressão, que começou em 1929.

Keynes usou a nova teoria para explicar por que o desemprego dos anos 1930 se manteve alto por tanto tempo. A economia clássica não conseguia dar uma explicação para esse fato, argumentava ele, porque tinha uma teoria errada da taxa de juros. E tinha a teoria errada dos juros porque tinha uma teoria errada do dinheiro.

Na teoria clássica, a taxa de juros é o preço que equilibra a poupança e o investimento. Como as pessoas economizam apenas para investir, a taxa de juros aparece como aquele mecanismo que garante essa igualdade. Se o desejo de economizar cresce mais do que o desejo de investir, as taxas de juros caem, reduzindo as recompensas para poupança, aumentando os ganhos do investimento, fazendo, assim, com que se igualem, sem alterar volume da atividade econômica.

Ora, raciocinou Keynes, o colapso do investimento é simultaneamente uma fuga para a liquidez. Esse salto para fora do processo produtivo dá ao dinheiro um prêmio de liquidez, fazendo com que as taxas de juros subam em vez de caírem — exatamente o oposto do que a teoria ortodoxa acreditava. Isso o levou a propor que se visse a taxa de juros como recompensa por não entesourar, em vez de vê-la como recompensa por poupar. A “poupança excedente” relativamente ao investimento, que causa a queda, será então liquidada não por uma queda na taxa de juros, mas por uma queda na renda nacional, levando ao “equilíbrio de subemprego”. Esse é o argumento essencial de A Teoria Geral.

Toda essa história depende crucialmente da existência de uma incerteza irredutível ao cálculo de probabilidade sobre os eventos futuros. Eis como Keynes explicou esse ponto:

“Por “conhecimento incerto”, deixe-me explicar, não quero dizer apenas distinguir o que é conhecido com certeza do que é apenas provável. O jogo de roleta não está, nesse sentido, sujeito à incerteza… Até o clima é apenas moderadamente incerto. O sentido em que uso o termo é aquele em que a perspectiva de uma guerra europeia é incerta, ou o preço do cobre e a taxa de juros daqui a vinte anos, ou a obsolescência de uma nova invenção, ou a posição dos proprietários privados de riqueza no sistema social em 1970. Nesses casos, não há qualquer base científica para estabelecer uma probabilidade calculável sobre os eventos. Ela é, simplesmente, ignorada.”

É a incerteza que confere o principal papel ao dinheiro no drama econômico. Em condições de mercado nas quais as condições sobre o futuro são pobres, ou seja, são desconhecidas, os investidores dependem da opinião convencional sobre que preços poderão prevalecer. Quando as convenções usuais desmoronam, como periodicamente acontece[iii], mostrando a sua “fragilidade”, o dinheiro foge do investimento e procura o entesouramento. Longe de ser algo insignificante, tal como pensava por Mill, o dinheiro está no controle da ação econômica como forma de lidar com a incerteza. Essa é, em poucas palavras, a teoria econômica do dinheiro de Keynes.

II

Teria Keynes dado um papel importante ao dinheiro se não o tivesse associado a algo intrinsecamente imoral? Provavelmente não. Há uma forte base moral/psicológica na visão de Keynes de que a “demanda por entesourar dinheiro”, longe de ser um ato racional que visa equilibrar o consumo entre bens presentes e bens futuros, tal como retratado pelos economistas em geral, é motivada pela avareza, pelo amor ao poder e ao ouro — tal como o Shylock[iv] de Shakespeare.

O amor pelo dinheiro como doença da alma é simbolizado na lenda do antigo rei Midas da Frígia, cuja ganância por ouro era tão intensa que (pelo menos em algumas versões) morreu de fome. O amor pelo ouro demonstrado por Midas não lhe pareceu, porém, um caso de preferência racional pela liquidez, mas de morbidade psicológica.

A sua natureza paradoxal foi questionada por Aristóteles, quando, no Livro I, capítulo 3 de A política[v], indagou: “é possível até acontecer o absurdo de um homem dispor de dinheiro em abundância e morrer de fome, como o famoso Midas da lenda, que devido à sua insaciável ambição foi levado a fazer uma prece em consequência da qual todos os alimentos a ele servidos se transformavam em ouro”? Aqueles países que permanecem no padrão-ouro, previu Keynes em 1931, “cairão na maldição de Midas”.

Ao se basear na lenda de Midas, Keynes explorou uma tradição profunda no pensamento ocidental que considera o dinheiro estéril, e, portanto, o amor por ele como algo perverso. Ele reconheceu que, no passado, “riscos e perigos de todos os tipos” podem ter desempenhado grande influência em induzir as pessoas a acumular dinheiro.

