As ideias precisam circular. Ajude A Terra é Redonda a seguir fazendo isso.

Usos políticos do futebol brasileiro

Imagem: Denniz Futalan
Whatsapp
Facebook
Twitter
Instagram
Telegram

Por JEFFERSON NASCIMENTO*

Bolsonaro e seu grupo político conseguiram estabelecer relações eficientes para instrumentalizar instituições, dirigentes e atletas ligados ao futebol

O futebol é um poderoso mercado, valioso produto e sua capacidade de sedução pode ser instrumentalizada politicamente. Porém, enquadrá-lo apenas desse modo obscurece as lutas emuladas pelo jogo, as causas incorporadas em diversos clubes e grupos torcedores, além de ignorar o papel da classe trabalhadora e setores populares na fundação de clubes, profissionalização e consolidação do esporte. Contudo, seria ingênuo ignorar a mercantilização acentuada diariamente e os usos políticos frequentemente impopulares.

Neste sentido, o texto trata das interações entre Jair Bolsonaro, seu grupo político e os dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Clube de Regatas Flamengo para a utilização dessas entidades. Nada aqui é revelação; mas, a partir da publicação da matéria de Juca Kfouri sobre a parceria da Crefisa com o INSS,[i] fica evidente um quadro da utilização de elementos da cultura popular, como o futebol, para a conexão entre as lideranças bolsonaristas e sua base.

Eleições de 2018

Uma das menções de Jair Bolsonaro ao futebol era a promessa da extinção de patrocínios da Caixa Econômica Federal[ii] a clubes de futebol e os vínculos com o esporte eram demonstrados, em termos de simpatia eleitoral: em comemorações de gols, como fez Diego Souza (à época no São Paulo FC); em postagens em redes sociais de jogadores como Lucas Moura, Alexandre Pato, Neymar e outros; e em entrevistas como fizeram o técnico Luiz Felipe Scolari – que já havia elogiado Augusto Pinochet – e o atleta Felipe Melo. O Athletico Paranaense, cujo dirigente Mario Celso Petraglia era apoiador notório, ordenou aos atletas entrarem com a camisa da campanha bolsonarista, gerando a multa de R$ 70 mil ao clube.

Até ali, não se sabia a extensão do vínculo entre Jair Bolsonaro e o alto escalão do futebol brasileiro, para além desses acenos. O discurso, no entanto, seguindo uma linha coerente ao receituário neoliberal de seu “superministro” Paulo Guedes, era a separação entre o Estado, como coisa pública, e as entidades de futebol que são privadas, apesar da maioria associativa e teoricamente sem fins lucrativos.

Pouco depois das eleições, Jair Bolsonaro esteve em campo na premiação e ergueu a taça de campeão brasileiro de 2018 conquistada pelo Palmeiras. Chamava a atenção que um presidente ainda não empossado recebesse tal honraria. Houve quem dissesse que o convite partiu da CBF, mas o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, afirmou tê-lo convidado. Disse ele: “Convidamos o presidente eleito, grande palmeirense que se emocionou muito. Deu a volta com os jogadores. Foi um dia muito feliz para todos nós. Voltamos a ter o Palmeiras no devido lugar”.

Leila Pereira (dona da patrocinadora Crefisa) publicou uma foto junto a Jair Bolsonaro com a legenda: “Vejam só quem está por aqui. Jair Bolsonaro é o primeiro Presidente a acompanhar o jogo do Verdão no Allianz Parque. Foi uma honra colocar nossa faixa de Decacampeão em nosso Presidente Jair Bolsonaro”. Na ocasião, Jair Bolsonaro encontrou em campo e no vestiário com apoiadores, como Felipe Melo e Luiz Felipe Scolari, que lhe prestaram continência. Reforçando a origem do convite, Jair Bolsonaro disse: “Esta é uma festa ímpar para mim. Agradeço à direção [do Palmeiras] pelo convite. Dizem que na democracia o rodízio é bem-vindo. No futebol, só na churrascaria”. [iii]

A CBF no período

Em 2019, assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Rogério Caboclo. Uma das tarefas do mandatário era recompor a “bancada da bola” após a primeira eleição nacional sem a doação empresarial, inviabilizando o financiamento indireto por meio dos patrocinadores – a doação de campanha por clubes e federações já havia sido vedada. As estratégias já testadas para este fim foram: oferta de cargos, beneficiando o ex-deputado Walter Feldman, assessores parlamentares, o então deputado Marcelo Aro (atualmente filiado ao Progressistas – PP) e outros; ofertou chefias de delegação em amistosos internacionais e competições; e ofereceu presentes (camisas oficiais autografadas, ingressos, convites para camarotes e outros).

