8 de março

Imagem: Elyeser Szturm

Por Camila Moreno*

Informações e recomendações sobre o Dia Internacional das Mulheres.

8 de março é dia muito difícil para todas as mulheres. Não é fácil se entender como mulher em um mundo que oprime e mata as mulheres, aguentar as piadas machistas, as “homenagens” igualmente machistas de quem não se prontifica a mudar sua postura no mundo.

Seguem então algumas informações que tod@s deveriam saber sobre essa data:

1. Feminismo é um movimento anticapitalista, que compreende que a liberdade das mulheres só será alcançada em um outro modelo de sociedade. No capitalismo poderemos ter avanços pontuais, desde que não ameacem a exploração do trabalho e a propriedade privada. Feminismo é, portanto, necessariamente luta de classe.

2. Você possivelmente já ouviu e ouvirá amanhã que o 8 de março surgiu por causa de um incêndio em uma fábrica têxtil em Nova York que matou mais de cem trabalhadoras. Ora, essa história é uma lenda que inclusive apaga a origem política e socialista do dia Internacional da Mulher, resultado de uma proposta da líder comunista alemã Clara Zetkin. no II Congresso das Mulheres Socialistas em 1910 como uma data de mobilizações pelos direitos das trabalhadoras (ela não propôs um dia definido). O 8 de março se tornou o Dia Internacional da Mulher porque nessa data, em 1917, houve uma greve de trabalhadoras russas no bojo do início da Revolução Russa.

3. Feminismo não é girl power: Agora que você já sabe que o 8 de março é uma data socialista, também deve saber que o capitalismo é inteligente e que uma vez disseminada a data tenta ressignificá-la como uma comemoração moldurada por camisetas empoderadoras e uma suposta irmandade entre mulheres. Pois é, as lojas e as grandes marcas não são nossas amigas, o que elas querem é vender.

4. Se feminismo é luta de classe, também é preciso compreendê-lo como um movimento interseccional, observando que há mulheres que são privilegiadas e mulheres que sofrem uma sobreposição e intercruzamento de opressões. Não, as mulheres não são e não podem ser tratadas como um sujeito universal. É muito importante acompanhar a contribuição das mulheres negras, valorizar o feminismo negro e agir de forma antirracista, lutando contra o racismo estrutural do dia a dia.

Como agir nesse dia?

– Nada de dar ou receber Parabéns. Tampouco presentinhos que em geral contribuem para reforçar o estereótipo de gênero. Não é uma data comemorativa. É um dia de luta.

Quer fazer algo? Leia, escute as palavras das mulheres, vá na manifestação do 8 de março da sua cidade ou se prontifique a cuidar do filho para uma mulher poder ir à manifestação ou simplesmente descansar.

Não romantize o sofrimento das mulheres. O codinome “guerreira” deriva normalmente de acúmulo de tarefas, de uma injusta divisão sexual do trabalho e de muito cansaço. Faça com que na sua esfera privada esse cansaço diminua.

Não faça do 8 de março uma data sobre as mulheres da “sua vida”: sua mãe, sua esposa, sua filha. A data não é sobre você.

Camila Moreno é mestranda em Letras na UnB e integrante do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.