As ideias precisam circular. Ajude A Terra é Redonda a seguir fazendo isso.

O marxismo de John Holloway

Imagem: Leo Zhao
Whatsapp
Facebook
Twitter
Instagram
Telegram

Por JOSÉ MANUEL DE SACADURA ROCHA*

Holloway tem o marxismo como a teoria mais forte e apropriada para o autonomismo político

Desde o início, Karl Marx, nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, chamava a atenção para o duplo caráter do trabalho, dividindo-o em “trabalho alienado” e “atividade vital consciente”. Esta atividade vital consciente é a atividade “autodeterminada”, portanto, “ontocriativa”, como aquela que distingue os humanos dos demais animais. Isto se deve ao fato particularmente “surpreendente” que os humanos concebem o seu fazer antes de executá-lo, e, que, assim sendo, toda a realização humana é realmente “o presente do passado”, e o passado “o presente do futuro”.

A outra condição que nos torna humanos, está claro, é que as gerações futuras não precisam “aprender do zero” todo o manancial de informações válidas, e as que não são válidas, recorrendo apenas à observação minuciosa das formas como os elementos de seu grupo agem diante da natureza e de seus pares, ou com quem são levados a conviver. Chamamos a isto de vital para os grupos humanos porque este aprendizado contínuo e acumulativo que passa de geração a geração, como informação em um estágio sempre superior de conhecimento, realmente nos fez saltar à frente de todos os seres conhecidos, aumentando a velocidade e a quantidade da massa de ciência e tecnologia disponível a cada nova descoberta e praticidade efetivas.

Nosso DNA é espantosamente semelhante a ratos, a porcos e aos demais primatas, mas só o homem faz, neste sentido, história. Faz e desfaz: porque antecipando as suas realizações a partir de um reportório sempre mais desenvolvido de conhecimentos pode antecipar, idealizar, planejar a execução/ realização de seus objetos e objetivos, e pode modificá-los a qualquer momento, inclusive ao longo do próprio percurso de suas atividades.

O outro tipo de trabalho que Marx falava, o trabalho alienado é, diferentemente, uma determinação histórica social, e não uma condição ou potência da natureza sobre o homem, como aquela desenvolvida ao longo de milhares de anos de evolução e dinâmicas naturais: o trabalho alienado é uma construção derivada da divisão do trabalho social, quando de alguma forma a execução desse trabalho é separada da sua idealização, quando a concepção sofre uma ruptura com a execução, isto é, quando o homem é separado do objeto que constrói.

Esta ruptura que o aliena, portanto, que o desumaniza não é também uma “derivação natural” simples da divisão do trabalho, mas é uma ruptura política na base de algum privilégio, portanto de dominação de alguém ou alguns sobre alguém e os demais. Para existir trabalho alienado deve existir antes um tipo de dominação correspondente, pois a ele se impõe o poder: mas as dominações das primeiras civilizações estamentais e estatais ainda não eram exercidas exatamente como trabalho alienado no sentido marxiano. Para existir trabalho alienado deve existir algum poder sobre quem faz e o que faz, mas não necessariamente no “saber” e na “forma” como o faz.

A dominação que sempre se observou desde que os primeiros grupos humanos se organizaram socialmente, só atinge, contudo, o predicado de “alienação” diante do fenômeno de expropriação dos meios e das formas de trabalho, do saber e do poder-fazer – isto se verifica na máxima maturidade e naturalidade endêmica dentro de condições específicas da organização social econômica, quer dizer, na forma específica capitalista de produzir os víveres e os bens necessários à sobrevivência coletiva. Assim, o trabalho alienado aparece neste momento para Marx como um fenômeno intrínseco ao modo de produção capitalista e seu funcionamento de reprodução de capital[i].

Em O capital, Marx já não utiliza o mesmo vocabulário, e passa a adotar a terminologia “trabalho concreto” e “trabalho abstrato”, quanto à caracterização do duplo caráter do trabalho. Marx escreveu a Engels: “os melhores pontos no meu trabalho são os seguintes: (i) o duplo caráter do trabalho, em função de se expressar como valor de uso ou como valor de troca” (24-8-1867). Então fica claro aqui que Marx relaciona diretamente o trabalho concreto ao valor de uso das mercadorias e o trabalho abstrato ao seu valor de troca. O trabalho concreto produz valores de uso e o trabalho abstrato produz valores de troca, os primeiros como resultado do trabalho criativo-produtivo no fazer, “sem levar em conta a sociedade em que tem lugar” (HOLLOWAY, 2021, p. 693), e os segundos como trabalho “não autodeterminante” que produz valores para mercado sob a determinação de propriedade e gestão do capital, para sua reprodução ou acumulação.

