Nora Cortiñas (1930-2024)

Imagem da agência Noticias Argentinas (NA), publicada por Página 12 de 31/5/2024.
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Por ADRIÁN PABLO FANJUL*

Grandeza em tempos de infâmia

1.

Em 30 de maio de 2024 morreu, em Buenos Aires, Nora Morales de Cortiñas, uma das principais referentes de Madres de Plaza de Mayo. Tinha 94 anos, a mesma idade com que faleceu, em 2022, a outra grande do movimento, Hebe de Bonafini. Ambas, embora de maneiras diferentes, continuaram participando muito ativamente da vida pública e da sua luta até os últimos momentos de vida.

Há apenas dois meses, Nora Cortiñas participou, por momentos em cadeira de rodas, da gigantesca mobilização que tomou Buenos Aires no aniversário do golpe militar de 1976. Essa “marcha” foi tão imensa, a maior da série histórica nessa data, precisamente porque uma grande parte da população viu a necessidade de desafiar, nas ruas, as tentativas negacionistas do governo recentemente empossado na Argentina.

Nora Cortiñas vai embora no momento mais infame do país em 41 anos de democracia. Anteontem foi dado a conhecer que o governo, que cortou os envios de comida aos centros de alimentação popular, ocultou e reteve cinco mil toneladas de alimentos comprados pela gestão anterior para esses centros, e só vai reparti-los agora, sob a pressão resultante de uma denúncia jornalística. Parte desse estoque já passou do vencimento, guardado em segredo por pura crueldade.

As corporações financeiras que, desde dezembro do ano passado, monopolizam o poder na Argentina, encontraram, como equipe governante, uma súcia que encena pretensa loucura para praticar, com plena consciência, o escárnio contra tudo que é bem público e laços sociais. Com ostentação quotidiana, replicada acriticamente por boa parte da mídia, humilham obscenamente os valores e as aspirações igualitárias que foram hegemônicas, não na consciência e no discurso, mas sim nas práticas coletivas com que os argentinos, até agora, colocaram limites para o capitalismo selvagem mais desagregador.

Norita Cortiñas, na sua trajetória de participação nessas práticas, sempre por fora da estrutura estatal, é um contraexemplo para entender como alcançamos este ponto, e uma chave para superá-lo e para deixar atrás o atual opróbrio. Disso tratamos neste texto.

2.

Embora a chegada ao governo de Javier Milei e sua trupe possa ser explicada como parte do avanço das extremas direitas no mundo, não estamos isentos (e uso essa primeira pessoa do plural por ter dupla nacionalidade, sendo argentino de origem) de examinar a realização local, tanto no que diz respeito às vivências traumáticas que impulsionaram sua ascensão, quanto à especificidade dos tipos de negacionismo e de pós-verdade em que sua prédica se concentra.

A diferença de votos que garantiu a vitória eleitoral de Javier Milei no segundo turno, depois de ter ficado no segundo lugar na primeira rodada, parece ter vindo, em alguma medida, de espaços que deixaram de votar no peronismo. Destacam-se, dentre eles, setores juvenis sem uma impronta ideológica de direita, jovens de setores populares e de origem familiar peronista ou próximo (SEMÁN; WELSCHINGER, 2023). “Pegou” neles o discurso antiestado, simplesmente porque nunca conheceram os direitos sociais que fazem parte da prédica contraditória de governos de filiação progressista que pouco ou nada fizeram para diminuir a precariedade do trabalho.

Os já referidos Semán e Welschinger (2023, p. 171-178), nas entrevistas com essas e esses pós-adolescentes, mostram uma confusa percepção para a qual haveria “direitos de mais” para outros, enquanto eles não contam com outra proteção que seu precaríssimo envolvimento em “microempreendimentos” que oscilam entre o trabalho para aplicativos e serviços de pouquíssima infraestrutura, como fazer tatuagens ou cortar cabelo. Tudo que constitui ação de proteção social do Estado, os quase pobres influenciados pelo “libertarianismo” o veem como extraído “do meu dinheiro”.