A nova composição contou, dentre outros, com Fabio Mitidieri (PSD), presidente da Comissão do Esporte na Câmara (2019-2020); o ex-goleiro Danrlei Hinterholz (PSD); o ex-árbitro Evandro Rogério Roman (PSD); Darcísio Perondi (MDB), irmão do ex-presidente da Federação Gaúcha; o ex-presidente do Vitória EC, José Rocha (PL); e o ex-presidente do Sport Recife, Luciano Bivar – presidiu o PSL (ex-partido de Bolsonaro) e preside o União Brasil (fusão PSL/Democratas).

Governo Bolsonaro (2019-2022)

De fato, os patrocínios da Caixa foram suspensos; a MP nº 984/2020, conhecida como MP do Mandante ou MP do Flamengo foi apresentada; o governo apoiou a Lei nº 14.193/2021, de autoria do senador Rodrigo Pacheco, que instituiu a Sociedade Anônima de Futebol (SAF), regulamentando uma nova modalidade de clube-empresa. A MP do Mandante expirou sem ser votada, mas o Executivo Federal enviou o Projeto de lei nº 2336/2021 que, alterando pouco a MP, resultou na Lei 14.205/2021 ou Lei do Mandante,[iv] quanto à SAF, o presidente sancionou a Lei vetando apenas mecanismos de tributação específicas que, em tese, contrariavam a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Interações entre governo e entidades do alto escalão do futebol

Jair Bolsonaro e Rogério Caboclo demonstravam proximidade. Na Copa América de 2019, Jair Bolsonaro esteve em camarotes da CBF e em campo durante a premiação dos atletas e comemoração do título conquistado pela Seleção, repetindo o que fez no título do Palmeiras. Em 2021, o governo auxiliou a CBF na transferência da Copa América para o Brasil, em meio à pandemia de Covid-19. Além disso, Jair Bolsonaro se incomodou com a ameaça de boicote dos principais jogadores da seleção à Copa América e, segundo matérias da época, obteve de Rogério Caboclo a promessa de substituir o técnico Tite por Renato Gaúcho, que demonstrou apoio ao bolsonarismo. Caboclo caiu antes, acusado de assédio. A atuação nos bastidores do secretário nacional de futebol do governo Jair Bolsonaro, Ronaldo Lima, não reverteu o quadro na CBF.

Entretanto, a questão não é meramente simbólica. Há relações materializadas em decisões políticas. A MP do Mandante expirou devido às discordâncias de membros da “bancada da bola”, de clubes de futebol e à insatisfação do Grupo Globo, principal detentor de direitos de transmissão de futebol. De certo modo, além de ferir os interesses mencionados, a proposta surgia sem negociações mais amplas com atores decisivos do futebol.

Os ajustes feitos para a Lei do Mandante ofereceram segurança jurídica à Globo e agradavam os clubes em dois pontos: (1) financeiramente era racional não comprar briga com o Grupo Globo para a maioria dos clubes e para a CBF – que ainda organiza as principais competições nacionais; (2) politicamente era interessante manter o Sindicato dos Atletas em boas condições de atuar. Os sindicatos de atletas no Brasil, no geral, são poucos combativos, sem o histórico de grandes mobilizações contra CBF, federações e clubes e são caracterizados pela baixa rotatividade de lideranças e baixa adesão dos atletas. Logo, a experiência da CBF e dos clubes orienta a permanência da atual estrutura sindical, conferindo previsibilidade nas relações trabalhistas. A unicidade sindical limita a constituição de novos sindicatos da categoria em uma mesma base territorial. Com a MP, esses sindicatos de atletas teriam dificuldades para se manter, pois uma das principais fontes de renda dos sindicatos é a taxa de administração dos direitos de imagem. A lei manteve o pagamento via sindicato e garantiu essa taxa de administração.