De todas as formas, o que este duplo caráter do trabalho e as formas do valor das mercadorias nos diz, como fundamento seminal do pensamento marxiano, é que estas categorias abstratas estão sempre inseridas em uma forma determinada de organização social total de trabalho para a sobrevivência coletiva. A possibilidade da vida humana é dada por esta organização social determinada ao longo da história, ou da forma específica como em cada época os meios e as formas de fazer perfazem uma totalidade onde o saber acumulado e potencializado pelo homem considera possível uma certa quantidade e qualidade dos produtos necessários à sua sobrevivência.

O estágio atual desta forma de organização é do tipo mercantil, a plataforma matriz a partir da qual se erige o modo de produção capitalista, que visa, não a produzir valores de uso para sobrevivência material (e imaterial!) da sociedade, mas produz valores de troca iminentemente voltados para a transformação de tudo em capital e sua acumulação. Não se trata, desta feita, apenas de uma forma produtiva, mas dessa forma em relação a certa disposição das forças produtivas, e igualmente de uma organização intersubjetiva, quer dizer, um conjunto de relações sociais correlatas na dimensão do trabalho abstrato, e sua relação com: (a) o trabalho concreto (ou melhor, a ruptura com este); e (b) com os demais estratos da chamada superestrutura social (ou cultura).

O foco no pensamento hollowaydiano está nesta ideia aristotélica do homem que se realiza na organização social dada – na polis –, por dentro dela. Mas que se pode rebelar contra as suas formas e gestão de fazer, contra a forma mercadoria burguesa, e ir para-além da negação (HOLLOWAY, 2021), negação que se materializa no trabalho abstrato que produz a ruptura pela dominação da concepção e sua realização separada do produtor. Esta dominação específica enquanto trabalho abstrato se materializa como o que nega a autodeterminação criativa do poder-fazer (incluindo aí o saber-fazer). Afirmar que existe uma organização social histórica é afirmar o materialismo histórico de Marx, mas afirmar o contra-e-ir-além é resgatar o materialismo dialético com o qual parece que os autores no campo da esquerda cortaram relações ou o subestimaram, ao menos desde a virada do milênio, em nome de uma ortodoxia descontextualizada.

A organização social tomada pela economia política implica diretamente em resguardar o fundamento das relações sociais formativas de uma forma específica de produção e circulação de valores de troca ou mercadorias, tal como, e porquê o trabalho concreto e a confecção de valores de uso acabam sendo subsumidos nas trocas mercantis.

Mais: esta subjunção do trabalho concreto pelo trabalho abstrato, ou da “sublimação” de valores de uso pelos valores de troca, nas sociedades mercantis (neo)liberais, é a forma de permitir a alienação do fazer, mas da mesma forma, de extinguir a importância permanente daquele que faz, o trabalhador assalariado do capital – desta forma, o humano não é apenas alienado, mas literalmente deslocado do processo social de produção e circulação e, por consequência, das demais atividades vitais, as de trabalho criativas, como na educação e nas artes.[ii] O que o trabalho abstrato, alienado, não autodeterminado, executa, é uma transvaloração da idealização concreta do fazedor na base da execução abstrata do trabalho, na forma mercadoria, especializado, segmentado, setorizado cujo único objetivo é explorar um quantum de mais valor que não apenas transforma dinheiro em capital, como o amplia.

Daí, na confecção de mercadorias e sua abstração produtiva voltada à circularidade produção-troca, a percepção da organização determinada capitalista da produção-circulação e as relações sociais adjuntas, corroboradas pelas instituições políticas e jurídicas burguesas, como que “somem” ou tornam-se “transparentes”, “inexistem” no mundo real, ainda que a subsunção formal (jurídica) cristalize a forma negativa do dom e da potencialidade a ser eliminadas no trabalho abstrato. E, consequentemente, além de toda a alienação que existe no processo de trabalho capitalista, este propicia a forma mais cabal de desumanização na sua trajetória histórica-dialética.

