In(com)formação

Imagem: Kazimir Severinovich Malevich

Por MARCO SCHNEIDER*

Apresentação do autor ao livro recém-lançado

Este livro é fruto de oito anos de pesquisa, em torno das seguintes questões: que obras e autores de ética, política e epistemologia são referência na ciência da informação brasileira? De que maneiras questões éticas, políticas, epistemológicas e informacionais, como dizemos hoje, imbricam-se ou não nessas obras? Quais são os grandes temas, discussões, abordagens?

Publiquei nos últimos anos diversos artigos com respostas parciais a essas perguntas, obtidas principalmente mediante pesquisa teórico-bibliográfica e documental, mas igualmente com a realização de entrevistas, por escrito e em registro audiovisual.

Os registros em audiovisual foram feitos porque o objetivo original dessas entrevistas não era a publicação de um livro, mas a realização de um filme e de uma videoteca digital de acesso aberto, com índice onomástico e remissivo, que permitiria o acesso aos trechos das entrevistas que tratassem dos nomes e temas buscados, por palavras-chave. Em certo momento do caminho me veio a ideia do livro. Filme, videoteca e livro serão, assim, três desdobramentos da pesquisa de fundo. Filme e videoteca estão em processo de finalização, com previsão de lançamento para o último terço de 2022.

Os entrevistados deste livro são estudiosos em ciência da informação, filosofia, economia política da comunicação, sociologia e psicanálise, de sete países: Argentina, Bélgica, Brasil, Cuba, França, Inglaterra e Uruguai. São eles: Armand Mattelart, Barbara Cassin, Cesar Bolaño, Charles Feitosa, Elton Luiz Leite e Souza, Fernando Santoro, Graham Murdock, José Augusto Guimarães, Leon Capeller, Maria Nélida González de Gómez, Michel Maffesoli, Rafael Capurro e Yohanka Léon del Rio.

Colaboraram no projeto como um todo diversos orientandos meus do Programa de pós-graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) em associação com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCI Ibict-ECO/UFRJ), mais um do programa de pós-graduação em Mídia e Cotidiano, da Universidade Federal Fluminense (PPGMC-UFF), além de pesquisadores cujo estágio pós-doutoral supervisionei no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ. Seus nomes e colaborações específicas constam no livro.

Das treze entrevistas, oito ocorreram no Rio de Janeiro, uma em Niterói e as outras quatro em Havana, Cuba, por ocasião do 9º Encontro da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc Federação), em 2015.

Eu idealizei o projeto, elaborei o roteiro geral das entrevistas, com o auxílio de Gustavo Saldanha, realizei todas elas, colaborei em algumas traduções e na versão final do conjunto dos textos, pela qual assumo inteira responsabilidade quanto a eventuais problemas formais – o conteúdo é principalmente responsabilidade dos entrevistados, embora o entrevistador também tenha alguma, pela formulação das questões e pela condução da entrevista.

Naturalmente, uma pesquisa dessa natureza jamais será concluída. Porém, isso não impede aproximações e descobertas interessantes.

*Marco Schneider é professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Autor, entre outros livros, de A dialética do gosto: informação, música e política (Circuito).

 

Referência


Marco Schneider. In(com)formação: Marco Schneider entrevista. Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, 2022.

Disponível gratuitamente para download em https://ridi.ibict.br/handle/123456789/1222.