Enquanto permaneceram as arestas durante a MP, o impasse foi usado pelo Flamengo, sem contrato vigente no Campeonato Carioca de 2020, para transmitir e negociar individualmente seus jogos, independente de anuência dos adversários. Em reação, o Grupo Globo rescindiu o contrato com todos os clubes da competição. A rápida ação do rubro-negro carioca reforçou a impressão de que os encontros de Jair Bolsonaro com Rodolfo Landim, presidente flamenguista, antes da edição da MP não foram coincidência. Daí a alcunha “MP do Flamengo”. Outro interessado na MP era o Athletico Paranaense, que também transmitiu jogos em canal próprio pelo YouTube e já estava sem contrato integral com o Grupo Globo na ocasião.

No caso de Landim, a aproximação com Bolsonaro não se limitou à MP: Bolsonaro frequentava jogos do Flamengo e Landim foi cogitado como vice-presidente de Bolsonaro para campanha de 2022. Diante da repercussão e das pressões sofridas, a ideia foi abandonada, mas Landim foi indicado pelo governo Bolsonaro à presidência do conselho de administração da Petrobras. Essa proximidade não é trivial. Bolsonaro que se dizia palmeirense e simpatizante do Botafogo no Rio de Janeiro, se aproximou do Flamengo ao longo do seu mandato, culminando na presença em comemorações rubro-negras dos títulos de 2022 (Copa do Brasil e Libertadores), em pleno período eleitoral, como fizera com o seu Palmeiras (2018) e com a Seleção (2019).

O esforço neoliberalizante não é sinônimo de retirada dos assuntos do futebol da agenda, assim como as teorias neoliberais não preconizam o laissez-faire. Porém, há correlações que nos permitem questionar a participação indireta do governo de Jair Bolsonaro no futebol, inclusive com efeitos econômicos. Na seção seguinte, menciono as relações da família Bolsonaro com o Banco de Brasília S/A (BRB), patrocinador master do Flamengo e cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal, sob chefia do aliado bolsonarista Ibaneis Rocha; também destaco alguns pontos da parceria que dificilmente seriam aceitos a partir de regras estritamente mercadológicas.

BRB, família Bolsonaro e as polêmicas no projeto Nação BRBFla

Jair Bolsonaro e Ibaneis Rocha, apesar de rusgas durante a pandemia da Covid-19, são aliados e dividiram palanque nas eleições de 2018 e 2022. Logo no início de seus mandatos em 2019, Bolsonaro atendeu uma demanda de Ibaneis e assinou um reajuste de 8% para as forças de segurança do Distrito Federal, mesmo defendendo uma política econômica austera sem reajustes para os demais servidores federais. As rusgas que surgiram durante a pandemia, quando a popularidade de Jair Bolsonaro despencava, foram superadas em 2021 quando o presidente liberou recursos do orçamento secreto indicados por Ibaneis Rocha para a compra de veículos e máquinas para o Distrito Federal (DF) e para o estado da família do governador do DF, o Piauí.[v]

O jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira, assumidamente flamenguista, denunciava em 2020 que o acordo com BRB foi firmado em um cenário de proximidade entre Bolsonaro e Landim, Bolsonaro e Ibaneis (o DF detém a maioria das ações do BRB) e Ibaneis e o Flamengo, destacando que o governador é flamenguista, frequentava estádio e há quem diga sonha presidir o rubro-negro. A parceria com o clube da Gávea começou no ano anterior (2019) com o patrocínio ao Basquete do Flamengo.

O banco também patrocina as duas equipes que representam o Distrito Federal no Novo Basquete Brasil (NBB), Cerrado e Brasília. Tal situação gerou questionamentos, uma vez que o Brasília foi o principal rival do Flamengo nos anos 2010, antes da retomada do protagonismo do Franca Basquete. Ibaneis Rocha respondeu afirmando que 60% da população brasiliense torce para o Flamengo. Ao abordar a questão, Mauro Cézar questionou: “Próximo de ambos [Bolsonaro e Ibaneis], o Flamengo conquista novo patrocínio, mais na política do que no marketing ou no marketing político”.[vi]

