O agente secreto

Frame de "O agente secreto", filme dirigido por Kleber Mendonça Filho/ Divulgação
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Por MARCIO GREGÓRIO SÁ*

“O agente secreto” utiliza a rememoração, o suspense e a presença do jornal para construir uma trama que, ao confrontar a memória com os vazios da história, expõe o mandonismo da elite sudestina e a terceirização da violência como práticas estruturais do país

“Atirador quando compra vingança alheia / Tem que ter veneno na veia /

Tem que saber andar num chão de navalha / Atirador tarda, mas não falha (…) Ele só sabe o nome, só viu o retrato / Alma sebosa é mais barato” (Lula Quiroga e Lenine, O atirador).

1.

Um homem acadêmico chega numa cidadezinha de histórico violento e povinho assustado, encontra um corpo morto e um evento oficial, acompanha as coberturas e notícias do jornal, percebe que precisa rememorar o passado para entender quem ele é e o que, de fato, pode ter ocorrido que transformou ele e aquela realidade de modo misterioso.

O espectador / leitor poderia pensar que se trata somente do esqueleto de O agente secreto, de Kléber Mendonça Filho, mas também gostaria de trazer para essa conversa um filme que possui, além desse esquema, muitas relações diretas e invertidas com a obra brasileira vencedora de diversos prêmios e cotada ao Oscar: me refiro a O homem que matou o facínora (1962), do diretor norte-americano John Ford.

Além da semelhança no enredo e títulos que mais escondem do que revelam a identidade de um personagem, me parece pertinente tecer uma reflexão aqui sobre a violência e as relações de mando e constrangimento social contratado, entender os regimes do real e da ficção e, por fim, os domínios de mito e história em películas nas quais mostrar e ocultar serão não só atos dos personagens em suas circunstâncias e contextos, mas ainda práticas constitutivas da trama desses diretores.

Primeiramente, é necessário desbaratar alguns enganos na recepção midiática do filme brasileiro. No texto publicado no jornal O Globo em 14 de novembro de 2025, Pablo Ortellado diz que “O Agente Secreto é equívoco político”, pois teria uma “visão política simplória”, já presente segundo ele no filme Bacurau (2019), do mesmo modo que seria delírio falar em “ditadura privatista” no Brasil da época.

Talvez se o comentador estivesse mais bem informado dos inúmeros artigos e estudos, como os da Unifesp (2023), por exemplo, que denunciam a participação de empresas como Volkswagen, Petrobrás e CSN nas repressões, torturas e mortes de trabalhadores durante o regime militar, ele, Pablo Ortellado, não apostaria suas fichas num orelhão sem linha (metáfora cara ao filme), com um comentário liberal e moralista disfarçado de exame psicanalítico de conjuntura social, tampouco em sua gritante incompreensão do conceito de “ideias fora do lugar” (1973) do crítico Roberto Schwarz.

Para ser esquemático, pelo simples fato desse texto estar num veículo apoiador da própria ditadura militar, já não poderia convencer tanto como análise crítica séria sobre o premiadíssimo filme nacional e seus contextos histórico-políticos.

2.

Seria mais produtivo e dialético pensar como o fez o pesquisador André Luiz Barros, no texto “Viagem ao redor de O agente secreto e de dois filmes do país do Oscar, Eddington e Uma batalha após a outra”, que busca pensar o universo do filme como sintoma-Brasil em sua violência psíquica e cooptação social disfarçada de simpatia hospitaleira. Publicado no site Correio da Alameda casa editorial, ele destaca algo concreto ainda presente em nosso tempo: “Como em momento recente da vida política nacional, o que me pareceu bem clara foi a provocação do diretor em nos colocar diante de um dilema brasileiro”, ele diz: “um “tio” simpaticão capaz de encantar o interlocutor num boteco ou na padaria com seu bom humor bonachão pode ser um delegado sanguinário…”,[i] ele conclui seu argumento, a respeito dessa estranha e macabra conveniência entre piada tosca e defesa da tortura e cerceamento periculoso.

Na linha do que disse André Luiz Barros, quando uma figura simpática e bonachão pode ser o policial sedento por sangue e morte do regime temos uma ambientação caótica e ambivalente que traz o relato às raias da complexidade. O tempo não linear da trama, reprodutor dos meandros da memória, traz essa ideia de que tudo é próximo, junto e misturado.