No entanto, ele ficou intrigado com a persistência dessa propensão na civilização europeia moderna, quando as condições de vida eram muito mais seguras. Foi para explicar esse enigma que ele desenvolveu a ideia de que o “amor pelo dinheiro” era a patologia particular de um tipo de caráter produzido pela civilização judaico-cristã.

A semelhança com a obra A ética Protestante de Max Weber é óbvia. Mas, enquanto Weber retratou o puritano como um empreendedor heroico, Keynes viu no “desejo desproporcional por adquirir e acumular riquezas” um freio para o empreendimento produtivo. Este último vem do mutuário, não do credor: não é a poupança, mas o empreendedor que constrói cidades e drena pântanos.

O prêmio de liquidez exigido pelos detentores de riqueza confere à classe dos credores um poder desproporcional na economia capitalista. Na visão de Keynes, a luta pelo poder entre credores e tomadores, credores e devedores, é o que fornece o enredo econômico da história no capitalismo. Nela se dão os episódios de inflação e deflação, de tal modo que são raros os momentos em que os preços são estáveis e que há equilíbrio entre oferta e demanda.

A defesa feita por Keynes do devedor aparece claramente em seus ataques à usura. Ele apontou que duas reivindicações morais sustentavam as leis medievais contra a usura. A primeira era a visão de que um contrato de dívida é uma espécie de troca injusta, já que o credor quase sempre está numa posição mais forte do que a do tomador do empréstimo. Segundo, as leis da usura refletiam uma hostilidade profunda em relação ao “fazer dinheiro com dinheiro”.

Keynes endossou enfaticamente a crítica ao primeiro princípio: em 1945, ele escreveu que vem a ser “usara extrair do mutuário algum valor adicional ao verdadeiro sacrifício do credor, algo que a necessidade extrema do mutuário torna possível. Na verdade, há aqui o mesmo ponto que apresento na minha teoria da preferência por liquidez”.

O objetivo de todas as reformas econômicas de Keynes era reduzir o poder do credor sobre a vida econômica. A inflação e a deflação, escreveu ele em 1923, são ambas injustas, mas num mundo empobrecido vem a ser “pior provocar desemprego do que decepcionar o rentista”. Ele viu dessa perspectiva o mundo marcado pelo massacre e pela destruição, que fora deixado pela Primeira Guerra Mundial.

O maior problema deste mundo não era a inflação, mas a deflação. Podemos encontrar esse fio em sua defesa do perdão da dívida alemã, em 1919, mas também no propósito de alcançar a “eutanásia do rentista”, em 1936, passando por seus planos sucessivos para evitar o acúmulo de ouro por países credores.

“O ajuste [dos desequilíbrios da conta corrente]”, escreveu ele em 1941, “é obrigatório para o devedor, mas se afigura voluntário para o credor”. A sua proposta da construção de um “centro Internacional de compensação”, vetado pelos americanos em Bretton Woods, foi projetado para tornar muito caro e, em última análise, impossível para os países mais exportadores acumularem excedentes.

Contudo, a atitude de Keynes em relação ao “amor ao dinheiro” se mostra ambígua. Trata-se de uma doença da alma, mas também vem a ser uma “felix culpa”, porque ela é também o motor do crescimento econômico que – pensava – iria libertar a humanidade do fardo do trabalho e, assim, permitiria um retorno ao paraíso. Até que a realização dessa utopia viesse a ser alcançada, escreveu Keynes, devemos fingir que “o belo é vil e o imundo é justo”. Para acelerar a sua chegada, o Estado deveria, por meio de seus próprios programas de investimento, garantir que “o desejo excessivo de riqueza” seja canalizado para investimentos produtivos e não desviado para tesouros especulativos.

III

Ora, o nosso problema econômico contemporâneo pode ser facilmente resumido em algumas frases. Como resultado da extensa desregulamentação do sistema financeiro após o fim dos anos 1970, o dinheiro tomou o controle da economia capitalista mundial. O resultado assim obtido veio a ser muito parecido com o que Keynes previra ao seu tempo: estagnação generalizada pontuada por instabilidade financeira.

O problema da época de Keynes era o desemprego em massa. O problema nas décadas de 1970 e 1980 era a inflação, em parte causada pelos erros dos aplicadores das políticas econômicas keynesianas. Como resultado, o sistema keynesiano de gestão das economias acabou sendo derrubado. Prevenir a inflação, argumentou Nigel Lawson, Chanceler do Tesouro da Grã-Bretanha entre 1983 e 1989, em uma economia desregulada geraria pleno emprego.