Não apenas a ajuda social de projetos do tipo Bolsa Família, também os fortes subsídios ao transporte, gás e eletricidade e, em um extremo, a própria educação e saúde pública, embora suas famílias sejam usuárias desses benefícios. Até a iniciativa do governo da Província de Buenos Aires em 2022, de regularizar o trabalho por aplicativo para que o trabalhador conte com algum tipo de registro, encontrou resistência desses jovens por receio a “mais impostos”.

A pandemia e sua gestão pelo governo de Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner contribuíram para aprofundar essa virada ideológica antiestado e antidireitos. As medidas de isolamento, inicialmente bem recebidas pela população, não foram acompanhadas por uma política fiscal que garantisse fundos para ajudar de modo permanente os trabalhadores mais precários e sem registro, o que arrastou muitos deles para a pobreza, sobretudo em 2021, quando o denominado “Ingreso Familiar de Emergencia” deixou de ser pago (POY; ALFAGEME, 2022).

A recuperação econômica posterior se viu dificultada pelo fato de o governo e o parlamento aceitarem a dívida com o Fundo Monetário Internacional contraída ilegalmente por Mauricio Macri na presidência anterior, e destinarem ingentes recursos ao seu pagamento. Esse conjunto de fatores fez com que o retorno do peronismo entre 2019 e 2023 não apenas não satisfizesse as expectativas de voltar para tempos melhores que uma parte desses jovens mal conheceu, mas também piorasse as condições de vida e a desesperança. Não foi difícil, para a direita e a extrema direita, capitalizar essa insatisfação:

O fato de que representantes das elites governamentais argumentem, em defesa própria, que as penúrias econômicas e sociais são resultado da “ação da direita” ou que “é necessário evitar a vitória da direita” gera uma identificação reativa: “se isto que estamos sofrendo é o contrário da direita, por que não ser de direita?” (SEMÁN; WELSCHINGER, 2023, p. 196).[i]

3.

O mais preocupante do que acontece na Argentina talvez seja precisamente isso: que o fracasso de um governo que decidiu não enfrentar em absolutamente nada a herança da direita e o boicote do grande capital, e que cedeu a todas e cada uma das pressões do empresariado arraste consigo, pelo menos na visão de uma parte da população, bandeiras históricas do progressismo ou até da esquerda que ficam identificadas com essa tremenda decepção e com o deterioramento das condições de vida. É grave que essas pessoas pensem que todas essas bandeiras eram “o oficial”, o “Estado vilão”, que elas não têm vida própria. E ali é onde, nesta conjuntura, a figura de Norita ganha um necessário realce.

Nora Cortiñas encabeçou uma corrente, dentro dos movimentos de familiares de vítimas do terrorismo de Estado e das próprias Madres de Plaza de Mayo que se manteve sempre independente de todos os governos. Lutou, como todos os outros, pela necessária institucionalização de políticas de memória, verdade e justiça. Mas essa vertente recusou a estatização do próprio movimento. Isso permitiu, a Nora Cortiñas e a outras dirigentes como Taty Almeida, estar junto das lutas dos trabalhadores, dos povos originários, dos sem-teto, dos movimentos de bairros, mesmo sob os governos kirchneristas, inclusive quando essas lutas enfrentavam políticas econômicas e sociais desses governos.

Como ela própria declarava, “alguns estão muito oficialistas, nós estamos independentes” (MPMLF, 2014, p. 166). E é graças a essa constância que todos, na Argentina, que desde os anos da ditadura saímos para as ruas e nos organizamos por memória, verdade e justiça podemos ajudar a explicar, e lembrar às novas gerações, que nossa luta é anterior e superior a todo governo.

A ultradireita que hoje ocupa o poder na Argentina tenta aproveitar a onda “antiestado” para derrubar não apenas qualquer regulação econômica e proteção social, mas também a existência de sindicatos, os investimentos em ciência, em cultura, em educação e saúde, e que as pessoas aceitem e aplaudam, no meio ao desespero de uma inflação de 200% anual, o desmonte desse patrimônio. É claro que também querem aproveitar para acabar com a popularidade dos movimentos de direitos humanos, da causa dos desaparecidos, e com o consenso social dos últimos 40 anos sobre a legitimidade da luta das mães e familiares.

