O crepúsculo da política em Minas Gerais

Imagem: Ryan Verances
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Por DIEGO EYMARD*

Romeu Zema colonizou o estado com uma lógica empresarial e aderiu ao establishment tradicional para governar, utilizando a crise econômica como justificativa moral para a austeridade seletiva

Sabemos, como bem nota Newton Bignotto (2004, p. 34), que a identidade de uma república se erige fundamentalmente a partir do momento da fundação. O momento da fundação pode ser resumido como a experiência única dada pela ação humana que produz efeitos que ultrapassam os limites imediatamente históricos destas ações, que “[…] deixam um legado imaginário e simbólico que são essenciais para a preservação dos valores que presidiram a constituição do corpo político”.

A história republicana do Brasil, podemos resumir, está intrinsecamente ligada à moderação, à articulação de bastidores e à capacidade forjada no estado de Minas Gerais, o “fiel da balança” das eleições nacionais. “Quem ganha em Minas, ganha o Brasil”, é o que o costume popular passou a entender e a verbalizar. O estado sempre foi um celeiro de estadistas voltados para o pragmatismo administrativo, como Juscelino Kubitschek e Itamar Franco.

Entretanto, o cenário político mineiro de nossos dias atravessa uma metamorfose que beira a falência estrutural de suas instituições representativas. Capturada por uma arena onde são protagonistas a semiótica digital e a performance midiática, a substância administrativa e o debate de políticas públicas estão jogados para escanteio. Não que em outras épocas esses elementos importassem muito. Na política, sempre predominou a emoção sobre a razão quando se trata desse ente misterioso e simbiótico que é o povo.

No texto que se segue, queremos nos somar aos analistas da política mineira que tentam decifrar o surgimento do que poderíamos chamar – sem querer inventar conceitos – de um populismo algorítmico que agora personifica-se na figura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aproveita o vácuo de carisma que assombra tanto a burocracia governista quanto a esquerda tradicional do estado. Por trás do espetáculo, observamos, dentre outros apontamentos, a estruturação de um projeto de poder calcado na indignação performática.

1.

São dadas a dominância do espectro de direita e centro-direita em Minas Gerais e a aceitação popular de discursos radicais. Assumindo isso, parte dos analistas políticos tem se esquecido de buscar respostas no colapso político e financeiro da gestão de Fernando Pimentel (PT), que governou o estado entre 2015 e 2018.

Um esquecimento curioso, visto que a narrativa de “terra arrasada” se tornou um ativo político repetido à exaustão durante as campanhas eleitorais de 2018 e 2022 por Romeu Zema (Novo) e seus aliados no legislativo. A retórica faz parecer que o Partido dos Trabalhadores, ou “Partido das Trevas”, como repetem os incautos que reduzem a corrupção a um único partido, teria aniquilado as finanças do Estado. A “prova” estaria nos atrasos sistemáticos de salários do funcionalismo público e na dívida herdada pelo sucessor de Fernando Pimentel.

Submetida a uma análise rigorosa, a gestão de Fernando Pimentel revela um calcanhar de Aquiles mais profundo que os discursos: o estopim definitivo para a perda de seu suporte institucional não foi a abstração de um déficit macroeconômico perante a União, mas o confisco de recursos constitucionais devidos aos municípios – uma manobra orçamentária de consequências locais devastadoras. A gestão petista instituiu mecanismos, amparados por decretos como o 47.296/2017, que retinham parcelas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e, ainda mais crítico, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

A dívida do estado de Minas Gerais com as prefeituras escalou para a marca histórica de quase R$ 12 bilhões, asfixiando a capacidade de investimento e solvência dos cofres municipais, desmuniciando os prefeitos durante o exercício de seus mandatos e, não menos importante, enfraquecendo seus projetos de permanência no poder.

Cidades do interior, altamente dependentes de transferências constitucionais, viram-se incapazes de pagar o funcionalismo público. Evidenciou-se esta dificuldade em casos generalizados de atrasos no pagamento de professores, paralisação do transporte escolar e suspensão de serviços de saúde e zeladoria urbana.

Sem dúvida, foi essa asfixia financeira nas bases que implodiu a rede de apoio de Pimentel. Prefeitos de todos os espectros políticos distanciaram-se do Palácio Tiradentes, culminando em manifestações extremadas, acampamentos de prefeitos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e pressões para impor derrotas ao governo.

