Leopoldo María Panero

Evgeny Gorokhovsky, Entre o Concreto e o Infinito
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Por ERIVELTO DA ROCHA CARVALHO*

Considerações a respeito da biografia do poeta espanhol redigida por J. Benito Fernández

“Minha vida está toda nos lábios / de alguém que a descreve”.

Republicada com acréscimos no ano retrasado, a biografia de Leopoldo María Panero (1948-2014), escrita pelo jornalista J. Benito Fernández, é uma referência importante não só no que diz respeito à vida e à obra do poeta espanhol, mas também como instigante relato sobre a vida cultural espanhola da segunda metade do século XX, mais especificamente do período anterior à queda do regime franquista (1975) até os anos iniciais do século XXI, tempo em que se opera a transformação do poeta novísimo em um nome consolidado tanto no âmbito da poesia hispânica quanto fora dela.

Dada a amplitude da minuciosa pesquisa de Benito Fernández, as presentes considerações vão se centrar apenas em alguns dos mais destacados aspectos por onde campeiam a vida e a lenda ligada à obra de Leopoldo María Panero, cuja personalidade pública incorpora à perfeição a ideia de maldito, a qual o poeta renegaria inúmeras vezes, o que não impediu que a máscara de louco perigoso e completo desajustado social deixasse de estar apegada ao seu rosto, marcando uma inflexão determinante no que diz respeito à sua voz poética.

Apesar de não estar centrada na análise da obra de Leopoldo María Panero, a biografia de Benito Fernández traz elementos que ajudam a pensá-la. Se não recupera por completo o método biográfico como solução para os estudos literários, sua obra, ao menos, mostra como o estudo da biografia de um poeta pode ser útil para melhor situar o mito literário num contexto histórico mais amplo. Apesar de não salvar o biografismo de suas possíveis ressalvas, El contorno del abismo. Vida y leyenda de Leopoldo María Panero fornece um mapeamento seguro de algumas das obsessões que povoaram a trajetória artística e de vida do poeta asturiano.

Literatura e loucura  

Filho e sobrinho de dois conhecidos poetas, Leopoldo Panero e Juan Panero, respectivamente, e irmão mais novo do premiado poeta Juan Luis Panero, Leopoldo María Panero surge para o mundo literário espanhol depois de publicar um primeiro livro de poemas e ser incluído na famosa antologia de Los nueve novísimos poetas españoles (1970), do renomado filólogo catalão Josep María Castellet.

Antes mesmo de se destacar na antologia de María Castellet, o jovem Leopoldo María Panero já havia passado por duas tentativas de suicídio e pela prisão por posse de drogas. Encarcerado, teve suas primeiras experiências com o que define inicialmente como “paranoia” (um médico cujo o testemunho é recolhido no livro o definirá, posteriormente, como psicopata com “personalidade perfeitamente estudada”), assim como suas primeiras relações homoafetivas com o colega de cela, o também jovem escritor Eduardo Hars Ibarn.

Tinha vinte anos quando da experiência da prisão e, nascido em uma família bem situada (seu pai, morto abruptamente anos antes, foi um destacado colaborador do regime de Franco), resume bem o perfil dos filhos do franquismo que se voltariam contra ele, seja por razões políticas, sociais ou comportamentais.

Com sutileza de detalhes e uma ingente quantidade de informações, Benito Fernández retrata à perfeição o que supôs para o jovem poeta a convivência com a loucura e o rechaço da sociedade, uma das marcas centrais ou talvez “a” marca central da sua experiência poética e vital, que pode ser explicada a partir de diversas variáveis, entre as quais se enquadram a orfandade precoce (que levou sua mãe e irmãos a enfrentarem as agruras da vida sem o onipresente e poderoso homem da casa, figura que havia exercido proeminente papel na política cultural do franquismo nos anos 1950).

Sua própria precocidade como escritor e a convivência, desde muito cedo, com os severos olhares sobre si e sua família, assim como o desmoronamento das ilusões de certa elite espanhola com o regime cinzento de Francisco Franco, que é retratado e potencializado (do ponto de vista de imagem pública) com o filme de Jaime Chávarri, El desencanto (1974), recebendo, ainda, uma espécie de continuação em Después de tantos años (1994), de Ricardo Franco.

Sobretudo no filme de Jaime Chavárri, é latente e marcante a frustração dos personagens com a decadência geral e o entorno moral em ruínas de uma família destroçada no pós-Guerra Civil, cujos estreitos laços de convivência só não são mais fortes que a discórdia entre seus membros, incluindo uma culta mãe hipercuidadora e interventora e um irmão mais novo, Michi Panero, que, ante a sombra dos outros dois irmãos poetas, preferiu assumir o papel de rei das noites da Movida Madrileña e de cronista de programas de televisão. Sendo matéria de cinema, a vida de Leopoldo María Panero é mais ainda matéria para psicanalistas, e isso se deixa ver nos 17 capítulos que compõem El contorno del abismo.