A capacidade do modo de produção capitalista permanecer tal como se apresenta para a negação do fazer humano, seu poder-sobre o trabalho concreto, encontra seu contraditório na impossibilidade de permanecer fora da concorrência e monopolização privada, com mais ou menos aliança com o capital público (Estado). Na medida em que o capitalismo passa a desenvolver as suas contradições para o trabalho, dita, de um lado, a superprodução, e de outro, contraditoriamente, a composição orgânica do capital na base do aumento exponencial de investimento em capital fixo, ciência e tecnologia aplicada à indústria no plano global de livre-mercado.

Os fenômenos de “fetichização” e “reificação” das mercadorias, e das coisas de forma geral, são no pensamento marxiano, as formas como os humanos não se veem naquilo que executam, fora da sua concepção e dentro de uma execução sob a dominação estratégica alheia, dependem diretamente de uma inversão perversa, da negação de seu saber-fazer, para a qual se dirige a luta das classes trabalhadoras, por dentro-contra-e-além da negação intrínseca do trabalho abstrato ou valores de troca. A luta de classes é a luta contra o poder-sobre o fazer, sobre o poder-fazer, é, assim, a luta contra a forma do fazer no capitalismo e contra o capitalismo.

A luta de classes então, nesta visão menos ortodoxa, que parte da abertura plena do duplo caráter do trabalho, deve focar a dimensão de fazer, ou melhor, a negação do fazer sob o domínio da forma de reproduzir o capital, que significa que a luta de classes, e a luta da classe trabalhadora deve ser alçada à dimensão da luta contra as formas de trabalho próprias no modo de produção capitalista a partir da luta por dentro-contra-e-além de sua abstração imediata (e real) e, por consequência, do capital, diferentemente da luta de classes cujo foco é a luta contra o capital em si, o que acaba por se constituir em John Holloway, como uma luta ortodoxa pelo poder. Para John Holloway: “aqui o argumento diz que a luta revolucionária não é a luta do trabalho, mas o fazer contra o trabalho; diz, também, que a luta da classe trabalhadora é contra a sua própria existência enquanto classe, ou seja, é contra a sua própria classificação.” (HOLLOWAY, 2021, p. 702).

A partir do duplo caráter do trabalho e do duplo aspecto do valor,[iii] o autor pode distinguir o capital não apenas, como uma categoria econômica, mas, como dissemos, “como a forma historicamente específica de organização da atividade humana.” (HOLLOWAY, 2021, p. 703). Desta forma mais abrangente procura voltar a luta de classes para aspectos mais amplos e dinâmicos das conjunturas neoliberais de mercado, e sustentar as lutas históricas das classes assalariadas, na medida em que as lutas atuais possam ter como enfoques a revolta do fazer contra o trabalho, como impulso para a autodeterminação criativa e realização associativa. Essa “negação” por dentro-e-além na luta de classes, procura, fundamentalmente, evitar a hierarquia e o comando que sempre reproduz as instituições e os institutos, os aparelhos e os aparatos constitutivos do poder, os sindicatos, os partidos, as associações de classes, espelhadas nos parlamentos e nas negociações do poder. Diante do fato irrecusável que o sistema capitalista é a própria dominação endêmica do trabalho concreto e dos valores de uso, a luta da massa de trabalhadores deveria ser, deste ponto de vista, não exatamente a luta contra o capital, mas contra as formas de fazer do capitalismo, colocar o antagonismo no mesmo processo do agir, e diz John Holloway, “não como uma possibilidade, mas sim como uma parte inevitável do viver.” (2021, p. 703).

Neste diapasão, John Holloway não apenas rivaliza e contrapõe-se ao cognitivismo operaísta[iv] de Hardt e Negri (2006), como, a nosso ver, avança nos paradigmas da razão mais individualista do identitarismo (FRASER, 2019), principalmente, quanto a certa leitura do movimento operário contemporâneo do ponto de vista do obreirismo reformador da tradição na base da precarização dos novos trabalhadores urbanos,[v] argumentando que “nossos movimentos são a crise do trabalho abstrato e o resultado dessa crise depende do (sic)[vi] futuro do mundo.” (HOLLOWAY, 2021, p. 705).