Daria para argumentar que, sendo Ibaneis flamenguista, o uso do BRB poderia ser decisão exclusiva dele. No entanto, além das relações no mínimo duvidosas entre o BRB e a família Bolsonaro, é preciso mencionar o presidente do BRB nomeado por Ibaneis Rocha: Paulo Henrique Costa. A missão de Paulo Henrique Costa era ampliar a marca BRB para além de Brasília (já que o banco conta com agências em outros locais), sendo um dos cogitados pelo governo federal para substituir o presidente do Banco do Brasil André Brandão, quando este colocou o cargo à disposição em 2021.[vii] PH, como é conhecido o presidente do BRB, viu sua indicação perder força quando explodiu a notícia do empréstimo de R$ 3,1 milhões do BRB para Flávio Bolsonaro adquirir uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília. O empréstimo ocorreu com taxas entre 3,65 e 4,85 ao ano.[viii] PH permanece na presidência do BRB até hoje.

A parceria com o Flamengo chama atenção por não se tratar apenas do patrocínio master da camisa rubro-negra. Parte da promessa de grandes ganhos, sobretudo para o Flamengo, decorre da criação da plataforma digital Nação BRBFla, em que o Flamengo e o BRB teriam 50% das ações cada. Até junho deste ano, as perdas totais com a plataforma resultaram em prejuízo de R$ 455 milhões ao BRB. Há ainda 25,9% dos empréstimos com atraso superior a 90 dias e 19,2% com atraso entre 15 e 90 dias, podendo causar mais R$ 295 milhões de prejuízos com empréstimos e cartões de crédito da plataforma. O Flamengo não entrou com contrapartida financeira e recebe os valores firmados pelo patrocínio (a última renovação rendeu R$ 22,5 milhões apenas por seis meses).

Segundo Rodrigo Mattos,[ix] a ideia é que as partes assinem uma parceria mais duradoura, após esse contrato de seis meses, definindo o exato modelo do banco digital e a entrada ou não de um sócio minoritário. A expectativa era que a plataforma digital rendesse cerca de R$ 1 bilhão quando ocorresse o IPO (oferta pública inicial de ações), dividido em partes iguais. Porém, essa expectativa alardeada pelo BRB e pelo Flamengo era questionada por acionistas do banco que reclamavam a falta de transparência sem a publicação do Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE).[x] Diante desse cenário, o banco está buscando parceiros interessados em adquirir parte da carteira de crédito da plataforma para reduzir os prejuízos já divulgados. Os problemas não param por aí: o banco perdeu metade do seu valor de mercado (de R$ 9,3 para 4,7 bilhões) entre 2021 e 2023 e está na mira do Banco Central por lançamentos indevidos no balanço.

A alegada maior exposição e popularidade da marca BRB não resultou no período em ganhos financeiros e a mesma gestão que fechou os acordos com o Flamengo está em xeque por problemas contábeis.[xi] O Flamengo, por sua vez, diz ter uma proposta de R$ 85 milhões anuais da Pixbet (setor de apostas) para assumir o patrocínio master no lugar do BRB (cujo o último contrato foi equivalente a R$ 45 milhões anuais); mas, ainda assim, a Pixbet seria o plano B. A prioridade é manter o BRB como patrocinador master pela expectativa de ganhos com a plataforma digital Nação BRBFLA e por um reajuste na renovação do patrocínio.[xii] Vejamos como se dará a negociação depois dos números negativos tanto da plataforma digital quanto do BRB como um todo.

Crefisa e o rentável contrato firmado pelo governo Bolsonaro usando o INSS

É preciso ser justo, a Crefisa firmou contrato de patrocínio com o Palmeiras muito antes de Jair Bolsonaro ser considerado presidenciável; também é preciso admitir que a financeira e a Faculdade das Américas (FAM), dos mesmos donos, ficaram mais conhecidas após o patrocínio – como esperado. As duas empresas fazem parte do grupo de propriedade do casal José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, eleitos conselheiros do clube alviverde em 2017.

A relação começou com um acordo de R$ 23 milhões por ano, assinado em novembro de 2014 para vigência a partir de 2015 e, desde o início, a Crefisa contratou diversos atletas cujo valor pago foi (ou será) devolvido após a venda sem juros ou correção monetária, além de empréstimos para pagar dívidas no início da parceria (pagos por novas ativações de patrocínio ou em dinheiro sem juros).

