Medidas sociais restritivas para controle da COVID-19

Clara Figueiredo, - e daí_, fotomontagem digital, 2020
image_pdf

Por SOCIEDADE PAULISTA DE INFECTOLOGIA*

As atuais medidas de controle da pandemia em vigor no PLANO SÃO PAULO mostram-se insuficientes para reduzir a transmissão do vírus

A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) torna pública a nossa enorme preocupação com o estado atual da Covid-19 no Brasil, e no Estado de São Paulo em particular. Há uma total desconexão da vida cotidiana com a realidade da pandemia. As novas variantes em circulação, a falta de um programa de vacinas efetivo e célere, o cansaço frente às medidas de prevenção e controle e o negacionismo enraizado em segmentos críticos da nossa Sociedade, sobretudo político e econômicos, configuram uma real ameaça à nossa vida.

As variantes do SARS-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, estão dotadas de mecanismos de disseminação mais efetivos, e existe o risco de que escapem da resposta imune prévia e/ou induzida por vacinas. Aproveitam-se da falta absoluta de distanciamento para expandir-se em todo o território brasileiro e no mundo. Resultam assim em mais contágio, reinfecções, adoecimentos e mortes, com o rápido esgotamento da nossa capacidade assistencial. Comprometem jovens, adultos e idosos, vulneráveis ou não. É ainda necessário enfatizar, não existem terapias eficazes contra o SARS-CoV-2.

Pacientes graves têm alta taxa de morte e graves sequelas a despeito dos melhores recursos assistenciais. Que dirá em meio ao caos em que até oxigênio pode faltar? Na prevenção, uma vacinação lenta, em recortes populacionais, está fadada a não resultar em proteção efetiva em tempo oportuno. A seguir esse ritmo, em que marcas expressivas de óbito e infectados ocorrem a intervalos cada vez mais breves, não podemos ter outro cenário em mente, se não, o colapso da saúde. E em meio ao caos não há vida, não há economia, não há nada além do que o incerto.

Existem experiências de sucesso e relatos suficientes na Literatura Científica para sabermos que esse cenário pode, e precisa, ser revertido. Porém, enquanto em fevereiro a incidência global de Covid-19 caiu pela metade no mundo, ela continua em aceleração no Brasil. Essa situação nos traz riscos de colapso, não só da saúde, mas de toda a sociedade. Economia e vida em sociedade são indissociáveis da saúde. E esta prioriza a vida.

As atuais medidas de controle da pandemia em vigor no PLANO SÃO PAULO mostram-se insuficientes para reduzir a transmissão do vírus. Assim sendo, dirigimo-nos ao Excelentíssimo Governador e autoridades do Estado, solicitando políticas públicas que incluam maior rigidez no distanciamento social e controle de mobilidade populacional. Essas medidas requerem restrições maiores a serviços não essenciais em Regiões do Estado sem acometimento crítico pela pandemia, e lockdown com toque de recolher prolongado (por exemplo, a partir de 20h00) naquelas que se encontram próximas ao colapso assistencial. Incluem também ampliação da oferta de testagem e maior velocidade nas estratégias vacinais.

À população, recomendamos o distanciamento (pelo menos 1,5 metros de uma pessoa a outra), uso correto e contínuo de máscaras bem ajustadas na face, higiene das mãos e – sobretudo – que se permaneça em casa o maior tempo possível.

