Por DYLAN RILEY*
Arendt erra ao diagnosticar a atomização como causa do totalitarismo; a análise ganha rigor com Gramsci, para quem a crise é disputa de hegemonia na sociedade civil organizada
1.
O livro Origens do totalitarismo, de Hannah Arendt, tem tido um tipo peculiar de influência. Em números brutos, é enorme: citações à edição de 1973 de sua obra-prima mostra um aumento de 71 em 1990 para 1483 em 2025, de acordo com o Google Scholar. Mas a maior parte dos comentadores políticos e intelectuais públicos tratam o livro como um reservatório de bons mots e não como um argumento coerente. Eles selecionam os insights sobre mentira, uso da linguagem, o deslizamento entre o poder formal e o informal em Estados autoritários. Ao mesmo tempo, eles ignoram as alegações explicativas centrais da obra. Quais são elas, e são plausíveis?
Publicado em 1952, Origens do totalitarismo analisa dois regimes: a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. Arendt tem dois argumentos fundamentais, um causal e o outro classificatório. O causal é que a precondição chave para a emergência do totalitarismo é o fenômeno da “atomização social”, ele próprio uma consequência da emergência de uma “sociedade sem classes”.[i]
Ela reforça esse ponto em diversas passagens em diferentes registros. Os nazistas e comunistas então “recrutaram seus membros dessa massa de pessoas aparentemente indiferentes que todos os outros partidos haviam abandonado por considerá-las apáticas demais ou estúpidas demais para merecer atenção”.[ii] Seus seguidores eram massas que haviam crescido “a partir de fragmentos de uma sociedade altamente atomizada, cuja estrutura competitiva e a solidão concomitante do indivíduo só haviam sido contidas por meio da pertença a uma classe”.[iii]
A Primeira Guerra Mundial havia iniciado o processo de “desagregação das classes e sua transformação em massas”.[iv] Assim, a atomização social associada à ausência de classes constitui a causa fundamental do totalitarismo.
O argumento classificatório é que o nazismo e o stalinismo, apesar de suas aparências diferentes, eram fundamentalmente tipos de regimes similares, no sentido de que ambos eram baseados na substituição do sistema de partidos por um “movimento de massa”, uma mudança no poder “do exército para o povo”, e a condução “de uma política externa orientada para a dominação mundial”.[v]
Os regimes também eram similares ideologicamente já que ambos se justificavam pela defesa de encarnarem uma lei do desenvolvimento histórico: no caso dos nazistas, uma luta darwiniana pela existência; e no caso dos stalinistas, uma luta para estabelecer uma utopia socialista. Em ambos os casos, o terror em massa era o instrumento utilizado para realizar esse objetivo. Conforme aponta Hannah Arendt: “O terror é a realização da lei do movimento; seu principal objetivo é fazer possível que a força da natureza ou da história corra livremente pela humanidade, sem ser impedida pela ação humana espontânea”.[vi]
2.
Hannah Arendt é uma autora de erudição intimidadora, que percorreu todo o panorama do pensamento europeu e possuía familiaridade com múltiplas línguas. É justamente essa erudição, suspeitamos, que levou certos acadêmicos a evitar examinar suas principais afirmações sócio-históricas, como se abordar sua obra dessa maneira fosse de algum modo deselegante. Mas Origens do totalitarismo claramente se propõe a ser uma explicação do totalitarismo que precisa ser discutida desse modo.[vii]
A primeira questão que devemos colocar é se a Alemanha de Weimar ou a Rússia pré-stalinista realmente eram “sociedades sem classes”. Obviamente não, ao menos não se o termo “classe” – que Arendt nunca define – é tomado em seu sentido usual, de um grupo formado na base de relações de propriedade.
Pegando o exemplo alemão primeiro, um dos pontos de virada mais significativos no caminho para o nacional socialismo foi a decisão da liderança do Partido Social Democrata de destruir a Revolução Alemanha aliando-se às Freikorps, resultando na desastrosa preservação do poder não só dos industrialistas do Ruhr, como também de proprietários de terras e burocratas da região do Elba Oriental.[viii]
As consequências dessa preservação da sociedade de classes na saúde da democracia de Weimar são foram obviamente nefastas; o ponto em relação ao argumento de Arendt é que não foi a criação de uma sociedade sem classes, mas na verdade a preservação de um determinado tipo de sociedade de classes foi uma das principais pré-condições do nacional socialismo.