Tal é, em curtas palavras, a conformação vital das categorias marxianas do autor, dirimindo a dúvida da importância atual de Marx para a sociologia e a política críticas do neoliberalismo e da hegemonia da economia burguesa, reforçando-se o marxismo como a teoria mais forte e apropriada para o autonomismo político antiglobal “fissurar”[vii] a hegemônica estrutura econômica-cultural capitalista, no campo das lutas emergentes e insurgência concreta do direito à autodeterminação de comunidades e povos, e da abrangência das presentes lutas ambientais, conservacionistas, anticapitalistas e antiestatais para o campo da esquerda.[viii]

*José Manuel de Sacadura Rocha é doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor, entre outros livros, de Antropologia jurídica: para uma filosofia antropológica do direito (Elsevier).

Referências


BONNET, Albert. Antagonismo e diferencia: la dialéctica negativa y el posestructuralismo ante la crítica del capitalismo contemporáneo. In: Holloway, John; Ponce, Fernando Matamoros; Visquerra, Sergio Tischler (Org.), Negatividad y revolución: Theodor W. Adorno y la política, Universidad Autónoma de Puebla; Herramienta Ediciones, Buenos Aires, 2007, p. 37-72.

HOLLOWAY, John. As fissuras e a crise do trabalho abstrato. Revista direito e práxis, Rio de Janeiro, Vol. 12, N.01, 2021, p. 687-706. Trad. De Gustavo Moura de Oliveira e Paula Monique Kunzler Schneider.

HOLLOWAY, John. Agrietar el capitalismo. El hacer contra el trabajo, Buenos Aires: Ediciones Herramienta, 2011 (https://amzn.to/3qDkzIZ).

HOLLOWAY, John. Autonomismo positivo y negativo. In Holloway, John; Ponce, Fernando Matamoros; Visquerra, Sergio Tischler (Org.), Negatividad y revolución: Theodor W. Adorno y la política, Universidad Autónoma de Puebla; Herramienta Ediciones, Buenos Aires, 2007, p. 89-93.

HOLLOWAY, John. Mudar o mundo sem tomar o poder. São Paulo: Viramundo, 2003.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Império. 8ª. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

FRASER, Nancy. O velho está morrendo e o novo não pode nascer. São Paulo: Autonomia Literária, 2019 (https://amzn.to/3P2KfYT).

JAPPE, Anselm. Crédito à morte. São Paulo: Hedra, 2013 (https://amzn.to/3P4Jyyr).

MARX, Karl. Crítica do programa de Gotha. In: Marx e Engels: obras escolhidas. V.2. São Paulo: Alfa-ômega, 1984 (https://amzn.to/44bGRzn).

MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Boitempo, 2015 (https://amzn.to/3R3lJbJ).

Notas


[i] A forma como tal se dá nas eras mais antigas e mais atrás nos primórdios da humanidade, a forma como as primeiras tribos constituíram os primeiros assentamentos com embriões de estamentos e atividades vitais hierarquizadas de dominação, ainda é campo pesquisado pelos antropólogos e arqueólogos modernos. Mas se alguma distinção na atribuição de atividades derivou para o campo da dominação, e desta para a expropriação de um saber coletivo e propriedade dos meios de fazer, só pode ter sido a partir da politização consciente de uma idealização cerebrina da observação mais natural das distinções observadas entre os seres naturais, da natureza e seus ambientes. Ao contrário do que idilicamente conjeturamos, a natureza é diferença e força. Por este motivo, diga-se desde logo, que a “distinção”, na linha do pensamento de Foucault e Deleuze, que se propôs nos ardores e das desilusões acadêmicas e práticas da década de 1960 do século passado, pareceram desnecessárias e mesmo perniciosas para o conhecimento crítico, objetivo não instrumental, dentro do pensamento da Teoria Crítica de Adorno e os demais membros da Escola de Frankfurt. Ver a respeito do enlace entre o pensamento de John Holloway, e a contraposição entre Adorno, Foucault e Deleuze: BONNET, Albert. “Antagonismo e diferencia: la dialéctica negativa y el posestructuralismo ante la crítica del capitalismo contemporáneo”, In Holloway, John; Ponce, Fernando Matamoros; Visquerra, Sergio Tischler (Org.), Negatividad y revolución: Theodor W. Adorno y la política, Universidad Autónoma de Puebla; Herramienta Ediciones, Buenos Aires, 2007, p. 37-72.

