Por PAULO FERNANDES SILVEIRA*
Em sua crítica aos intelectuais pós-68, Jacques Rancière questionou a posição daqueles que se apresentavam como porta-vozes das trabalhadoras, denunciando a permanência de hierarquias mesmo em movimentos que as contestavam
“O acinzentado de um céu de inverno sobre blocos de concreto ou barracos de pau a pique, tábuas e chapas metálicas podem satisfazer o viajante se lhe aparecer em pessoa um proletariado há tempos procurado e de pronto reconhecido, em sua própria estranheza, tão semelhante ao que já foi dito, lido, entendido, sonhado. Essa era a flor de jadis prometida por um texto de Mao Tsé-Tung para aqueles que aceitassem partir, deixar a cidade e os livros e desmontar do cavalo para colher a realidade viva” (Rancière, 1990, p. 8).
1.
Em meio aos acontecimentos de maio de 1968, Michel de Certeau (1968) publicou um ensaio comparando a tomada da palavra nas ações do movimento estudantil à tomada da Bastilha pelos revolucionários de 1789. A palavra dos estudantes ecoou nas assembleias e debates realizados nas universidades, liceus, teatros e museus, e se fez ouvida nas fábricas, sindicatos, passeatas, programas de rádio e televisão. Ela apareceu nos panfletos, cartazes, jornais, revistas, muros e paredes dos edifícios públicos.
Na bela interpretação de Olgária Matos, o movimento estudantil colocou em prática “uma tomada poética da cidade e da palavra” (2018, p. 166). Ao tomar a palavra, o movimento estudantil rompeu com a tradicional hierarquia acadêmica que reconhece a fala do mestre e desautoriza a de alunas e alunos.
Segundo Jacques Rancière (2018), a tomada da palavra não implica, apenas, na abertura para uma fala até então silenciada; ao se contrapor àquela partilha do discurso, que é também uma partilha do sensível, ela abre caminho para novas e imprevistas subjetivações políticas. O repúdio à hierarquia acadêmica inspira o repúdio a toda e qualquer forma de hierarquia. A marca dos movimentos realmente libertadores, sustenta Marilena Chaui, “é sempre a inclusão e a ampliação” (2018, p. 417).
Nesse sentido, um panfleto do movimento estudantil instigava a levar sua revolta antiautoritária às trabalhadoras e trabalhadores: “No curso dessa luta, que escapou a todas as organizações existentes e, justamente, porque delas escapou, os estudantes foram capazes de encontrar melhores formas de organização: ocupação dos lugares, assembleias democráticas abertas a todos e nas quais todos podem tomar a palavra, determinação de suprimir todo tipo de hierarquia nas relações sociais e de sair dos guetos universitários para encontrar o verdadeiro terreno da luta social: a produção, onde estão em confronto, de um lado, os trabalhadores e, do outro, os capitalistas e seus lacaios” (CRIU, 1968, p. 62).
No livro A lição de Althusser, publicado em 1974, Jacques Rancière (2011a) faz um balanço sobre as implicações de maio de 1968 na forma dos intelectuais se colocarem frente à emancipação.
Para Jacques Rancière, o repúdio do movimento estudantil às hierarquias se estendia, também, às “hierarquias do saber”: “O combate ideológico dos intelectuais revolucionários não consiste hoje em refutar os livros reacionários com os livros revolucionários, mas em abandonar sua especificidade de intelectuais, em relacionar-se com as massas, em ajudar a que elas mesmas tomem a palavra, em lutar contra todos os aparatos – desde o sindicato até a polícia – que entravam a livre expressão. Esta foi, sobretudo, a via escolhida pelos intelectuais que se agruparam ao redor da Esquerda Proletária e do Socorro vermelho” (2011a, p. 134).
2.
Inaugurada em 1964, num espaço precário do subúrbio, a universidade de Nanterre foi um dos estopins do movimento estudantil de maio de 1968. Nos anos 1960, Nanterre abrigava uma grande concentração de favelas (bidonvilles). Sua população era formada, fundamentalmente, por imigrantes argelinos, marroquinos, tunisianos e portugueses que trabalhavam nas fábricas e na construção civil nessa região de Paris (Cohen, 2013).