Cada medida isoladamente (e especialmente o conjunto de todas) impacta a cadeia de transmissão ou controle. É responsabilidade de cada cidadão cumprir as normas para proteger-se e proteger as demais pessoas. Cabe ao Estado fiscalizar e prover condições cientificamente embasadas para o cumprimento dessas ações de prevenção. São Paulo, 27 de fevereiro de 2021

Diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia

 

 

Veja todos artigos de

MAIS LIDOS NOS ÚLTIMOS 7 DIAS

1
Em defesa das bibliotecárias e bibliotecários
12 Mar 2026 Por FELIPE SANCHES: As bibliotecas estão atravessadas pela política e, se negarmos seu papel político, fechamos os olhos ao seu papel estratégico no desenvolvimento cultural, educacional, científico e econômico do Brasil
2
Rússia e China na guerra no Irã
18 Mar 2026 Por VALERIO ARCARY: No xadrez geopolítico da guerra contra o Irã, Rússia e China movem suas peças com cautela: Moscou não pode, Pequim não quer — e o regime persa descobre, na solidão estratégica, que alianças têm limites quando os interesses das potências apontam em outra direção
3
No radar geopolítico – EUA x Irã
14 Mar 2026 Por RUBEN BAUER NAVEIRA: O que o Irã pretende é forçar os americanos a pedirem por negociações que não serão por algum "cessar-fogo", mas que envolverão concessões dolorosas, como o fim de todas as sanções e o desmantelamento das bases militares americanas no Oriente Médio
4
Os impactos da guerra no Irã
16 Mar 2026 Por LUIS FELIPE MIGUEL: Ao atacar o Irã sem estratégia, Trump revela o vazio de sua política externa e a submissão a Israel; no Brasil, o impacto imediato é a alta dos combustíveis, que exige do governo Lula coragem para romper de vez com a paridade internacional e proteger a economia popular do choque inflacionário
5
A “filosofia” do cérebro podre
15 Mar 2026 Por EVERTON FARGONI: Uma crítica radical à colonização algorítmica da consciência, onde a promessa de prazer imediato culmina na falência do pensamento, da autonomia e da vida democrática
6
Hamnet – a vida antes de Hamlet
11 Feb 2026 Por GUILHERME E. MEYER: Comentário sobre o filme de Chloé Zhao, em cartaz nos cinemas
7
Um país (des)governado
13 Mar 2026 Por PAULO GHIRALDELLI: A guerra no Irã não é imperialismo, é o espasmo de um país sem projeto, governado por um homem que trocou promessas por bombas
8
Pecadores
16 Mar 2026 Por BRUNO FABRICIO ALCEBINO DA SILVA: Comentário sobre o filme dirigido por Ryan Coogler , premiado com quatro estatuetas no Oscar 2026
9
Jürgen Habermas (1929-2026)
16 Mar 2026 Por MARCO BETTINE: Filósofo da esfera pública e do agir comunicativo, Habermas recusou o pessimismo da primeira geração frankfurtiana para mostrar que a modernidade ainda pode fundamentar racionalmente a crítica social
10
A pornô-política
14 Jun 2020 Por RICARDO T. TRINCA: O político obsceno tem prazer pelo domínio, sob a forma de uma prestidigitação, algo que pode ser encontrado também nos mágicos
11
Sonhos de trem
14 Mar 2026 Por VANDERLEI TENÓRIO: Comentário sobre o filme dirigido por Clint Bentley.
12
A escolha de Donald Trump
13 Mar 2026 Por MICHAEL ROBERTS: Trump descobriu que decapitar um regime não é o mesmo que subjugar uma nação: o Irã resiste e o preço do petróleo cobra a fatura
13
Por que a música?
15 Mar 2026 Por FRANCIS WOLFF: Trecho da primeira parte do livro recém-editado
14
A figura do pai
13 Mar 2026 Por SAULO MATIAS DOURADO: Nos filmes indicados ao Oscar, a figura do pai emerge como sintoma de uma época que perdeu a direção do futuro e busca na transmissão um sentido
15
Contraste entre lulismos
12 Mar 2026 Por FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA: O ponto cego atual da esquerda é ela ganhar no PIB, ganhar no emprego, ganhar na redução da pobreza, mas perder na pergunta fundamental: “para onde estamos indo?”
Veja todos artigos de

PESQUISAR

Pesquisar

TEMAS

NOVAS PUBLICAÇÕES