[ii] Engels, em conhecida passagem em nota de rodapé à quarta edição d’O Capital para a língua inglesa, refere-se ao “labor” nos seguintes termos: “O trabalho que cria valores de uso e é determinado qualitativamente é chamado de work, em oposição a labour; o trabalho que cria valor e só é medido quantitativamenbte se chama labour, em oposição a work.” (O Capital, 2015, Boitempo, 2015: nota 16, p. 124). Seguimos a seguinte orientação: “trabalho” é aqui aquele imposto fora das condições de autodeterminação dos fazedores, que Engels chama de labour, e que corresponde a certa quantidade de valor ou valor de troca; usaremos a expressão “fazer” no sentido genérico de potência de idealizar e um poder executar, uma junção, portanto, qualitativa pensando-se em termos de valor de uso.

[iii] Neste sentido, a argumentação de Anselm Jappe, que “Marx hesitou, desde suas obras de juventude até seus últimos escritos, como a Crítica do Programa de Gotha (1875), entre o programa de uma libertação do trabalho (portanto, através do trabalho) e o de uma libertação em relação ao trabalho (portanto, libertar-se do trabalho). Sua crítica da economia política contém uma ambiguidade profunda no que diz respeito ao trabalho.” (JAPPE, 2013, p. 135), parece-nos extensivamente exagerada; mas é aqui, neste limiar, se Marx deixou dúvidas ou não quanto ao “futuro do trabalho” e à forma do inevitável “esgotamento do trabalho abstrato”, que se dá a diferenciação entre o cognitivismo hollowaydiano e o pensamento da crítica do valor de Kurz e Jappe.

[iv] Sem dúvida, existe no pensamento de Holloway um “germe” de uma “ética da personalidade” quanto a uma ruptura radical dos valores notadamente quando se afasta, no plano das lutas obreiras, da “ditadura do proletariado” e de qualquer poder nos moldes das formas estatais autocráticas. A destacar que Holloway se considera parte da tradição autonomista ou operaísta, mas propondo uma inversão, onde o vanguardismo põe a luta de classes, voltar às análises do capital e da dominação. HOLLOWAY, John, “Autonomismo positivo y negativo”. In Holloway, John; Ponce, Fernando Matamoros; Visquerra, Sergio Tischler (Org.), Negatividad y revolución: Theodor W. Adorno y la política, Universidad Autónoma de Puebla; Herramienta Ediciones, Buenos Aires, 2007, p. 89-93.

[v] Veja-se: ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2011; BRAGA, Ruy. A política do precarizado: do populismo à hegemonia lulista. São Paulo: Boitempo, 2012.

[vi] Se aqui se troca-se “do” pelo “o”, o futuro do mundo, para bem dizer, é que dependeria do resultado da crise, e não o contrário como está dito, o resultado da crise pelo futuro do mundo.

[vii] Refere-se à publicação do autor, “Fissurar o Capitalismo”, da mesma época da publicação do artigo que no presente trabalho nos serviu de base (2011). Em inglês: “Crack Capitalism”, London: Pluto Press, 2010; em espanhol: “Agrietar el capitalismo. El hacer contra el trabajo”, Buenos Aires: Ediciones Herramienta, 2011.

[viii] Serviu-nos de base o artigo de John Hollway, “As fissuras e a crise do trabalho abstrato”, Revista direito e práxis, Rio de Janeiro, Vol. 12, N.01, 2021, p. 687-706. Tradução de Gustavo Moura de Oliveira e Paula Monique Kunzler Schneider. O original foi publicado em 2011, quando o autor preparava o seu livro em inglês “Crack Capitalism”, para a língua espanhola, pela editora Bajo Tierra Ediciones/ Sísifo, México.