A ironia da narrativa da “nova política”, no entanto, reside no fato de que Romeu Zema, ao assumir o governo em janeiro de 2019, repetiu inicialmente a mesmíssima prática predatória de seu antecessor. Apenas em seu primeiro mês de mandato, a gestão do Partido Novo confiscou cerca de R$ 522 milhões dos municípios – sendo R$ 459 milhões referentes ao ICMS e R$ 63 milhões do Fundeb. O então presidente da AMM, Julvan Lacerda, alertou publicamente que, se a prática continuasse naquele ritmo, Zema terminaria seu mandato dobrando a dívida herdada da gestão petista!

Logo, a vitória política da direita em Minas Gerais está mais numa habilidade política de estancar a sangria municipal e transformar um passivo bilionário em um ativo de marketing. Percebendo que o poder no estado se ramifica na capilaridade das 853 prefeituras, o governo estadual formalizou um acordo robusto, chancelado e mediado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

O pacto previu o parcelamento da dívida de R$ 7 bilhões em repasses atrasados e a revogação expressa do decreto que permitia as retenções. Posteriormente, o governo de Romeu Zema ainda contou com a injeção massiva de R$ 1,5 bilhão advinda do acordo de reparação assinado com a mineradora Vale, referente ao desastre de Brumadinho.

Romeu Zema, que se elegeu como outsider, rapidamente operou a transição descrita por Fernandes, Chaves e Oliveira (2024): a antipolítica que evolui de um discurso de “banimento”, entendido enquanto negação total da política, para a “colonização”. Com efeito, Romeu Zema colonizou o estado com uma lógica empresarial e aderiu ao establishment tradicional para governar, utilizando a crise econômica como justificativa moral para a austeridade seletiva.

Talvez por isso os mineiros ainda o perdoem por não ter entregue nada relevante ao estado em quase oito anos de governo. A narrativa de “terra arrasada” operou transformando uma crise fiscal em uma prova de degradação moral da esquerda, legitimando qualquer medida de austeridade posterior como um ato de purificação.

Outra ironia é o fato de que, embora pague em dia os municípios, no plano macroeconômico a dívida total de Minas Gerais continuou sua escalada, crescendo 63% sob a gestão de Romeu Zema e ultrapassando a barreira dos R$ 200 bilhões em 2025. No imaginário do eleitor e das prefeituras, o que importou foi a retomada do fluxo de caixa na ponta, solidificando o fracasso da esquerda como dogma político inquestionável, sobretudo no interior mineiro.

2.

O nome ungido pela máquina estatal para a sucessão de Romeu Zema é o seu vice-governador, Mateus Simões. Advogado com mestrado, ex-vereador de Belo Horizonte e ex-secretário-geral do governo, Mateus Simões é um burocrata de perfil técnico. Visto como a antítese do líder popular, falta-lhe a capacidade de inflamar multidões ou dialogar de forma orgânica com as classes mais populares.

Visando pavimentar seu projeto majoritário, Mateus Simões protagonizou um movimento pragmático: desfiliou-se do Novo e migrou para o Partido Social Democrático (PSD), presidido nacionalmente por Gilberto Kassab. O Novo, por suas amarras estatutárias e dimensão reduzida, não possui fundo eleitoral competitivo, tempo de rádio e televisão, tampouco a estrutura partidária que sustenta uma campanha ao governo no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

A inserção de Mateus Simões no PSD não resolveu a ausência de apelo popular e gerou turbulência interna: a legenda abrigava as pretensões do senador Rodrigo Pacheco, cortejado pelo presidente Lula para encabeçar uma chapa de “centro-esquerda” ao governo mineiro. A filiação do vice-governador foi um movimento calculado para neutralizar a candidatura de Rodrigo Pacheco.

Sem o magnetismo necessário para empolgar o eleitorado, a articulação de Mateus Simões depende quase exclusivamente do uso da máquina pública e da força coercitiva do governo. Em episódios recentes, Mateus Simões disparou mensagens a integrantes do alto e médio escalão do governo, convocando-os a se desincompatibilizarem de seus cargos no prazo legal para se candidatarem a deputados, revelando a fragilidade de uma candidatura que não consegue atrair aliados pelo convencimento ou pela inspiração.