Grandes setores das economias ocidentais foram privatizados e desregulamentados nas décadas de 1980 e início dos anos 1990 em nome da liberdade e da eficiência econômica. Isso incluiu a abolição dos controles cambiais e a desregulamentação dos serviços bancários. O dinheiro foi liberado para vagar pelo mundo em busca do maior lucro possível. Como resultado, escapou da jaula em que as economias gerenciadas das décadas de 1950 e 1960 o haviam colocado, ressurgindo como um “grande ditador”.

O colapso bancário de 2008 foi desencadeado pelo colapso da especulação imobiliárias, alimentadas que estavam pelas dívidas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha — como observou Martin Wolf, as autoridades monetárias dos dois países haviam transformado suas populações em “especuladores altamente alavancados em um ativo fixo”.

Desde 2008, os bancos centrais das economias desenvolvidas injetaram US$ 15 trilhões em suas economias comprando a dívida de bancos, agências de crédito e até mesmo governos em colapso. O relaxamento quantitativo (RQ), como ficou conhecido, facilitou a ascensão ao poder de uma nova geração de “oligarcas” fabulosamente ricos: Elon Musk (patrimônio líquido de 500 bilhões), Mark Zuckerberg (220 bilhões), Jeff Bezos (250 bilhões), e assim por diante.

O crescimento econômico vindo supostamente do “gotejamento” para a economia real de tal acumulação de dinheiro deveria permitir o pagamento das dívidas então contraídas. Mas a imenso bombeamento de dinheiro não produziu o crescimento necessário. Uma razão é que uma grande parte da liquidez criada pelo RQ acabou circulando dentro do sistema bancário paralelo, em vez de financiar investimentos produtivos na economia real. A consequência foi o acúmulo de dívida líquida pública e privada, assim como um aumento correspondente no prêmio de liquidez do dinheiro.

Então, é preciso perguntar como os governos podem escapar das armadilhas da dívida? A resposta é tristemente óbvia. John Lanchester escreveu: “Quão pouco dinheiro haja para qualquer outra coisa, sempre há dinheiro suficiente para uma guerra”. O “keynesianismo militar” é uma saída tentadora do impasse econômico, fornecendo uma justificativa geopolítica para déficits e dívidas que seriam rejeitados por motivos econômicos neoliberais.

Como Keynes observou sarcasticamente: “Se a educação de nossos estadistas nos princípios da economia não se tornar melhor, a construção de pirâmides, os terremotos e até as guerras podem servir para aumentar a riqueza”. Como a educação dos políticos contemporâneos regrediu aproximadamente ao ponto em que estava na época de Keynes, o keynesianismo militar oferece agora uma fuga cada vez mais tentadora da estagnação ou algo pior, a combinação de uma economia do pleno emprego com a retórica da segurança nacional [tal como se viu na economia do nacional-socialismo]. Pois, de que valem as tediosas alegações de austeridade fiscal e orçamentos equilibrados contra a urgência da segurança nacional?

Chegamos, assim, a uma conclusão bastante deprimente. A resposta para a pergunta “para onde foi todo o dinheiro” injetado na economia após 2008 mostra que ele foi “principalmente para a economia financeira”. Mas, como é possível tirá-lo de lá agora? Eis a resposta:   desenvolvendo a indústria armamentista em suas formas tradicionais e nas suas novas formas híbridas. Eis que políticas armamentista, que extrapolam os limites postos pela ortodoxia em política econômica, gerarão empregos e crescimento.

O próprio Keynes teria ficado deprimido, mas não surpreso com a facilidade com que o fervor da guerra pode ser alimentado para racionalizar políticas keynesianas que, de outra forma, seriam descartadas. Ele não apoiaria os estados autoritários de hoje, Rússia e China, mas também não teria simpatia por aqueles como Trump que continuamente ameaçam para obter vantagens.

Em um mundo atual que se volta com muita facilidade para a circunscrição de blocos econômicos e políticos antagônicos, a sua crítica aos “projetos e políticas militaristas e imperialistas, sustentados por rivalidades raciais e culturais, por monopólios, restrições e exclusões” é urgentemente apropriada, pois a tecnologia atual da guerra pode destruir não apenas a civilização, mas a própria vida.

Publicado originalmente no blogue do autor no Substack em 23/01/2026.

Tradução: Eleutério F. S. Prado


[i] N. T.: Por economia clássica, Keynes entendia grosso modo o que a tradição reconstruída e apresentada por Alfred Marshall.

[ii] Keynes, John M. – A teoria geral do emprego, do juros e do dinheiro. Abril Cultural, 1984.

[iii] N. T.: Keynes, em geral, não atribui explicitamente o advento dessa situação à queda da taxa de lucro esperada, mas isso fica implícito. O que o diferencia de Marx é que ele não tem uma teoria da queda tendencial da taxa de lucro.