Não há tanta separação cronológica tampouco etapas positivas das ações e situações. Há também uma crítica às ideias de cordialidade e suposta hospitalidade do povo humilde brasileiro forjada no século passado por importantes teóricos do ensaísmo brasileiro. Semelhante ao que vemos nas escolas de samba ocupadas por artistas globais (geralmente progressistas à esquerda), operadores do jogo do bicho, milicias e militares no contexto carioca, essa proximidade e promiscuidade à brasileira entre personagens em mundos ideológicos opostos no filme é traço típico da violenta e sublimada brasilidade.

Do mesmo modo, o texto “Quem é o agente secreto?”, de Eduardo Escorel, se apoia, dentre outras incompreensões, num comentário do jornalista e escritor Fernando Molica, onde diz que O agente secreto tem “raras ambiguidades” e “vários roteiros” em que “todos correm de forma paralela”, retomando, a seguir, a imagem em síntese do carnaval própria da obra: “Diferentes blocos fazem um carnaval, nem sempre articulam um filme”.

Publicado na respeitada revista Piauí em 19/05/2025, os enganos de ambos os autores desconsideram que a sensação de desconexão e aleatoriedade é própria de uma trama como a do cinema material e afetivo de Kléber Mendonça Filho sem modelos hierárquicos, em que as diferenças circulam sem resolução final exemplar nem mensagem política simplória, vide o desfecho do filme forjado na metáfora da transfusão de sangue num lugar que era um antigo cinema de rua.

3.

O agente secreto trata do retorno de Marcelo, estrelado por Wagner Moura, ao Recife, cidade natal desse professor universitário perseguido por capangas clandestinos nos anos de chumbo da ditadura militar a mando de seu antagonista, o empresário paulista Henrique Girotti.

Com o luto da perda suspeita de sua esposa, Armando, nome fictício do protagonista, precisa retomar a guarda de seu filho, encontrar um retrato da mãe nos arquivos públicos da capital pernambucana em pleno feriado de carnaval e conseguir documentos para se exilar em algum lugar a salvo da repressão. Todo esse relato é rememorado pelas pesquisas que as jovens universitárias, sobretudo a personagem Laura, feita pela atriz Laura Lufési, realiza no tempo atual com fitas cassetes e recordes de jornais de um acervo de uma universidade particular.

Conhecido por fazer filmes de gênero, Kléber Mendonça Filho mistura suspense com thriller policial, sendo o primeiro aspecto tão praticado em sua filmografia – vide as ambiências e a tensão musical de Vinil verde (2004), Som ao redor (2012), Aquarius (2016) e Retratos fantasmas (2023), enquanto o segundo elemento está presente na ação persecutória de Bacurau (2019). Estas características estão aclimatadas a uma estética específica para lidar com o medo de se viver numa época em que a ordem é dissimuladamente corrupta, arbitrária e entreguista, a violência é a regra e a desigualdade é naturalizada.

O aspecto policial é curioso porque congrega a ação da perseguição as batidas de músicas típicas da região como as da banda Pífanos de Caruaru. O fato de a polícia ser o vilão impiedoso, tosco, ignorante e por vezes bonachão, e o perseguido ser corajoso, inteligente e inocente (em mais de um sentido) inverte a lógica do gênero policial ocidental de um jeito bem brasileiro e faz os policiais corruptos brigarem com capangas do próprio patronado.

Como contraponto a essa sensação manifesta ou latente de opressão, há a recuperação de uma brasilidade na busca dos personagens por viver, gozar e se alegrar com a festa de rua, minimamente compreensivos e cooperativos entre si, numa reafirmação afetiva de uma estética que usa linguagens cinematográficas e repertórios da cultura de massa, sua importância num tempo presente carente e doentio, pastorado por todo tipo de salafrário das bets, negócios religiosos, políticos e influenciadores extremistas.

4.

Ao pôr no filme uma personagem conhecida como perna cabeluda, ícone de folclore carnavalesco de Recife, o diretor provoca um efeito de estranhamento que ajuda a demolir os véus da alienação ideológica, estimulando questionamentos sobre quem seria o dono daquela perna, que corpo é esse, como foi parar no fundo das águas, e outras perguntas do tipo.