Essa estratégia da centro-direita torna-se ainda mais precária diante da necessidade de formar uma frente ampla conservadora. Mateus Simões e o governo Zema precisam desesperadamente do Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro, liderado no estado por Domingos Sávio e por Nikolas Ferreira. No entanto, a extrema-direita nutre profunda desconfiança com o perfil excessivamente institucional de Mateus Simões.

No polo oposto à burocracia do centro e à direita hegemônica, encontra-se uma esquerda politicamente encolhida, fragmentada e, sobretudo, ideologicamente acovardada. Uma esquerda que tem medo de se assumir e dizer que é esquerda. Apesar da fraqueza em que se encontra, a esquerda mineira possui raízes históricas profundas e combativas, as quais eu mesmo, desde menino, aprendi a admirar através de familiares que lutaram contra o autoritarismo.

Essas raízes remontam, por exemplo, à resistência armada e política contra a ditadura militar nas décadas de 1960 e 1970. Podemos rememorar a Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP), o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a atuação de líderes sindicais operários nas históricas greves de Contagem e Betim, como Milton Soares de Castro. Foram esses atores que forjaram um campo progressista vibrante e inequivocamente classista do estado, que hoje se encolhe diante de seus adversários.

Mas os atuais representantes progressistas em Minas Gerais perderam a coragem de hastear suas bandeiras. O trauma do antipetismo resultou em uma paralisia da esquerda. Políticos de partidos tradicionalmente estruturados na luta de classes evitam o enfrentamento ideológico direto e empenham-se em mimetizar um discurso de centro moderado, temendo a rejeição automática da classe média e do vasto eleitorado evangélico do estado.

Por sua vez, a timidez ideológica levou a uma crise de identidade ilustrada pelas estratégias do Partido dos Trabalhadores. Em vez de formar, nutrir e bancar lideranças próprias, o PT atua nos bastidores em um esforço de terceirização do protagonismo. O partido, que hoje possui nada menos que a Presidência da República, admite que não possui nomes competitivos capazes de fazer frente à máquina governista ou mesmo à extrema-direita. Por esta razão, o próprio presidente Lula dedicou considerável capital político para seduzir figuras da centro-direita para liderarem o palanque petista em 2026.

Com efeito, a primeira grande aposta do PT foi o senador Rodrigo Pacheco, um perfil conservador e ligado a elites empresariais, mas que, supostamente, representaria moderação contra o bolsonarismo. Diante das hesitações de Rodrigo Pacheco – que teme perder a eleição e exige garantias extremas, como autonomia para pautas liberais e vultosos investimentos federais prévios –, o PT chegou até a flertar com a candidatura de Alexandre Kalil, que tenta se reerguer agora filiado ao PDT, ou mesmo com a improvável aliança com o MDB do deputado Tadeu Leite, atual presidente da Assembleia Legislativa.

Ao abdicarem da disputa aberta de valores e optarem por candidaturas de centro ou terceirizadas, as forças progressistas deixam vazio o espaço da indignação pública. Elas se retiraram para a segurança da vida privada institucional, deixando as barricadas digitais livres para serem ocupadas por populistas. Como diria Bignotto (2006), o recuo da ação pública para a esfera da vida privada gera uma apatia que corrói o tecido democrático. Estamos assistindo esta corrosão em Minas Gerais bem diante de nossos olhos.

3.

É nesse imenso vazio que surge o fenômeno do senador Cleitinho (Republicanos). Eleito em 2022 com a marca expressiva de mais de 4,2 milhões de votos, Cleitinho é o arquétipo perfeito da “política tiktoker” – um modelo representativo que tem sequestrado a política contemporânea. A definição desse modelo pode ser encontrada na subordinação absoluta da atividade parlamentar à lógica viciante dos algoritmos, em que a performance indignada sobrepondo-se à elaboração de projetos complexos.

Cleitinho opera sob uma miscelânea ideológica que atende aos anseios de uma população saturada com a classe política. Desde sua filiação política, posiciona-se como um expoente da direita conservadora. Reivindica pautas da chamada “nova direita”, defendendo genericamente a redução de impostos, cortes de privilégios da classe política e do judiciário, o enxugamento da máquina pública e a moralidade cristã. Mas sua prática discursiva no Senado e nas redes sociais recorre frequentemente a demandas que encontram eco direto nas pautas clássicas da esquerda brasileira. Como explicar Cleitinho, afinal?