No primeiro prólogo ou introdução do livro de 1999 (primeira edição publicada com o poeta ainda vivo e recolhida na segunda edição), Benito Fernández notava que, apesar da sua experiência manicomial, Leopoldo María Panero levava uma vida ativa, ao menos do ponto de vista civil e econômico. O poeta manteve, durante algum tempo, colunas de jornal e um programa de rádio, assumindo um lugar entre os primeiros leitores da ezquizoanálise deleuziana na Espanha e no movimento antimanicomial dos anos 1990.

Apesar da loucura ou, talvez, mesmo com ela, o biógrafo nota no livro que ele tinha boa memória, documentos, conta no banco e terminou por produzir uma obra extensa com notada presença na vida cultural espanhola da virada do século XX para o século XXI. Se não fosse pouco, Leopoldo María Panero deixou ainda livros póstumos que foram recebidos com interesse, o que justifica a declaração de um dos psiquiatras que o conheceram, no prólogo antes citado, ao se referir ao seu dom de criar como signo de saúde mental.

Uma declaração de outro psiquiatra – Dr. Rafael Inglot – na nova introdução que acompanha também a segunda edição da biografia ressalta que a poesia o salvava de sua doença na medida em que, apesar de fazê-lo sofrer, o humanizava justamente pelo sofrimento. Esses são signos positivos de um projeto literário construído em meio à enfermidade mental, que levou o autor a deambular por mais de uma dúzia de instituições psiquiátricas ao longo de sua vida. Signos positivos diante de um poeta que construiu sua obra a partir da recusa, da autoanálise e da autodestruição como método.

Poesia e morte

“Na minha poesia há demasiados truques que escondem a vida”, diz Leopoldo María Panero num depoimento citado no livro de Benito Fernández. Uma das marcas da sua produção poética, já estudada por críticos como Túa Blesa, é justamente se estruturar formalmente de maneira livre, aberta e, ao mesmo tempo, palimpséstica.

É através dessa capacidade de colar e sobrepor vozes e procedimentos que reside a grande dificuldade e a maior armadilha na hora de escrever a biografia do poeta asturiano. Benito Fernández foge da solução fácil de tentar explicar a poesia de Leopoldo María Panero através de sua vida (ou vice-versa), mas não deixa de pontuar os momentos atravessados por sua escritura, não só através dos livros de poesia que vai publicando ao longo da vida, mas também a partir de seus textos críticos, cartas, entrevistas, colaborações, antologias organizadas e também via suas perversões, termo cunhado pelo escritor para definir seus exercícios tradutórios que são também exercícios poéticos e de alteridade.

Entre suas primeiras traduções, encontra-se a de Lewis Carrol, e não é difícil perceber o parentesco do projeto literário desse Outro que é a personalidade distorcida do escritor nos seus pseudônimos tradutórios com a de outro criador de alteridades que é Fernando Pessoa.

Blake, Pessoa, Carrol, Trakl, Peter Pan, os Rolling Stones, seus pares contemporâneos como Ana María Moix e Perre Gimferrer, todos esses nomes e os dos seus inimigos literários e sociais entram num amálgama conformadora de uma escritura subversiva e irredentista, ao incorporar elementos díspares na procura de uma voz que não se preocupa em se definir claramente nem se conforma com as convenções literárias e morais de seu país e de sua época.

Apesar de não remeter insistentemente a poemas específicos de Leopoldo María Panero ao longo da biografia, Benito Fernández delineia de forma consequente as etapas da formação do poeta e de sua evolução posterior, acrescentando diversos outros elementos, como as cartas que trocou com sua mãe estando na prisão, outros dados e documentos de época, ou mesmo uma extensa lista de anedotas nos depoimentos pessoais indicados nas notas de cada capítulo, complementando, assim, o quadro dado pelo texto da biografia (acrescida de uma bibliografia do poeta e outra geral, uma cuidadosa cronologia, um índice onomástico final e uma série de fotos relativas a diversas circunstâncias da vida do biografado).

Sobre a obra de Leopoldo María Panero propriamente dita, a biografia registra o aparecimento de livros relevantes em seu momento, desde o primeiro, Por el camino de Swann (1968), publicado quando tinha apenas 20 anos, até uma prolífica série de títulos que quase chega a centena, e entre os quais estão Así se fundó Carnaby Street (1970); Teoría (1973); os contos de En lugar del hijo (1976); Narciso en el acorde último de las flautas (1979); Poemas del manicomio de Mondragón (1987); Prueba de vida. Autobiografía de la muerte (2002); as antologias Poesía 1970-1985, Poesía completa (1970-2000) e Poesía completa (2000-2010), as duas últimas com edição de Túa Blesa; também estão aí incluídas suas Traducciones/perversiones (2011), além de outras intervenções e livros de poesia, entre os quais se destacam, também pela quantidade, os escritos em colaboração com o poeta canário Félix J. Caballero, já na fase final de sua vida.