Romper esse consenso lhes resulta mais difícil do que dinamitar outros, por isso são muito mais cautelosos e não vemos, ainda, as personagens bizarras do governo insultando familiares de desaparecidos como ofendem quotidianamente sindicalistas, músicos, atrizes ou cientistas. Sabem que isso pode ter uma resposta de força imprevisível, e já tiveram como demonstração a imensa marcha do dia do aniversário do golpe, 24 de março, quando precisaram reduzir à mínima expressão o gesto negacionista oficial que tinham preparado. Mesmo sob o atual giro à direita, na Argentina, seria impensável uma reivindicação oficial da ditadura, como fazia o governo de Jair Bolsonaro, e a voz negacionista do governo de Javier Milei, por enquanto, limita-se à “teoria dos dois demônios”.

No entanto, aos poucos, vão ganhando coragem para pequenos gestos de inoculação de veneno e ignomínia. A vice-presidenta da República, Victoria Villarruel, próxima de grupos que tentam há anos a liberdade dos genocidas presos, permitiu-se uma zombaria contra a memória da falecida Hebe de Bonafini. No dia 24 de abril, quando da colossal mobilização em defesa das universidades, provavelmente ressentida pela contundência da maior ação popular contra seu governo até agora, soltou um tuit com “Hebe, olha o que você perdeu”.[ii]

Também foi irônico o porta-voz presidencial ao anunciar (por tuit, não teve coragem de fazê-lo durante suas coletivas de imprensa diárias) que o canal oficial de televisão tinha suspendido o programa semanal das Madres de Plaza de Mayo. E extraoficialmente, o exército de trolls que opera da Casa Rosada, protegido pelo anonimato covarde e pela toxicidade das redes sociais, não poupa agressões contra familiares e contra vítimas do terrorismo de Estado.

Essa tentativa de atacar um dos pilares do consenso social da transição pós-ditadura teve impulso, também, durante a pandemia, ganhando então uma das suas formas mais perversas: equiparar a proibição de velórios ou de enterros com mais de determinada quantidade de pessoas, devido às medidas de distanciamento social preventivo, ao ocultamento dos corpos de desparecidos pela ditadura.

Se chegou a haver um movimento de protesto contra a proibição dos velórios, como os havia contra as medidas de distanciamento, foi porque a oposição de direita aproveitou, também neste caso, a incoerência das políticas do governo Fernández-Fernández de Kirchner diante da pandemia, suas oscilações entre não permitir o trabalho dois mais necessitados e ceder diante das pressões empresariais, com um resultado catastrófico, tanto na proporção de vítimas da pandemia quanto nas consequências econômicas.[iii]

É paradoxal que, enquanto no Brasil, a ação de um governo negacionista e militante do vírus acabou gerando um movimento de familiares de vítimas, a Associação Brasileira de Vítimas e Familiares de Vítimas da COVID-19 (AVICPO-Brasil), que adota aspectos discursivos de lutas anteriores contra o terrorismo de Estado (FANJUL, 2022), na Argentina, a política ziguezagueante de um governo progressista contribuiu para dar espaço a negacionismos dos crimes da ditadura. Os manifestantes da chamada “Marcha de las Piedras” em memória dos mortos por COVID-19 vandalizaram, na Plaza de Mayo, as imagens dos lenços das Madres, com pixações sobre o número de mortos na pandemia, como contestação ao número de 30.000 desaparecidos que ponderam as organizações de direitos humanos:

Fonte: Página 12, 11/7/201

Mesmo havendo essas tentativas, agora executadas desde o governo nacional, o consenso em torno das vítimas do terrorismo de Estado e do repúdio à ditatura militar está muito longe de se perder, como ficou demonstrado não apenas pela massiva marcha do dia do golpe (última vez que Nora Cortiñas esteve nas ruas), como também do escasso apelo e réplica que atingem as palavras de referentes da ultradireita quando tentam tocar na memória sobre a ditadura.