Cleitinho opera o que Moraes e Fonseca (2024) definem como a lógica política do populismo: a construção performática de um povo homogêneo contra uma elite corrupta. Parece que o senador constrói o “nós” a partir do trabalhador que sofre e elege seu inimigo num “eles” mutável: ora o STF, ora a “velha política e sua escala 3×4”. O que torna Cleitinho uma quimera política – e por isto um perigo para a esquerda mineira – é sua capacidade de fundir a guerra cultural da extrema-direita com pautas trabalhistas clássicas.

Isso ficou evidente num episódio emblemático de contradição ideológica do senador. Mesmo com a oposição de parlamentares da direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Cleitinho ignorou as diretrizes de seu próprio espectro e gravou vídeos inflamados defendendo o fim da jornada. Com a voz embargada e a estética de indignação ensaiada, ele justificou seu apoio invocando a morte recente de seu pai.

Cleitinho relatou que o pai, um pequeno comerciante, passou a vida trabalhando em regimes exaustivos, perdendo Natal e Ano Novo longe da família, e morreu de câncer sem ter tido tempo de descanso. “Estou fazendo isso pelo meu pai, pelo seu pai, pela sua mãe”, bradou, vacinando sua postura contra qualquer ataque. E misturando dor pessoal com política pública, Cleitinho captura a empatia imediata das massas.

Machado e Miskolci (2019) explicam que as redes sociais transformaram a polarização política em uma “cruzada moral”. Cleitinho navega nisto com maestria: ele não entrega resultados legislativos estruturais, mas validação moral aos seus seguidores. Ele é o sintoma de uma política que desistiu de transformar a realidade para performar a revolta contra ela. O eleitorado, fascinado pela estética do combate aos privilégios, aplaude o político que vocaliza seus sentimentos, ignorando que seu discurso não se traduz em um projeto de estado coeso ou viável a longo prazo.

Enquanto a dívida global mineira asfixia o futuro do estado, forçando o governo a se ajoelhar perante o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) ou o “Propag”, o senador líder das pesquisas estaduais não relatou nenhuma grande reforma macroeconômica. Não há sequer registro de sua liderança articulando investimentos em infraestrutura para o estado, nem atuação diplomática para desatar o nó fiscal mineiro em Brasília. Sobra, então, uma inépcia política, a recusa em sentar-se à mesa de negociações adultas e a incapacidade de atrair bilhões em repasses estruturais, que cobram um preço alto do estado que o elegeu.

4.

Quando falamos em Cleitinho, falamos também em um projeto de poder familiar arquitetado a partir de pretensões hegemônicas. Através de seu reduto eleitoral em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, a família Azevedo estruturou uma dinastia política que desafia o discurso antissistema de seus próprios membros.

A família opera sob uma divisão estratégica de papéis e territórios. O vértice executivo é comandado por Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho. Eleito prefeito de Divinópolis pelo Partido Novo, ele cultiva um estilo tão extravagante quanto o do senador. Aproveitando a injeção de recursos do estado e da União viabilizada por alinhamentos políticos – como as obras do Hospital Regional de Divinópolis – Gleidson preparou o terreno para mais um salto. Depois de abandonar as conversas para compor como vice-governador na chapa de Mateus Simões, ele focou sua energia em garantir uma candidatura a deputado federal em 2026.

O terceiro eixo familiar é sustentado por Eduardo Azevedo (PL), atual deputado estadual, que herdou de forma direta o espólio político inicial de Cleitinho na Assembleia Legislativa. Se Cleitinho absorve a pauta popular e flerta com a indignação da classe trabalhadora, Eduardo ancora a família rigidamente na ideologia da extrema-direita. Cristão conservador, ele atua ferozmente nas trincheiras das pautas de costumes, como a defesa da família e da vida, e tem servido como elo orgânico dos Azevedo com o eleitorado bolsonarista.