Quieres un padre?

No gracias, nuestros hijos también murieron.

Os versos acima são dois dos poucos – mas significativos – versos recolhidos por Benito Fernández em sua biografia estão, versos iniciais de um poema que configura uma “homenagem” do poeta ao pai desaparecido, por ocasião da realização de ato rememorando os 50 anos de seu falecimento na cidade asturiana onde estão as raízes da família Panero, Astorga. Como já dito, o problema da criação e da autodestruição está entre os lugares mais estimados da poesia de Leopoldo María Panero, o que é apresentado em linhas gerais na sua biografia.

Entre Édipo e Narciso

Trágico e mágico. Leopoldo María Panero era um Édipo que falava de Narciso e vice-versa, como notou antecipadamente Júlia Barrella Vigal (1984). Há algo de hamletiano em sua figura. Daí a dificuldade em dar contornos aos abismos de sua vida, mitologia e escritura. Apesar do metódico e rigoroso levantamento de dados e informações presentes na biografia de Benito Fernández, o mito do poeta rebelde e sua obra se negam a se reduzir ao retrato que se possa fazer dele. É claro que o estudo das suas circunstâncias pessoais auxilia na hora de procurar compreender a relevância de sua figura num contexto mais amplo que não seja o da própria linguagem do poema.

Entretanto, ao terminar de ler biografia tão meticulosamente desenhada, fica ainda a sensação de que, se o que se pretende é ter com a poesia, pode ser mais proveitoso ir direto aos seus livros.

É claro que essa opção está presente desde o início (ou antes dele), mas cabe sempre notar que, por um lado, se o estudo e a crítica de poesia, nascidas da leitura literária, não devem se conformar com o contexto histórico em que um autor produz, por outro lado, tampouco podem esquecer por completo. Hoje isso parece ser ponto medianamente aceito (a não ser para os exclusivistas da forma, do real ou do vazio, desconstrucionistas absolutos da linguagem ou retoricistas de plantão), mesmo diante da forte tendência de categorizar a literatura a partir de adjetivos tranquilizadores, como o da literatura de minorias ou da literatura de loucos, por exemplo.

O caso da espetacularização e da criação artificial de personalidades artísticas excêntricas serviu sempre (e ainda serve) para afastar o público das obras, se ignoramos o apelo publicitário. E a obra de Leopoldo María Panero vai na direção contrária disso, como demonstra Benito Fernández. Sua obra foi forjada a partir de uma vivência e uma dicção peculiares – oblíquas, mas contundentes –, ambas criando e sendo alimentadas pelo seu público (que ia quase sempre contra “o” grande público como tal).

É interessante notar como o biógrafo não esconde os lados menos nobres e bastante desagradáveis de seu biografado. As anedotas sobre Leopoldo María Panero e suas pequenas e grandes lutas em meio aos ambientes manicomiais são retratadas como são ou parecem ser, na ótica peculiar do biógrafo, que não é nada complacente.

O desprezo de Leopoldo María por aquilo que não fosse próximo a sua humanidade também era tratado de forma direta. Idem para os vícios, medos, receios, sua mania persecutória, seu absoluto desprezo pelos poderes instalados e o establishment cultural, sua adoção mais ou menos espontânea de práticas apocalípticas e escatológicas, sua opção pelo total desregramento ante a moral pública predominante – tudo isso constrói um retrato complexo que vai além de sua figura como a de uma espécie de “artista de variedades”.

Chama a atenção também a cuidadosa compilação de depoimentos de conhecidos sobre Leopoldo María Panero, entre eles ex-amigos e desafetos, como os poetas Eduardo Haro Ibars, Guillermo Carnero e José Ángel Valente.

Ao final, fica a poesia. Mas a biografia de Leopoldo María Panero pode ser útil aos que queiram se aproximar da sua figura, para além dos seus próprios textos. Para o âmbito lusófono, onde pouco se traduziu da obra de Leopoldo María Panero, o livro de Benito Fernández pode ser uma boa entrada para conhecer a figura do poeta em questão, bem como algumas de suas circunstâncias.

Tendo também escrito a biografia de Haro Ibars e publicado recentemente a biografia do romancista Juan Benet, ambos contemporâneos de Leopoldo María Panero, seu trabalho une a preocupação com o delineamento do perfil de seu biografado e o tratamento meticuloso do seu entorno histórico e cultural. Se ainda assim não foi possível dar contornos precisos ao abismo poético, é porque continuará sendo necessário olhar para ele e perscrutá-lo.

*Erivelto da Rocha Carvalho é professor da área de Literatura Espanhola e Hispano-Americana da Universidade de Brasília (UnB).

Referência


J. Benito Fernández. El contorno del abismo. Vida y leyenda de Leopoldo María Panero. Barcelona, Anagrama, 2023, 584 págs. [https://amzn.to/4qBKvz0]


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