Difícil saber o que o diretor provavelmente queria, mas ao fim e ao cabo estamos falando sobre corpos torturados e partes deles que são mortos, mutilados, jogados ao mar e ocultados por tiranos. O objetivo foi concluído com sucesso e riso. Numa estranha dialética, essa misteriosa personagem perna cabeluda tem vontade própria enquanto os policiais são paus mandados de uma elite repressora e com complexo de vira-lata, compondo, assim, com essa perna na boca do tubarão, certa graça macabra ao brutal realismo de um país em regime extraordinário de exceção.

O longa de Kléber Mendonça Filho retoma reflexões presentes no Cinema novo, notadamente, aquelas presentes em Dialética da violência (1970), de Luiz Carlos Maciel, quando este destaca o “filão que o western descobriu no Nordeste, para o cinema brasileiro (…) um mundo capaz de justificar esteticamente uma metafísica da violência”, diz o crítico, “[n]ão como o fetiche”, mas sim, ele continua, “como produto e componente de um processo histórico concreto” (p.32).[ii]

O desfecho do filme revela os vazios da história, os vãos de uma memória que precisa ser refeita por décadas e décadas, o que nos relembra da relevância da estética da fome e suas carências. Com a atuação de Maria Fernanda Cândido como Elza, lemos a frase “Pra te proteger do Brasil” ser dita a Marcelo, tornando escancarado o dilema nacional entre a brasilidade e o mandonismo com terceirização da violência contratada como mercadoria nas relações sociais.

Tudo isso configurado num período que conflagra a “estética do mundo cão” (VIGNERON, 2025),[iii] aquela na qual Roberto Schwarz, estudioso dos mandos da elite na obra machadiana, constatou a simbolização e o desmontar de uma sociabilidade possível nos trópicos, ao levar em conta, dentre outras obras, o filme Cronicamente inviável (2000), de Sérgio Bianchi. Este medo, produzido materialmente pelo regime ditatorial, ainda é vigente num país crente, militarizado e controlado pelo capital externo em acordos macroeconômicos.

5.

Ao se tratar de uma trama marcada pela chegada de um estranho num ambiente violento, a rememoração (flash back), o suspense em torno do que ocorreu no passado e, sobretudo, a presença do jornal na construção dos eventos da trama, nos faz lembrar muito The man who shot Liberty Valance, filme clássico de John Ford sobre a transição do velho ao novo Oeste norte-americano.

Nele, o personagem Ransom Stoddard, senador estrelado por James Stewart, chega num vilarejo do Oeste ao funeral de Tom Doniphon, interpretado por John Wayne, e decidi dar um depoimento oficial à imprensa local sobre a vida desse amigo e alguns eventos históricos que conformaram aquele lugar e o fizeram homem público.

Depois de longas digressões, se descobre que, décadas atrás, Ransom, recém-formado em direito, após chegar ali no encarecido velho oeste para enriquecer fácil como advogado, é surpreendido e toma uma surra do bando de Liberty Valance, encenado por Lee Marvin, uma espécie de líder jagunço que recruta capangas para lutar pela influência dos proprietários de gado segundo a lei dos assassinos de aluguel para garantir o voto do povo local aos fazendeiros. Ramsom é desafiado por Valance para um duelo final e o vence, mas ao fim se descobre que o tiro final não saiu de sua arma.

Ao descobrir, posteriormente, que foi defendido por Tom com quem ele passa a ter uma estranha amizade na qual o vértice final é o casamento com Hallie, ex-namorada do personagem de Wayne, Ransom obtém uma vitória na eleição de Senador, tornando-se, assim, uma lenda na região.

“Este é o Oeste, senhor. Quando a lenda precede os fatos, publique-se a lenda”, diz o dono do jornal aos que escutam o relato de Ransom. No texto “Tempo, política e mito em O homem que matou o facínora”(2022), Victor Bruno pontua o surgimento, após a morte do tirano Valance por mãos ocultas, “de um tipo pior de homem surgiu nos Estados Unidos – o político que traz consigo “o espetáculo da lei e da ordem”, a maldição da civilização”,[iv] diz o autor, citando Claude-Jean Philippe.