A estação de trem utilizada pelas pessoas da universidade ficava em La Folie, ao lado da maior favela de Nanterre. Numa reportagem para Radio France Internationale (RFI), David Baché (2018) procurou compreender o movimento estudantil pela visão de duas pessoas que moraram nas favelas de Nanterre. Os entrevistados são o imigrante argelino Brahim Benaïcha, que tinha 16 anos em 1968, e a militante Monique Hervo, que na época tinha 39 anos. Os dois publicaram livros sobre suas experiências nas favelas.[i]
Em seu depoimento, Brahim Benaïcha menciona atividades regulares promovidas pelos estudantes em Les Pâquerettes, favela em que ele morou com sua família, como a oferta de aulas particulares e de passeios culturais para as crianças e jovens (Baché, 2018).
Contribuiu para a criação de um forte vínculo, o fato de alguns moradores da favela, como Ali Benaïcha, irmão de Brahim, serem alunos da faculdade. Apesar desse vínculo, especialmente, com os moradores mais jovens, a favela não apoiou a radicalização do movimento estudantil.
Em 1958, trabalhando para o grupo católico do Serviço Cívico Internacional (SCI), Monique Hervo conheceu a favela La Folie. No ano seguinte, Hervo passou a morar num trailer dentro da favela, onde ficaria até a sua extinção, em 1971 (Cohen, 2013).[ii]
Monique Hervo esteve com suas companheiras e companheiros argelinos da favela na manifestação pacífica de 17 de outubro de 1961, que culminou no massacre executado pela polícia francesa (Bouzeghrane, 2019).[iii]
Sobre a relação do movimento estudantil de maio de 68 com a comunidade das favelas, Monique Hervo lamenta: “Os moradores das favelas não foram levados em consideração. Mesmo na faculdade, eram os franceses que tinham a palavra. Os moradores nunca foram solicitados a tomar a palavra, a dizer o que queriam, o que esperavam. Sempre estiveram de costas para nós, é isso! E este foi o grande fiasco: não escutar o outro” (Baché, 2018).
3.
Em sua pesquisa sobre maio de 1968, Kristin Ross (2018) argumenta que a emergência de uma nova subjetivação política passava pela escuta daquele que figurava como o Outro do intelectual militante: a trabalhadora e o trabalhador. Esse era, justamente, um dos objetivos da União da Juventude Comunista – Marxista-Leninista (UJCm-l), grupo de tendência maoísta, fundado em 1966, por Robert Linhart.
Após de maio de 1968, o grupo foi dissolvido. Suas principais lideranças criaram a Esquerda Proletária e o jornal La Cause du Peuple (Linhart, 1994). A inspiração maoísta desses grupos vinha de um discurso do comunista chinês, incluído na coletânea Cinco teses filosóficas (Mao, 2018).
Ao defender que a tarefa dos intelectuais é servir às massas de operárias e camponesas, Mao Tsé-Tung os convoca a “entendê-las e a se familiarizarem com sua vida, seu trabalho e suas ideias” (2018, p. 161). Para ilustrar essa tese, Mao Tsé-Tung (2018) cria uma metáfora: as intelectuais podem ir às fábricas e aos campos como quem vislumbra uma paisagem montado num cavalo, podem descer do cavalo e permanecer por algum tempo, pesquisando e fazendo amizades ou podem viver anos com as trabalhadoras e trabalhadores, isso se chama: estabelecer-se.
A estratégia do estabelecimento foi amplamente incorporada por diversos grupos maoístas nos anos 1970, na França e em outros países, envolvendo cerca de três mil militantes (Celentano, 2008). No livro L’établi (o estabelecido), Robert Linhart (1981) narra suas experiências como operário numa fábrica de automóveis de Paris, entre 1968 e 1969.