Em 2017, José Roberto Lamacchia reconheceu em entrevista a Mauro Cézar Pereira que o valor do patrocínio superava o valor de mercado (as propostas de patrocínio ao clube giravam em torno de R$ 17 milhões quando a parceria começou). Apesar do acordo inicial, estima-se que os parceiros investiram no total cerca R$ 300 milhões nas três primeiras temporadas. [xiii] O novo contrato, vigente até 2024, prevê valores fixos anuais de R$ 81 milhões e variáveis relacionadas ao desempenho esportivo, podendo chegar até R$ 136 milhões no ano, e o empréstimo de uma aeronave da Placar Linhas Aéreas (também do casal) sem cobrança de aluguel.

Em termos de resultados, a FAM multiplicou a quantidade de estudantes matriculados e a Crefisa aumentou o lucro líquido de cerca de R$ 750 milhões em 2014 para R$ 1,1 bilhão em 2016, mas de 2019 a 2021 caiu de R$ 806 para R$ 267,1 milhões. Além da popularização das marcas pelo patrocínio, é preciso considerar elementos contextuais: a FAM contou com a ampliação dos cursos permitidos e a flexibilização das regras nas modalidades Ensino à Distância (EaD) e semipresencial; a Crefisa se beneficiou da estratégia de créditos para servidores públicos, aposentados e pensionistas negativados e sem margem para consignado além da elevação da taxa básica de juros (principalmente entre 2015 e o início de 2016) no cenário de crise do país e maior endividamento das famílias. Apesar da queda nos lucros nos anos de pandemia (onde a crise poderia sugerir maior busca pelo crédito no contexto de novo aumento da taxa de juros), o patrimônio da financeira continuou aumentando.

Reitero: a relação Crefisa-Palmeiras antecede à consolidação do bolsonarismo. O sucesso dessa parceria e seus resultados esportivos não se devem à Jair Bolsonaro; ao contrário, esse sucesso foi atrativo: “No futebol, [rodízio] só na churrascaria”, portanto, uma possível hegemonia alviverde não seria um problema, nem a chamada “espanholização do futebol brasileiro” com Palmeiras e Flamengo reproduzindo o domínio de Real Madrid e Barcelona, eis a coerência da aproximação com o Flamengo. Porém, há uma série de questões sobre essa parceria que desafiou as leis de mercado, apesar de se tratar de uma empresa privada.

José Roberto Lamacchia, segundo a IstoÉ Dinheiro,[xiv] respondeu a processo por fraude: o empresário é acusado de forjar uma assembleia em 2004 para alterar o CEBRASP (Centro Brasileiro dos Servidores Públicos de São Paulo) de associação de classe sem fins lucrativos para a empresa CEBRASP Ensino Ltda. O detalhe é que José Roberto Lamacchia havia sido proclamado presidente vitalício do CEBRASP e a assembleia, além da conversão, transferia 95% do capital para José Roberto Lamacchia e 5% para sua empresa Crefipar. Todo esse processo foi questionado judicialmente pela única associada cujos dados pessoais foram considerados válidos na assembleia.

O caso coloca uma série de questões sobre as empresas patrocinadoras do Palmeiras: em 2010, o CEBRASP Ensino possuía 90% do capital da Sociedade Educacional das Américas, mantenedora da FAM; o órgão tinha R$ 41,4 milhões em aplicações na Crefisa (o valor corrigido até 2016, seria equivalente a R$ 518,9 milhões). Consta nos autos que o empresário, durante o processo, teria invadido a casa da associada que entrou com o processo.

Em 2018, o jornalista Juca Kfouri[xv] noticiou o resultado do Registro 2018.0000434028 Acórdão: o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou a referida assembleia e determinou a liquidação da empresa CEBRASP Ensino Ltda, obrigando o empresário e sua Crefipar a restituir os recursos apropriados.

Além desse processo, Leila Pereira e José Roberto Lamacchia constavam na Pandora Papers como donos da offshore Koba Investors Limited, criada nas Ilhas Virgens em 2008.[xvi] A utilização de offshores em Paraísos Fiscais é uma alternativa de envio de dinheiro para o exterior evitando pagamento de impostos no Brasil, reunindo na mesma lista grandes empresários, o ex-ministro Paulo Guedes e pessoas investigadas por financiar disparo de fake news. A origem da riqueza da família Lamacchia revela mais um pertencimento a setores que apoiaram amplamente Jair Bolsonaro: os ruralistas. O pai de José Roberto Lamacchia construiu sua riqueza em Birigui, interior de São Paulo, por meio da cafeicultura e do setor bancário. Além da criação da Crefisa nos anos 1960 por José Roberto Lamacchia, seus irmãos prosseguiram no setor agropecuário e são donos de diversas fazendas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

