A força dos partidos

Imagem: João Nitsche

Por LUIZ GABRIEL LIMA & MONIZE ARQUER*

O desenho partidário das prefeituras e perspectivas para o segundo turno

As eleições de 2020 não acabaram e ainda precisamos esperar os dados oficiais para interpretações mais detalhadas sobre seus resultados. Apesar disso, já conseguimos traçar possíveis tendências para o segundo turno com base no que temos disponível.

Ao longo dos anos, a distribuição da força política dos partidos alterou-se consideravelmente, muito disso conectado ao contexto político nacional. Em 2020, esse padrão se repete. Os mapas abaixo mostram isso.

Começando em 2000, com PSDB na Presidência da República e DEM como um partido forte ao seu lado, eles juntos conquistaram 2016 municípios, aproximadamente 36% do total.

Já em 2012, um momento de intensa relevância do PT a nível nacional e logo após a eleição de Dilma Rousseff, sustentada pelos resultados positivos que a legenda vinha tendo entre o eleitorado, o partido, que tinha apenas 187 municípios em 2000, chega a 647 naquele ano. Porém, após o impeachment de Dilma durante seu segundo mandato e a crise política pela qual o partido passou, com a influência da Operação Lava-Jato, o PT encolhe e conquista apenas 250 prefeituras em 2016.

Esse movimento vem acompanhado de dois outros. O aumento do PSB que, ao lado do PT, conquistou espaços importantes na política nacional até 2016. E o surgimento do PSD em 2008, que atraiu diversas lideranças para a legenda, ainda recém-formada, e tem aumentado sua inserção territorial ao longo dos anos.

Em 2020, o desempenho do PSD segue chamando atenção. Até agora, com base na prévia que a tivemos acesso, o partido conseguiu eleger, aproximadamente, 20% mais prefeituras das que tinha em 2016. Ao seu lado, vem outros partidos de direita que, após longo período com resultados pouco significativos, voltam ao cenário após 2016. Hoje são atores importantes nessa disputa. Entre eles estão o DEM e o PP, que até agora elegeram, aproximadamente, 68% e 35% mais de prefeituras do que em 2016.

Com o segundo turno, no próximo domingo (29), parece que teremos o fortalecimento dessa tendência. Segundo as pesquisas de opinião que vem sido feitas nas capitais, principalmente Ibope e Datafolha, observa-se que partidos de direita, como DEM, PP e Podemos, dominam a corrida eleitoral nas capitais.

Em sete das dezoito capitais em disputa, as siglas de direita caminham rumo a vitória, como é o caso de Rio Branco (AC) e Rio de Janeiro (RJ) em que Tião Bocalom (PP) e Eduardo Paes (DEM) largam à frente com mais de trinta pontos de diferença.

Já o PSDB e MDB, diferentemente de 2016 quando conquistaram onze capitais, disputam hoje as primeiras colocações no segundo turno em pelo menos seis delas: Boa Vista (RR), Teresina (PI), Porto Velho (RO), São Paulo (SP), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS). Vale lembrar que, neste ano de 2020, os tucanos já venceram em Palmas e Natal logo no primeiro turno.

Por outro lado, quando analisamos os partidos de esquerda, como PT, PSB e PSOL, vemos que essas siglas lideram as outras cinco capitais restantes, em especial na região Nordeste. Nela, estes partidos estão na frente em quatro das sete capitais ainda indefinidas: Recife, Fortaleza, Aracaju e Maceió.

Campeões de intenções de voto

Arthur Henrique (MDB), em Boa Vista, e Tião Bocalom (PP), em Rio Branco, são os candidatos que mais pontuaram nas pesquisas para o segundo turno até agora. Ambos aparecem com mais de 60% das intenções de voto. Seguindo eles está Edvaldo (PDT), que busca a reeleição em Aracaju, o já citado Eduardo Paes (DEM) no Rio de Janeiro e Dr. Pessoa (MDB) em Teresina, os três à frente nas pesquisas com mais de 50% das intenções de voto.

Conforme apresentado nas imagens acima, cabe destacar que o segundo turno no Recife é entre dois candidatos situados à esquerda, João Campos do PSB e Marília Arraes do PT, e no Rio de Janeiro é entre dois situados à direita, Eduardo Paes (DEM) e o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Pesquisas eleitorais acertaram as primeiras colocações

As pesquisas feitas nas capitais durante o primeiro turno apresentaram resultados muito próximos ao que vimos nas urnas. As últimas previsões do Ibope acertaram as primeiras colocações de todas as capitais, com exceção de Porto Alegre (RS). No Nordeste, o instituto indicou corretamente as três primeiras colocações em todas as capitais, exceto a terceira em Teresina (PI).

Além disso, as pesquisas Datafolha, realizadas em cinco capitais, acertaram as três primeiras colocações, com exceção da segunda e terceira em Belo Horizonte (MG).  Ibope e DataFolha obtiveram seu melhor desempenho desde 2016, com erro médio próximo a margem declarada por eles.

Se as pesquisas estiverem corretas, como tudo indica, já sabemos qual o provável cenário em que amanheceremos na segunda-feira (30). No entanto, surpresas podem ocorrer. Acompanharemos atentamente os resultados e as previsões feitas pelos principais institutos.

*Luiz Gabriel Lima é graduando em Ciências Sociais na Unicamp.

*Monize Arquer é pesquisadora do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop-Unicamp) e de pós-doutorado no INCT/IDDC.

Publicado originalmente no Observatório das Eleições 2020 do Instituto da Democracia e Democratização da Comunicação (INCT/IDDC).