De início, pode parecer que Hannah Arendt caminha em um terreno mais sólido em sua análise sobre a Rússia. Mas a experiência pós-revolucionária do país cria problemas em seu ponto, que a própria Hannah Arendt (é importante que se dê crédito a isso) reconhece. Ao contrário de muitos intelectuais anticomunistas, Hannah Arendt tinha uma percepção aguçada da diferença entre a Rússia sob Vladímir Lênin e a Rússia sob Joseph Stalin[ix].
A Rússia nos anos 1920 sob Vladímir Lênin experimentou um rápido desenvolvimento de camponeses proprietários de terra independentes, uma classe operária organizada e “uma nova classe média resultante da NEP [Nova Política Econômica]”.[x] Mas isso criou um problema analítico para o relato de Arendt: de acordo com sua teoria, a falta de classes [classlessness] é uma das pré-condições chaves do totalitarismo, e, no entanto, em seu período imediatamente pré-totalitário, a Rússia experimentou uma rápida formação de classes.
Assim, para a Rússia, ela inverteu a causalidade de seu quadro básico, sugerindo que a ausência de classes e seu correlato, a atomização, foram o resultado, e não a condição prévia, do totalitarismo. Mas isso levanta a questão: por que o totalitarismo surgiu na Rússia se sua principal condição prévia estava ausente?
3.
Esses breves apontamentos são suficientes para mostrar que a ideia de que uma “sociedade sem classes” era de algum modo pré-condição para o totalitarismo é claramente contradita pelo registro histórico dos dois casos em que o relato de Arendt se apoia. Na Alemanha, foi precisamente a preservação de um tipo de sociedade de classes que causou o nazismo, enquanto na Rússia o stalinismo foi imediatamente precedido pela formação de classes do período da NEP.
Talvez, entretanto, o processo de atomização social pode ter ocorrido independentemente da destruição das classes. Nesse caso, deveria ser possível reconstruir a descrição de Arendt em um veio mais tocquevilliano – como uma teoria da sociedade civil ou da sua ausência, ao invés de classes e sua ausência. Mas isso também parece ser implausível.
As evidências aqui são melhores para os casos fascistas que para a União Soviética, e é digno de nota que Hannah Arendt sempre excluiu a Itália da categoria de “regimes totalitários” porque ela julgou que o regime não era radical o suficiente (apesar do termo “totalitário” ser uma invenção italiana). De todo modo, na Itália e na Alemanha a sociedade civil era altamente desenvolvida antes da tomada de poder autoritária.
Cooperativas, igrejas, sindicatos, partidos políticos e associações de ajuda mútua experimentaram um período de crescimento massivo em ambos os países a partir de 1870. Portanto, a ideia de que a Alemanha ou a Itália pré-fascista eram sociedades massificadas e atomizadas é bastante enganosa, considerando suas sociedades civis robustas.
O mesmo pode ser verdadeiro para a Rússia, como Hannah Arendt aponta em sua análise de Vladímir Lênin, a quem descreve como tendo tentado criar uma esfera associativa de cima para baixo, promovendo organizações profissionais, enfatizando diferenças entre nacionalidades e fomentando deliberadamente o desenvolvimento de organizações intermediárias de todos os tipos entre o Estado e os indivíduos.
E o que foi que os totalitários (stalinistas ou nazistas) fizeram com esse material organizacional – quer dizer, a sociedade civil – uma vez que estavam no poder? Eles o vincularam aos objetivos do regime. De fato, há um reconhecimento implícito disso na análise de Hannah Arendt sobre o desenvolvimento organizacional do nacional socialismo, com suas inúmeras associações profissionais para “professores, advogados, médicos, estudantes, professores universitários, técnicos e trabalhadores.”[xi] A razão para essa proliferação organizacional é óbvia: como mais poderiam esses regimes mobilizar as massas sem essas associações?
4.
Como uma descrição causal, portanto, Origens do totalitarismo não se sustenta: nem a ausência de classes nem a atomização social explicam o totalitarismo. Mas talvez esse seja um critério injusta para tratar do livro, que é melhor entendido como oferecendo uma classificação ao invés de uma explicação. Nesse caso o problema central é a compreensão do totalitarismo em si.