Neste processo de modernização conservadora do Oeste, com muitas similaridades ao do Brasil, ocorre fenômeno semelhante ao que EUA e Brasil vivenciam, atualmente, com agentes da extrema direita. No entanto, vale pontuar uma diferença decisiva: enquanto no filme de John Ford impera a dimensão da lenda e a assertividade tranquilizadora do mito, na película de Kléber Mendonça Filho opera o processo histórico material com suas contradições e receptividade crítica dialética.

No primeiro há expansão e formação conservadora do Estado no oeste norte americano, no segundo a interrupção da formação nacional de um país por ingerência estrangeira e conivência das mesquinhas classes dirigentes nacionais.

Em ambos os filmes situados num intervalo de mais sessentas anos, suas tramas revelam a participação e gestão das elites na dimensão social e política dos conflitos de cada lugar. Focando em O agente secreto, trata-se da elite sudestina que a época interferia na PF, afastado procurador público, cancela contratos de pesquisa das universidades públicas, extraindo muito capital de tudo isso através de práticas de mandonismo e terceirização da violência, apostando sempre em prejuízo do interesse nacional.

Desde os primórdios da colonização até os dias atuais sequestrados por comandos de crime organizado e lavagem de dinheiro nas fintechs do capitalismo financeiro, práticas como as do capitão do mato, jagunços, capangas e milicianos escondem as digitais dos ricos do país por meio da violência contratada como mercadoria.

6.

A atualidade do filme de Kléber Mendonça Filho está ligada ainda ao que está ocorrendo, por exemplo, nas relações de ameaça e ingerência do governo de Donal Trump no Estado brasileiro, e, sobretudo, nesta busca por dificultar e impedir o atual governo de responsabilizar a elite verde e amarela e seus golpistas e financiadores da pilhagem criminosa e organizada no país, conforme argumentam bem as falas atuais do escritor e pesquisador Evandro Cruz Silva num podcast de repercussão nacional.[v]

A pirraça pode ter mais de um significado: é o de jogar o corpo na ginga faceira do carnaval, mas, também, é a implicância da elite no processo histórico e político do país, em que o rico proprietário imiscuído no mundo da política opera à surdina nos golpes por todas as regiões da nação.

Neste sentido, o próprio título “O agente secreto” pode ser lido como uma enorme ironia com o espectador, não se tratando do personagem de Moura, mas sobretudo da elite que mandou torturar, matar e esconder corpos de pessoas opostas ao regime ditatorial, uma espécie de grupo de empresários aquartelado e camuflado na imprensa que lucrava muito com um poder que agencia violência, exploração, pilhagem e fingimento no contexto de um Brasil vendido como famigerado milagre econômico.

A cena inicial do filme em que o pobre trabalhador frentista enaltece a ordem e ignora a morte do ladrão que tem o corpo exposto a dias recoloca, a meu ver, essa grande questão nacional: Por que penalização dos ricos infratores das leis nesse país não sensibiliza tanto a população? Por que temos dificuldade de ver como justa e urgente sua responsabilização e prisão nos eventos republicanos e decisivos de nossa breve história nacional? Eis uma meritocracia punitivista aos barões que, por pouco apelo popular, os tornam reincidentes.

Através de práticas conhecidas como “operações cruzadas”, essa elite contratava a colaboração repressora de capangas de mandonismo social entre agentes ditatoriais de estados diferentes. Mas “operações cruzadas” é também a técnica cinematográfica de Kléber Mendonça Filho e seu trabalho “a la Borges” com a matéria histórica local e nacional, bem como seus usos da metalinguagem cinematográfica. É neste ponto que o diretor pernambucano esbanja talento e crítica sobre a memória brasileira e a história do cinema mundial.

7.

No artigo “Borges e o conto filosófico”, Davi Arrigucci Júnior diz algo iluminador nesta linha: “nosso tempo escolheu reconhecer o pensamento como inerente ao modo de ser da arte. A reflexão artística, voltando-se muitas vezes sobre si mesma, acabou por se fazer uma característica interna das obras de arte, frequentes portadoras de poéticas inclusas, apaixonada e especularmente debruçadas sobre o próprio processo de sua constituição. E assim, também os artistas pensadores se tornaram centrais à nossa tradição, caracterizada por alto grau de autoconsciência do fazer artístico”.[vi]

Similar a Jorge Luis Borges neste ponto de interesse pelo complexo processo artístico – outro que adorava histórias de violência e vigarice nos arrabaldes ou subúrbios de Buenos Aires, Kléber Mendonça, com seu nordeste violento e pirracento, é modernista na exata medida em que, tal qual Mario de Andrade e Jorge Luis Borges, é um autor que expõe seus procedimentos e referências como artifícios de linguagem cinematográfica, jornalística e histórica.