[iv] N. T.: Shylock é um personagem de O mercador de Veneza. Vem a ser um agiota judeu que empresta dinheiro a seu rival cristão, Antônio, sob a fiança da própria carne de Antônio. Quando este, após se ver falido, não consegue pagar o empréstimo, Shylock exige uma libra de sua carne, como vingança por Antônio tê-lo insultado e cuspido anteriormente. 

[v] Aristóteles – A política. Madamu, 2021, p. 38.

Veja todos artigos de

MAIS LIDOS NOS ÚLTIMOS 7 DIAS

1
Para além de Marx, Foucault, Frankfurt
25 Jan 2026 Por JOSÉ CRISÓSTOMO DE SOUZA: Apresentação do autor ao livro recém-publicado
2
O teto de vidro da decolonialidade
29 Jan 2026 Por RAFAEL SOUSA SIQUEIRA: A crítica decolonial, ao essencializar raça e território, acaba por negar as bases materiais do colonialismo, tornando-se uma importação acadêmica que silencia tradições locais de luta
3
A Paris de Rubem Braga
31 Jan 2026 Por AFRÂNIO CATANI: Através de um olhar estrangeiro e singular, Rubem Braga capturou em suas crônicas a alma vibrante da Paris intelectual dos anos 1950, transformando encontros em literatura
4
“Em política, o que parece, é”
30 Jan 2026 Por JEAN MARC VON DER WEID: A esquerda, paralisada pelo seu telhado de vidro, defende instituições suspeitas e perde a chance histórica de desmascarar a corrupção que consagra o poder do dinheiro
5
A ilusão da distopia
27 Jan 2026 Por RICARDO L. C. AMORIM: O novo capitalismo não retorna ao passado bárbaro; ele o supera com uma exploração mais sofisticada, onde a submissão é voluntária e a riqueza se concentra sem necessidade de grilhões visíveis
6
O exemplo de Sorbonne
29 Jan 2026 Por EVERTON FARGONI: A recusa da Sorbonne aos rankings é um ato de insubordinação: nega a redução do conhecimento a métricas e reafirma a universidade como espaço de crítica, não de produtividade alienada
7
Júlio Lancellotti
28 Jan 2026 Por MARCELO SANCHES: A relevância de Padre Júlio está em recolocar a fé no chão concreto da vida, denunciando o cristianismo que serve ao poder e legitima a desigualdade
8
A produção social do atraso
02 Feb 2026 Por FRANCISCO TEIXEIRA: Caio Prado desmonta o etapismo da esquerda ao mostrar que o atraso não é resíduo feudal, mas peça funcional do capitalismo dependente
9
Eleni Varikas (1949-2026)
30 Jan 2026 Por MICHAEL LÖWY: O legado de Eleni Varikas é a heresia crítica: um pensamento que via nos párias do mundo a chave para desmontar as engrenagens da dominação
10
Energia nuclear brasileira
06 Dec 2025 Por ANA LUIZA ROCHA PORTO & FERNANDO MARTINI: Em um momento decisivo, a soberania energética e o destino nacional se encontram na encruzilhada da tecnologia nuclear
11
O sacrifício de Fernando Haddad
02 Feb 2026 Por LUIS FELIPE MIGUEL: Sua trajetória é o retrato de um talento ofuscado pela conjuntura: o político preparado que a era da simplificação brutal condenou ao papel de mártir tático
12
Silvio Meira
29 Jan 2026 Por RENATO DAGNINO: A universidade não será o lugar que questiona a IA enquanto for refém da elite científica que, em nome da neutralidade, há muito capitulou ao capitalismo cognitivo
13
O que Daniel Vorcaro falou na polícia?
31 Jan 2026 Por PAULO GHIRALDELLI: O erro de Vorcaro foi confundir cinismo com realismo: acreditou no Brasil caricato dos derrotistas, não no país sério que o julga e condena
14
Enamed e cretinismo parlamentar estratégico
27 Jan 2026 Por PAULO CAPEL NARVAI: É mais prático e eficaz fechar cursos e colocar um fim na farra da venda de diplomas disfarçada de formação. Mas não é nada fácil fazer isso, pois quem consegue enfrentar congressistas venais?
15
Avaliação e produtivismo na universidade
23 Jan 2026 Por DANICHI HAUSEN MIZOGUCHI: A celebração das notas da CAPES diante do estrangulamento orçamentário revela a contradição obscena de uma universidade que internalizou o produtivismo neoliberal como nova liturgia acadêmica
Veja todos artigos de

PESQUISAR

Pesquisar

TEMAS

NOVAS PUBLICAÇÕES