Essa não é uma questão mais fácil, uma vez que Hannah Arendt explicitamente evita conceitualizar o fenômeno exceto ao insistir repetidas vezes em sua novidade radical.[xii] O mais próximo que ela chega a uma definição ocorre bem no fim do livro, quando ela identifica quatro elementos: a transformação de “classes em massas”, a emergência de um “movimento de massa”, o aumento do poder da polícia em relação ao exército, e uma “política externa abertamente direcionada a dominação mundial”.[xiii]
O primeiro desses critérios é confuso considerando que a atomização ou a massificação são apresentadas originalmente como a causa do totalitarismo e não seu resultado (exceto, inconsistentemente, no caso da Rússia). O segundo é difícil de determinar. Como sabemos a diferença entre um regime baseado em movimento de massas e um baseado em um partido único. O terceiro parece razoavelmente claro, mas poderia descrever qualquer regime policial.
Os problemas com o quarto critério são mais reveladores, já que o movimento em direção à dominação mundial descreve uma diferença, e não uma semelhança, entre nazismo e o stalinismo. Hitler era um apostador geopolítico disposto a arriscar tudo. Stalin defendia o socialismo em um só país, era extraordinariamente cauteloso no palco mundial e sua chegada ao poder está inextricavelmente ligada ao declínio das ambições de revolução mundial da revolução de outubro e do exílio e assassinato de seu maior teórico, Leon Trótski. Portanto, no caso russo, a consolidação do totalitarismo não foi definida por um movimento em direção à “dominação mundial”, mas pela renúncia a um projeto desse tipo.
Origens do totalitarismo, então, é um clássico paradoxal no sentido que tanto seu projeto explicativo quanto seu projeto classificatório são em grande parte falhos. Isso não significa que o livro não ofereça nada. Hannah Arendt está em seu melhor momento ao descrever a fenomenologia do fascismo; sua descrição da falta de forma do Estado nazista, com seus sátrapas trabalhando para decifrar a “vontade do líder”, é perspicaz.[xiv]
Ela também faz um trabalho excelente o tratar da atração das teorias da conspiração. Como ela coloca, “a multidão realmente acreditava que a verdade era aquilo que a sociedade respeitável havia hipocritamente ignorado ou encoberto com corrupção”.[xv] Mas para uma descrição dos mais terríveis regimes do século XX, é melhor procurar em outro lugar.
5.
Antonio Gramsci, o enigmático da Sardenha, é uma alternativa valorosa. Ele goza de relevância contínua e um grupo de seguidores ainda mais assíduo do que o de Hannah Arendt. No entanto, suas afirmações comparativas raramente foram colocadas lado a lado. As razões para isso não são difíceis de encontrar, já que os dois pensadores estavam distantes em três níveis: pela língua, pela afinidade política e pela geração.
Contudo, em alguns aspectos, suas preocupações eram semelhantes, e até em algumas de suas análises históricas específicas há uma semelhança notável. Aqui está Hannah Arendt[xvi]: “A surpreendentemente fácil vitória da revolução de outubro aconteceu em um país em que uma burocracia despótica e centralizada governava uma população de massa desestruturada que nem os remanescentes da ordem feudal nem as fracas e nascentes classes urbanas capitalistas haviam organizado.”
A análise de Antonio Gramsci é quase idêntica[xvii]: “Na Rússia o estado era tudo e a sociedade civil era primordial e gelatinosa; no Ocidente havia de fato uma relação entre o Estado e a sociedade civil, e quando Estado tremia a forte estrutura da sociedade civil era imediatamente revelada”.
Mas é precisamente aqui, em seus momentos de maior proximidade, que as diferenças de suas análises são mais claras. Porque Antonio Gramsci não via o período entreguerras no Ocidente como um período de atomização e isolamento: ele foi caracterizado por uma crise gerada pelo desenvolvimento massivo da sociedade civil, não pelo seu colapso, e muito menos pelo desaparecimento das classes.
Da perspectiva de Antonio Gramsci, o grande problema era que os liberalismos fracos do século XIX europeu repentinamente se defrontaram com populações altamente organizadas e politizadas cujas demandas democráticas não podiam ser canalizadas em instituições tal como existiam na época. Embora Antonio Gramsci não tenha usado o termo “totalitarismo” no sentido de Hannah Arendt, a causa fundamental do fascismo era exatamente o oposto do que está proposto em Origens do totalitarismo.