Para Virginie Linhart (1994), que escreveu sobre a militância dos seus pais, Nicole e Robert Linhart, o estabelecimento dos jovens maoístas nos anos 1960 diferencia-se de outras experiências particulares, como a de Simone Weil, que optou por se tornar operária em 1934, ou a dos padres operários que, seguindo princípios pastorais, foram trabalhar nas fábricas nos anos 1940.[iv]
Para o sociólogo Marnix Dressen (2015), que militou por quatro anos como estabelecido numa usina metalúrgica, existem semelhanças entre a estratégia do estabelecimento e experiências anteriores de ação direta. Uma dessas semelhanças é o emprego de enquetes nessas experiências (Dressen, 2015).[v]
Como um viajante num país desconhecido, os militantes procuram ver com seus próprios olhos e viver nas mesmas condições dos trabalhadores: “todos têm a crença implícita ou não de que a verdade não está (não ainda ou não completamente) nos livros, mas na realidade social, no sensível” (Dressen, 2015, p. 182).
4.
É nesse contexto social e político que Jacques Rancière desenvolve suas atividades de militância nos anos 1960 e 1970. Na adolescência, Rancière fez parte da Juventude Estudantil Cristã (JEC). Foi nesse universo católico que conheceu Karl Marx, indicado pelo capelão de um dos colégios onde estudou (Rancière, 2014). Em 1960, Jacques Rancière foi estudar filosofia na renomada École Normale Supérieure. No decorrer do curso, Rancière se aproximou de Jacques-Alain Miller, Jean-Claude Milner e Robert Linhart.
Com esse grupo, Jacques Rancière ajudou a reorganizar o Círculo da rua d’Ulm (Rancière, 2011a), que passou a se responsabilizar pela formação teórica dos militantes da União dos Estudantes Comunistas (UEC).
Em 1966, Jacques Rancière participou da criação da União da Juventude Comunista. Por causa de um acidente e de uma grave doença, ele não pôde participar ativamente de maio de 1968 (Rancière, 2014). Entre 1969 e 1972, Jacques Rancière (2014) militou na Esquerda Proletária com Danielle Rancière, que viria a ser sua companheira (Rancière, 2011b).
As principais atividades de Jacques Rancière na Esquerda Proletária eram editar o jornal La Cause du Peuple e distribuir panfletos e outros materiais para operários que trabalhavam em fábricas do subúrbio (Rancière, 2014).
Por ter lecionado na Universidade de São Paulo, Danielle Rancière conhecia a língua portuguesa, o que lhe permitiu realizar enquetes maoístas com operárias que falavam essa língua. Num depoimento, Danielle explica o objetivo dessa atividade: “Para redigir nossos panfletos, precisávamos saber o que acontecia na fábrica. Nossas informações vinham essencialmente por meio de um operário cabila que trabalhava na manutenção das máquinas. Ele nos dava informações preciosas sobre as condições de trabalho, o comportamento dos gerentes e as reivindicações mais frequentes das operárias, na maioria, não sindicalizadas. Mais do que um apelo à revolta, nossos panfletos procuravam liberar a palavra das operárias” (Rancière, 2011b, p. 53).
Na edição de maio de 1972 da revista Les Temps Modernes, produzida por Jacques Rancière e pelos militantes do jornal La Cause du Peuple, há uma análise dessas enquetes maoístas: trata-se de registrar as demandas, os problemas e as mais diversas questões relacionadas às trabalhadoras e aos trabalhadores.
Essas palavras eram incorporadas pelos militantes encarregados de elaborar os panfletos e os jornais para que pudessem ser lidos e discutidos pelas próprias trabalhadoras e trabalhadores. Além de estimular a liberação da palavra, essa estratégia visava fomentar a organização e a ação popular (Ross, 2018).
A inspiração para essas enquetes vem de um texto de Mao Tsé-Tung que começa com a seguinte frase: “sem pesquisa, sem direito a falar” (Mao, 2008, p. 53). Em oposição à veneração aos livros, Mao defende que a militância possua uma estratégia de pesquisa para compreender o povo. A princípio, a enquete maoísta era utilizada no campo, nos subúrbios e nas fábricas. Todavia, após a prisão de centenas de militantes da Esquerda Proletária, as enquetes passaram a registrar as palavras dos demais prisioneiros (Hoffman, 2019).