Ao se tratar de uma forma de filmar composta por referências e, também, autorreferencialidade de seus modos artísticos, sua obra reafirma uma tônica modernista calcada na montagem, dissimulação e ficcionalização do real no melhor sentido, naquele ponto exato em que não deixa de mostrar a violência produzida pelos constrangimentos encomendados nas relações de mando social sem negar o desejo, o humor e o diálogo com outras obras.

Assim, ele revela como nossa sociedade é artificiosa, desnaturalizando, assim, os interesses espúrios da burguesia, e mostrando como eles são produtos históricos nas relações de exploração, dominação e ocultação até mesmo de cadáveres em nome de seu poder e lucro.

Conforme disse João Adolfo Hansen numa palestra sobre a questão da forma artística em “Representação e avaliação em Machado de Assis”, há certos autores que afirmam a materialidade e historicidade das formas simbólicas, revelando os artifícios desses emblemas de sentidos e significados sempre provisórios. “O mundo burguês naturaliza seus interesses eliminando a percepção do simbólico”, diz o estudioso, “[a] linguagem é transparente, importa a ideologia que nos fala”[vii], ele conclui.

Na película de Kléber Mendonça Filho, a autoconsciência da representação e do próprio cinema impede que você se envolva de modo naturalizado e mitificado com o relato. Neste sentido, o seu cinema, ao não naturalizar e suavizar suas formas culturais, mostra como seu estilo é produto dos encontros e das relações de produção, circulação e recepção das forças e dos conteúdos da matéria e memória social brasileira.

Seu cinema, concluindo, nos ajuda a compreender que o que tenha havido no passado brasileiro não foi natural, do mesmo modo a forma como seu filme narra isso também não o é, tão pouco o fato de estar ganhando tantos prêmios internacionais. Nada disso pode ser naturalizado como algo que tinha que acontecer, ou mitificado como é assim que ocorreu e ponto final, mas que, por fim, tudo isso é na verdade histórico no melhor sentido da palavra, ou seja, feito num tempo materialmente humano e coletivo, provisório em sua busca de concretude e sujeito a outras compreensões a partir de dados e disposições de outros conteúdos vividos como real.

*Marcio Gregório Sá, escritor e educador social negro, é mestre em literatura latino-americana pela USP. Autor do livro Ludibriar das faltas (Editora Primata).

Referência


O agente secreto
Brasil, Alemanha, França, Holanda, 2025, 158 minutos.
Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho.
Elenco: Wagner Moura, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Roney Villela, Hermila Guedes, Tânia Maria, Robério Diógenes.

Notas


[i] Ver: BARROS, André Luiz.

[ii] Ver: MACIEL, Luiz Carlos, “Dialética da violência”, in Deus e o Diabo na terra do sol, Glauber et alli, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,1965.

[iii] Em depoimento ao livro Quanto vale um cineasta brasileiro? Roberto Schwarz fala em “estética do mundo cão” como figuração formal do desmonte da mola social do país, vigente desde o estreitamento de horizonte político no processo social brasileiro intensificado desde a ditadura militar. Ver: VIGNERON, Víctor. “Roberto Schwarz, o cinema e nós”. In: Especial Roberto Schwarz. São Paulo: Revista Cult, ano 28, edição 324, dez 2025, p.38-9.

[iv] Ver: BRUNO, Victor. https://unamuno.com.br/o-homem-que-matou-o-facinora/

[v] Ver: “Trump, facções brasileiras e narcoterrorismo” – episódio de 12/03/2024 do Café da manhã da Folha de São Paulo com Evandro Cruz Silva.

[vi] Ver ARRIGUCCI, Davi Junior. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/borges/borg22.htmlivro Borges no Brasil

[vii] Ver: HANSEN, João Adolfo. https://www.youtube.com/watch?v=jJUkdvbFzN4

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