6.
Aonde isso nos deixa hoje? O que fazer com Hannah Arendt e Antonio Gramsci, com a atomização, sociedade civil e totalitarismo?
Da perspectiva de arendtianos e tudo que foi escrito sobre sociedade civil a partir de seu trabalho, a situação é contraditória. As pré-condições fundamentais do totalitarismo parecem presentes: isolamento, atomização e solidão. Muitos tentaram conectar esses fenômenos ao Trumpismo. Mas quais que sejam os perigos que o MAGA apresenta, e estes são seríssimos, nem o mais convencido maximalista poderia descrever o movimento como totalitário no sentido arendtiano.
Em primeiro lugar. Falta a ele uma teoria geral da história, e quem conseguiria descrever a brutal, mas errática e amadora, política externa emanando da Casa Branca como um ímpeto de dominação mundial? Assim, parece que temos a causa (atomização social) sem o efeito (dominação totalitária).
E a perspectiva gramsciana? Aqui o problema é o contrário. Embora tenha havido um aumento recente na participação política, será que as sociedades civis no Ocidente, e particularmente nos Estados Unidos, estão tão mobilizadas quanto estavam no período entreguerras? É pouco provável. E, ainda assim, parece haver uma crise de legitimação da democracia ocidental (uma “crise de hegemonia”, diria Antonio Gramsci), da qual Donald Trump é uma, mas não a única, expressão. Aqui há o efeito sem a causa.
Talvez a melhor forma de compreender o que está acontecendo é focar no problema da política. A verdadeira questão no Ocidente hoje não é uma ruptura revolucionária ameaçada produzindo, como oposto, uma reação contrarrevolucionária, mas sim de um enfraquecimento dos vínculos entre o âmbito da vida privada e associativa e o âmbito da política.
Essa divisão criou uma ruptura entre representantes políticos e os grupos que eles deveriam representar: uma fratura que ficou claríssima no Partido Republicano em 2015, mas que teve sua contrapartida na revolta da nova esquerda do Partido Democrata. O que está acontecendo agora é a reestruturação incipiente desses elos em um terreno que ainda está no processo de formação. O ponto não é estar “a favor” ou “contra” a sociedade civil, mas quem vai controlar o processo de sua articulação política.
É particularmente importante entender que não é o caso que o MAGA deseja destruir a sociedade civil como um campo de associações e grupos de interesse (outra demonstração óbvia de que ele não pode ser entendido como um movimento totalitário no sentido das Origens). Na verdade, o MAGA procura colonizar esse campo: ele não desestimula engajamento cívico, ele procura promover suas próprias formas de engajamento.
7.
Exemplos disso abundam: a exortação de J.D Vance, feita no podcast de Charlie Kirk, para as pessoas “se envolverem, se envolverem, se envolverem” depois de explicar que a “sociedade civil não é apenas algo que flui do governo, ela flui de todos nós, é um caso óbvio. Assim como o recente esforço de Ryan Walters, o antigo superintendente de escolas públicas de Oklahoma, que encorajou o estabelecimento de um Turning Point USA em todas as escolas e faculdades do estado.
Essa é uma luta por hegemonia, disputada no campo da sociedade civil, o que Antonio Gramsci chamaria de guerra de posição, e não uma luta a favor ou contra a sociedade civil entendida como um reino mítico de consenso pré-político e resolução de problemas práticos.
A esquerda nos EUA está em tremenda desvantagem nesse combate. Seus intelectuais, em larga medida isolados na academia e, em menor medida, no mundo das organizações sem fins lucrativos, têm pouco acesso a partidos políticos ou movimentos sociais. Estão, portanto, isolados das forças políticas e sociais necessárias para se engajar na luta.
Mas aqui mora a ironia da qual os trumpistas estão deliciosamente alheios. Longe de exercerem muita influência cultural, intelectuais esquerdistas e progressistas foram por décadas uma elite privilegiada, mas irrelevante dentro do complexo ONG/universidade, onde eles formaram o que Antonio Gramsci chamaria de intelligentsia tradicional, conversando consigo mesma em sua linguagem arcaica.