A Terra é Redonda existe graças aos nossos leitores e apoiadores.
Ajude-nos a manter esta ideia.
CONTRIBUA

AUTORES

TEMAS

MAIS AUTORES

Lista aleatória de 160 entre mais de 1.900 autores.
André Singer Alexandre Aragão de Albuquerque José Machado Moita Neto Julian Rodrigues Luis Felipe Miguel Jean Marc Von Der Weid Caio Bugiato Ricardo Fabbrini Luiz Eduardo Soares Kátia Gerab Baggio Gilberto Maringoni Vanderlei Tenório Heraldo Campos Vinício Carrilho Martinez Plínio de Arruda Sampaio Jr. Celso Frederico Daniel Afonso da Silva João Adolfo Hansen Carlos Tautz Gabriel Cohn Jorge Luiz Souto Maior Rafael R. Ioris José Costa Júnior Afrânio Catani Flávio R. Kothe José Geraldo Couto Marilena Chauí Alexandre de Lima Castro Tranjan Salem Nasser Leonardo Boff Leonardo Avritzer João Carlos Loebens Ricardo Musse Ladislau Dowbor Marcos Aurélio da Silva Tales Ab'Sáber Andrew Korybko Otaviano Helene Lorenzo Vitral Paulo Martins Claudio Katz Marcos Silva Milton Pinheiro Carla Teixeira Walnice Nogueira Galvão Luiz Werneck Vianna Eugênio Trivinho Marcelo Guimarães Lima Mariarosaria Fabris Ricardo Abramovay Elias Jabbour Luiz Costa Lima Ronaldo Tadeu de Souza Luiz Roberto Alves Paulo Sérgio Pinheiro Henry Burnett Vladimir Safatle Dênis de Moraes Eleutério F. S. Prado Airton Paschoa Valério Arcary Mário Maestri Fábio Konder Comparato Érico Andrade Manchetômetro Gilberto Lopes Fernando Nogueira da Costa Slavoj Žižek Bruno Machado Boaventura de Sousa Santos Thomas Piketty Ari Marcelo Solon João Carlos Salles Armando Boito Rodrigo de Faria Osvaldo Coggiola Michael Löwy Annateresa Fabris Atilio A. Boron Henri Acselrad Yuri Martins-Fontes Alexandre de Freitas Barbosa Liszt Vieira Flávio Aguiar Antônio Sales Rios Neto Leda Maria Paulani Paulo Capel Narvai Benicio Viero Schmidt Ricardo Antunes Michael Roberts Fernão Pessoa Ramos Sandra Bitencourt Sergio Amadeu da Silveira Marilia Pacheco Fiorillo Berenice Bento João Paulo Ayub Fonseca Antonio Martins José Dirceu Ronald León Núñez Celso Favaretto Bruno Fabricio Alcebino da Silva Remy José Fontana Francisco Pereira de Farias Ronald Rocha Lincoln Secco André Márcio Neves Soares Priscila Figueiredo Bento Prado Jr. Eugênio Bucci Rubens Pinto Lyra João Lanari Bo Denilson Cordeiro Bernardo Ricupero Dennis Oliveira Luiz Marques José Micaelson Lacerda Morais Paulo Nogueira Batista Jr Tadeu Valadares Luiz Bernardo Pericás Igor Felippe Santos Marjorie C. Marona Tarso Genro Everaldo de Oliveira Andrade Alysson Leandro Mascaro Jean Pierre Chauvin Chico Whitaker Eliziário Andrade Chico Alencar Antonino Infranca Luís Fernando Vitagliano Valerio Arcary Marcus Ianoni Marcelo Módolo Roberto Bueno Paulo Fernandes Silveira Eduardo Borges Francisco Fernandes Ladeira Luiz Carlos Bresser-Pereira Roberto Noritomi José Raimundo Trindade Daniel Brazil Renato Dagnino Luiz Renato Martins Juarez Guimarães João Sette Whitaker Ferreira Samuel Kilsztajn José Luís Fiori Gerson Almeida Lucas Fiaschetti Estevez Manuel Domingos Neto Daniel Costa Jorge Branco Luciano Nascimento Eleonora Albano Anderson Alves Esteves Francisco de Oliveira Barros Júnior Anselm Jappe João Feres Júnior Maria Rita Kehl Leonardo Sacramento

NOVAS PUBLICAÇÕES

Pesquisa detalhada