Essa iniciativa motivou Michel Foucault a organizar, com a colaboração de Danielle Rancière e de outros militantes maoístas, o Grupo de Informações sobre as Prisões (Hoffman, 2019).
Em 1975, Danielle e Jacques Rancière criam, com Jean Borreil, Patrice Vermeren e outros colegas, o coletivo Revoltas Lógicas (Vermeren, 2018). O coletivo surgiu impulsionado por duas insurreições populares: a ocupação e autogestão da fábrica de relógios LIP, por seus operários, em 1973, [vi] e a Revolução dos Cravos, levada a cabo, em 1974, pelos portugueses. A militância do coletivo visava promover reflexões sobre as revoltas emancipatórias e sobre as heranças de maio de 1968.
5.
Entre 1975 e 1981, o coletivo editou a revista Les Révoltes Logiques. Na edição especial sobre os dez anos do movimento estudantil, Danielle e Jacques Rancière (1978) escreveram o artigo “Legenda dos filósofos”. Esse título do artigo refere-se a uma foto de Jean-Paul Sartre, Michel Foucault e André Glucksmann numa manifestação popular, sua legenda era: “os filósofos estão na rua”. Em sua crítica, Danielle e Jacques Rancière questionam a posição dos intelectuais pós-1968 que se apresentam como porta-vozes das trabalhadoras e trabalhadores.
Retomando suas experiências de militância maoísta na juventude, Rony Brauman destaca a contradição que contribuiu para a autodissolução da Esquerda Proletária: mesmo defendendo o contrário, a organização interna do coletivo seguia uma rígida estrutura hierárquica (Lagarde, 2016).
De todo modo, Rony Brauman reconhece que uma parcela dos ex-militantes da Esquerda Proletária manteve seus ideais e criou outras organizações sociais de intervenção na sociedade, como o Médico sem Fronteiras.
No caso de Jacques Rancière, suas experiências de militância nos anos 1960 e 1970 influenciaram diretamente suas pesquisas acadêmicas.
*Paulo Fernandes Silveira é professor da Faculdade de Educação da USP e pesquisador do Grupo de Direitos Humanos do Instituto de Estudos Avançados da USP.
Referências
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BENAÏCHA, Brahim (1999). Vivre au paradis. D’une oasis à un bidonville. Paris: Desclée de Brouwe.
BOUZEGHRANE, Nadjia (2019). Monique Hervo. Actrice et témoin du 17 octobre 1961: une vie dédiée aux plus faibles et aux opprimés. El Watan. Disponível aqui: https://www.elwatan.com/pages-hebdo/histoire/monique-hervo-actrice-et-temoin-du-17-octobre-1961-une-vie-dediee-aux-plus-faibles-et-aux-opprimes-17-10-2019
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Notas
[i] Brahim Benaïcha publicou a biografia: Vivre au paradis. D’une oasis à un bidonville (1992); Monique Hervo publicou os livros: Bidonvilles: l’enlisement (1971) e Chroniques du bidonville: Nanterre en guerre d’Algérie, 1959 – 1962 (2001). Em 1998, Bourlem Guerdjou adaptou o livro de Benaïcha para o filme Vivre au paradis.
[ii] O site La contemporaine armazena diversas fotos de Monique Hervo (2019) e das moradoras e moradores da favela La Folie.
[iii] No ensaio “La cause d’autre”, Jacques Rancière (1997) analisa esse massacre.
[iv] Alguns padres operários, como o dominicano Jean Raguénès, acompanharam o movimento estudantil em maio de 1968 (Horn, 2015).
[v] Com objetivos pastorais, sociais e políticos, a Juventude Operária Católica (JOC), grupo que influenciou os padres operários, promovem, desde os anos 1920, enquetes que também instigam a liberação da palavra dos trabalhadores (Geerkens; Vigna, 2019).
[vi] Entre as lideranças das trabalhadoras e trabalhadores na ocupação e na autogestão da fábrica LIP em 1973, estavam alguns padres operários (Horn, 2015).





