Não podemos deixar de considerar a possibilidade que a tentativa do governo de Donald Trump de destruir o cordon sanitaire que isola esses intelectuais do mundo da política pode criar condições por meio das quais eles estabeleçam uma conexão mais íntima com a política. Dessa forma, Trump terá tido um papel na criação de um novo príncipe moderno, adaptado à era das redes sociais, da viralidade e da inteligência artificial. O MAGA se revelaria como a parteira daquilo que mais teme.
E quanto a Origens? Talvez aquilo que mais trouxe notoriedade massiva ao texto – sua extrema facilidade em descrever o sentimento do autoritarismo – é o que faz dele um instrumento excessivamente grosseiro, senão completamente enganoso, para compreender o presente. Precisamos mais de uma explicação do que de uma fenomenologia para nos orientarmos. E para isso é melhor recorrer ao maior pensador político do século XX do que a uma metafísica da dominação total.
*Dylan Riley é professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Autor, entre outros livros, de Microverses: observations from a shattered present (Verso). [https://amzn.to/4oIdgba]
Tradução: Julio Tude d’Avila.
Publicado originalmente no site The ideas letter.
Notas
[i] Hannah Arendt, The Origins of Totalitarianism (Penguin Classics, 2017 [1951]), 403. Arendt escreve que “movimentos totalitários têm como objetivo, e têm sucesso nesse objetivo, organizar massas, e não classes”. De modo geral, ver o longo capítulo chamado “Uma sociedade sem classes”, 399-445.
[ii] Origins, 407–08.
[iii] Origins, 419
[iv] Origins, 431
[v] Origins, 604
[vi] Origins, 610.
[vii] Alguns dos comentadores de Arendt procuraram proteger sua teoria afirmando que ela nunca pretendeu ser uma descrição causal. Por exemplo, Tatjana Tömmel e Maurizio Passerin d’Entreves, que escrevem em “Hannah Arendt”, Stanford Encyclopedia of Philosophy (2025), 8, “Arendt não queria fornecer uma explicação causal do totalitarismo, mas na verdade uma investigação histórica de elementos que ‘cristalizaram-se em totalitarismo’”. Mas afirmações causais abundam em Origens Por exemplo, Arendt afirma na página 417 que “Para transformar a ditadura revolucionária de Lenin em um governo inteiramente autoritário, Stalin precisou primeiro artificialmente criar uma sociedade atomizada que na Alemanha nazista fora preparada por desenvolvimentos históricos”
[viii] Hans Mommsen, The Rise and Fall of Weimar Democracy, (University of North Carolina Press, 1998), 46: “…os movimentos revolucionários falharam em trazer quaisquer mudanças na distribuição do poder econômico. De fato, os sindicatos já tinham perdido tanto espaço que sobrou pouco além de lutar por uma política social compensatória. Ainda menos espetaculares foram os feitos do movimento revolucionário no setor não-industrial. Em sua preocupação em manter um fornecimento contínuo de alimentos, o MSPD (Partido Social-Democrata Maioritário da Alemanha) absteve-se de exigir mudanças profundas na estrutura da agricultura alemã e contentou-se com promessas de cooperação das classes proprietárias de terras da Alemanha. A principal vítima dessa tática foi a reforma agrária no leste da Elbia”.
[ix] Origins, 417–18.
[x] Origins, 417
[xi] OT, 485.
[xii] “Identifying the Unprecedented: Hannah Arendt, Totalitarianism, and the Critique of Sociology,” American Sociological Review 67, no. 6 (2002): 811, de Peter Baehr, estudioso da obra de Arendt, oferece a seguinte encapsulação: Totalitarismo é um termo… que descreve um tipo de regime que, insatisfeito com as ambições limitadas de despotismos clássicos e ditaduras, exige mobilização contínua de seus sujeitos e nunca permite que a sociedade se se estabilize em uma ordem duradoura e hierárquica.” Notavelmente, ele não fornece nenhuma referência textual para essa formulação.
[xiii] Origins, 604.
[xiv] Origins, 522–24
[xv] Origins, 459
[xvi] Origins, 417
[xvii] Antonio Gramsci, Selections from the Prison Notebooks (International Publishers, 1992 [1971]): 237–38.






















