Por que vamos ocupar as ruas

Por GRUPO DE AÇÃO*

Cidadãs e cidadãos que não assistirão calados mais um genocídio neste país erguido na base de genocídios

No dia 13 de junho, estaremos nas ruas para combater o governo Bolsonaro e sua política genocida. Sua postura diante da pandemia do novo coronavírus impõe seu afastamento imediato. A função elementar de um governo é proteger a população. Bolsonaro e seus seguidores zombam dos mortos e conspiram contra políticas que poderiam salvar vidas. O novo fascismo prefere churrasco, pastel, jet-ski e cavalo enquanto hospitais se enchem de filas de doentes à espera de tratamento adequado, com profissionais de saúde entregues a sua própria sorte esperando, inutilmente, recursos e políticas responsáveis.

Enquanto isto, cemitérios se enchem de mortos que poderiam ter sido evitados. O Brasil já é o novo epicentro mundial da pandemia, são mais de 30 mil mortos. Mas ao invés disso, Bolsonaro usa o tempo da República tentando salvar sua família dos braços da Justiça, demitindo ministros da saúde que não concordam com seu charlatanismo farsesco que quer enfiar goela abaixo do povo um remédio que sequer tem comprovação científica de eficácia no combate ao coronavírus.

Seus seguidores gritam “intervenção militar” porque querem calar todos que levantam a voz na tentativa de se opor à dança na beira do abismo para onde estamos sendo conduzidos pela associação do neoliberalismo com o fascismo. Não vamos assistir passivamente à transformação do país, mais uma vez, num imenso cemitério silenciado por tanques.

Alguns podem pensar que há contradição e oportunismo em lutar durante meses para a que as medidas de isolamento fossem respeitadas e sair agora às ruas. No entanto, até o momento atual defendemos e praticamos a quarentena, enquanto víamos as ruas serem tomadas por fascistas. Mas o Brasil não pode mais aguentar duas crises ao mesmo tempo: a pandemia e Bolsonaro. Uma se alimenta da outra. A única maneira de lutar contra a pandemia é derrubando este governo irresponsável. Não sairemos das ruas até que ele caia.

Agora, quando a morte toca cada vez menos as classes favorecidas, que podem pagar para serem tratadas, os barões da economia exigem voltar a seu regime de lucro e espoliação da classe trabalhadora. Alguns acreditam poder naturalizar a indiferença secular e brutal deste país com o destino de corpos negros e pobres, que a depender dos donos do poder, devem morrer sem luto e sem nome na vala comum da história.

Não lutamos pela volta da democracia que nos roubaram, pois, de fato, ela nunca existiu! Lutamos para que seja possível a existência de um país que ainda não existiu, no qual não caibam desigualdades sociais, injustiça e indiferença. Um país em que o governo não chantageie seu povo pobre, colocando-o entre a decisão perversa de escolher entre a morte econômica certa e a morte física provável. Nesse país, não cabem nem Bolsonaro, nem suas milícias. Alguns dizem que sair agora é dar ao governo o argumento que faltava para uma guinada autoritária. Mas nunca aceitaremos essa chantagem que nos fará abaixar a cabeça diante da nossa própria destruição! Nenhum povo aceitará calado a perpetuação de um governo que o leva ao matadouro!

Se você pensa como nós, venha para a Avenida Paulista no dia 13 de junho de 2020, às 14h30. Traga sua máscara, respeite a distância de dois metros entre a(o)s manifestantes, segure uma foto de uma brasileira ou de um brasileiro morto pelo covid-19 ou pela violência praticada pelo Estado, e marche contra esse governo! Nessa luta, seu desejo de justiça e igualdade fará toda a diferença.

*Grupo de Ação é um grupo apartidário e espontâneo de ativistas, artistas, advogadas, professores, profissionais de saúde, estudantes, editoras e comunicadores.