É grave, isso sim, o mero fato de que esse consenso seja posto em questão. É uma luta que está em aberto, e cuja resolução está completamente ligada ao conjunto da resistência contra o saqueio devastador que hoje tenta o governo de ultradireita de “La Libertad Avanza”, e que tudo indica que os argentinos resistem bravamente.

Mencionamos, no segundo parágrafo, a força que, na Argentina, mostram as práticas de mobilização orientadas por uma visão igualitarista. Diante do governo Javier Milei, e praticamente desde o primeiro dia de gestão, com a multiplicação de panelaços e o ressurgimento das assembleias de bairro quando publicou a mega medida provisória que ainda não consegue aprovar no Legislativo, ficou claro que as formas de participação coletiva continuam em pé, a pesar da confusão ideológica. Por outra parte, o “mileísmo”, longe do bolsonarismo, não consegue se constituir em movimento de rua, espaço de disputa crucial na Argentina. Suas tentativas de disputar as ruas foram, até hoje, um fiasco que inclusive a mídia amiga reconhece.[iv]

As duas greves gerais que já houve contra o governo de Javier Milei (24/1 e 9/5), a segunda delas com alto acatamento, as duas grandes mobilizações nacionais que já mencionamos (24/3 e 24/4), o levante na Província de Misiones na semana passada, e as muitas ações que percorrem ruas das cidades quase todo dia, em todas as quais há pessoas que votaram no atual presidente, mostram que nada está perdido. Para além do abatimento daqueles que só enxergam os avanços e retrocessos no escopo da estrutura estatal, o povo de Nora Cortiñas está muito longe de ter sido derrotado.

Saberemos honrar sua memoria. ¡Nora, hasta la victoria siempre!

*Adrián Pablo Fanjul é professor do Departamento de Letras Modernas da USP.

Referências


ARNOUX, Elvira. Intervención semiótica en el espacio público: la Marcha de las Piedras (Buenos Aires, 2021) y su inscripción en las discursividades pandémicas. RÉTOR. v. 13, n. 2 (2023), p. 175-198.

FANJUL, Adrián Pablo. Pandemia e memória discursiva da violência de Estado. Apontamentos sobre a demanda de verdade e responsabilização. Revista do GEL, v. 19, n. 2, 2022, p. 32-56.

MPMLF (MADRES DE PLAZA DE MAYO LÍNEA FUNDADORA). Las viejas. Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora cuentan una historia. Buenos Aires: Marea, 2014.

POY, Santiago; ALFAGEME, Camila. “Trabajadores pobres en tiempos de pandemia (2019-2021)”. In: SALVIA, Agustín; Santiago POY; Jéssica Lorena PLA. La sociedad argentina en la pospandemia. Radiografía del impacto del covid-19 sobre la estructura social y el mercado de trabajo urbano. Buenos Aires: Siglo XXI, 2022, p. 125-139.

SEMÁN, Pablo; Nicolás WELSCHINGER. Juventudes mejoristas y el mileísmo de masas. In; SEMÁN, Pablo (coord.) Está entre nosotros. ¿De dónde sale y hasta dónde puede llegar la extrema derecha que no vimos venir? Buenos Aires: Siglo XXI, 2023, p. 163-202.

Notas


[i] Tradução nossa do espanhol.

[ii] Em espanhol, o tuit foi “Hebe, lo que te perdiste”, acompanhando uma imagem da dirigente de Madres Taty Almeida falando no palco para a multidão.

[iii] Argentina teve, durante a pandemia, uma razão de 2.844 mortos cada milhão de habitantes. Muito próxima do Brasil, que com um governo negacionista chegou a 3.303 mortos por milhão. Dados da página internacional de referencia Worldometer, https://www.worldometers.info/coronavirus/?fbclid=IwAR0rM7AH0dd41MXCBR6p5zNjviXVAMt9kweoINw5QS4MJ–4t7YGxypMwgs#main_table.

[iv] As mais recentes foram a apresentação de seu livro (por sinal, denunciado por plágio) em um estádio de box de Buenos Aires em que apenas cabem 12.000 pessoas, e o ato na praça principal da cidade de Córdoba (província em que mais proporção de votos teve), para a comemoração patriótica de 25/5, que não chegou a reunir 10.000 assistentes.


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