Bem, o xadrez político que a dinastia Azevedo joga visando 2026 escancara o caráter utilitário do projeto. A indefinição de Cleitinho sobre sua candidatura ao governo estadual, adiada propositalmente para meados do ano eleitoral, é uma estratégia de barganha no mercado político. Como líder nas pesquisas, ele detém a capacidade de desidratar ou viabilizar a candidatura de Mateus Simões. Para Cleitinho, pode ser lucrativo politicamente abrir mão da cabeça de chapa, em troca de compromissos da máquina estadual para garantir a eleição de Gleidson como deputado federal e a reeleição de Eduardo como deputado estadual.

Apesar da performance antissistema, o que temos em movimento é a engrenagem mais tradicional do Brasil: a perpetuação do poder familiar através do controle de máquinas partidárias e fatias do eleitorado, regadas, desta vez, não por coronéis do café com leite, mas pelo mercado digital das plataformas.

5.

Esse mapeamento que buscamos fazer – exaustivo, eu sei – revela um estado preso a transições inacabadas, dominado por uma profunda crise de representatividade. A direita conservadora expandiu seu poder mediante a exploração do discurso de “terra arrasada”. O pacto financeiro e institucional assinado entre Romeu Zema e o municipalismo mineiro criou uma blindagem política que a esquerda, fragmentada e assombrada por sua própria imagem, tem se mostrado incapaz de romper.

Para o cidadão comum, o vácuo foi preenchido pelo espetáculo alienante da política tiktoker. A revolta canalizada contra a própria classe política, da qual Cleitinho e seus familiares são parte integrante, legitima mandatos que, do ponto de vista concreto, beiram o nada absoluto.

O projeto de falência da política em Minas Gerais é, portanto, a elevação da forma acima de qualquer substância. Enquanto a dinastia Azevedo constrói seus castelos sob a falsa bandeira da antipolítica, e a esquerda desiste de enfrentar seus adversários, o estado-pivô do Brasil entrega seu destino a políticos que amam a simbologia da virtude, mas desprezam o silencioso labor de governar.

O eleitor, julgando buscar a transparência e a vingança contra o sistema, termina por sufragar o vácuo – um ruído estridente nas redes que se dissolve miseravelmente diante dos abismos fiscais e sociais que a realidade, sempre imperiosa, impõe.

*Diego Eymard é professor de economia do Instituto Soyuz. Autor do livro Memórias da vó Dirinha. [https://amzn.to/47hFtjd]

Referências

BIGNOTTO, Newton. Problemas atuais da teoria republicana. In: CARDOSO, Sérgio (org.). Retorno ao republicanismo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004, p. 17-44.

BIGNOTTO, Newton. Das barricadas à vida privada. Nova Economia, Belo Horizonte, v. 16, n. 3, p. 459-480, set./dez. 2006.

BOMBIG, Beto; ALMEIDA, Amanda. Pacheco e Lula negociam condições do senador para selar aliança em Minas. Disponível neste link.

DA REDAÇÃO. Governo do Estado volta a atrasar repasses aos municípios de MG. Disponível neste link

FARIA, A. L. Dívida de Zema com municípios mineiros já alcança R$ 522 milhões. Disponível neste link

FERNANDES, Carla M.; CHAVES, Fernando R.; OLIVEIRA, Luiz A. Do discurso antipolítica a uma retórica de adesão ao establishment: as estratégias de Alexandre Kalil e Romeu Zema nas eleições de 2016 a 2022. Opinião Pública, Campinas, 2024.

JORGUI, Guilherme. A mensagem de Mateus Simões a integrantes do governo por 2026. Disponível neste link

MACHADO, Jorge; MISKOLCI, Richard. Das jornadas de junho à cruzada moral: o papel das redes sociais na polarização política brasileira. Sociologia & Antropologia, Rio de Janeiro, v. 9, n. 3, 2019.

MORAES, L. S.; FONSECA, P. C. D. Populismo como conceito: Teoria e História das interpretações. Revista de Economia Contemporânea, v. 28, 2024.

Pronunciamento de Cleitinho em 09/07/2025 – Pronunciamentos – Senado Federal. Disponível neste link

ROCHA, João Cezar de Castro. Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político. Goiânia: Caminhos, 2021.

ZUBA, Fernando; PAES, Cíntia. MP denuncia Pimentel e mais 4 por falta de repasse de IPVA e ICMS a municípios mineiros | G1. Disponível neste link

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