José Roberto Lamacchia, Leila Pereira e a Crefipar foram denunciados ainda pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), segundo o Blog do Paulinho,[xvii] por possível crime de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação de impostos, conforme o Relatório de Inteligência Financeira n° 58611. A denúncia deu origem ao Inquérito Policial 2131676-78-2021.180404 que investiga “operações de saques em espécie, de valores expressivos e de forma fracionada, sem causa aparente, inclusive com indícios de burla ao sistema, perfil que dificultaria a identificação da destinação real dos recursos e, outras operações consideradas atípicas”. Dentre os repasses investigados estão a empresa Tuddo Comunicação, de Olivério Júnior, assessor de Leila Pereira, o Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mancha Verde[xviii] e a campanha de Guilherme Augusto Sanches Ribeiro em 2018.

Não é demais lembrar que o COAF esteve no centro de polêmicas e transferências: após a identificação de transferências bancárias atípicas de Flávio Bolsonaro descobertas em 2018, o órgão foi transferido em janeiro de 2019 ao Ministério da Justiça, cujo ministro era Sérgio Moro; meses depois, o órgão foi transferido para o Ministério da Economia, liderado por Paulo Guedes; e, por fim, o COAF passou ao Banco Central, em 2021, com a aprovação da autonomia do BC. Segundo Sérgio Moro, a transferência do COAF visava ampliar o controle do governo sobre o órgão, dentre outros, para proteger filhos do presidente das investigações sobre a prática da rachadinha.[xix] Coincidência ou curso normal da investigação, a denúncia sobre a Crefipar e seus donos foi feita pelo órgão à polícia apenas em 2021.

Sobre o financiamento de campanha. Guilherme Ribeiro já tinha sido candidato à Câmara dos Deputados em 2014 pelo Progressistas (PP) e o repasse de recurso investigado foi à campanha de 2018 tentando a eleição para deputado federal pelo PRB/Republicanos, quando voltou a ser apresentado como “o candidato do Maluf”. Guilherme Ribeiro foi diretor social e diretor administrativo do Palmeiras; seu pai, Jessé Ribeiro, foi assessor e amigo de Paulo Maluf por décadas e ocupou a vice-presidência do clube nas gestões de Paulo Nobre e Maurício Galiotte. Apesar de não ter sido eleito nas duas ocasiões, foi nomeado pelo governo de Jair Bolsonaro para a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) em 2021 – de onde foi exonerado pelo governo Lula em março de 2023. Ele compôs o grupo de Agricultura e Abastecimento da equipe de transição do governador Tarcísio Freitas em São Paulo.

Essa campanha não foi a única, Lamacchia doou R$ 200 mil para a campanha à reeleição de Bruno Covas.[xx] Além disso, o apoio a Bolsonaro não se limitou ao título de 2018, em agosto de 2022, Leila Pereira convidou o presidente da República para assistir ao jogo entre Palmeiras e Goiás, pelo Campeonato Brasileiro, com direito à foto oficial e nova camisa do clube como presente.[xxi] Esse encontro simbólico reitera as matérias de jornalistas sobre a utilização do Palmeiras pelo bolsonarismo.[xxii]

Um fato em comum entre os dois casos judiciais envolvendo o casal e as matérias de uso do Palmeiras pelo bolsonarismo foi a tentativa de judicializar para derrubar as notícias. Mesmo não obtendo êxito nas ações judiciais, impressiona a pouca repercussão dos casos nas principais empresas de comunicação. Não sei se as verbas publicitárias pagas pelas empresas do casal explicam o silêncio ou é apenas de descuido de muitos jornalistas.

Uma das vozes dissonantes é Juca Kfouri, que foi acusado de ser movido pelas “invectivas antipalestrinas”[xxiii] por Luiz Gonzaga Belluzzo – economista e ex-presidente do Palmeiras com excelente trânsito entre grupos e pessoas progressistas. Luiz Gonzaga Belluzzo reagiu à denúncia de Juca Kfouri sobre o silencioso contrato da Crefisa firmado pelo governo Bolsonaro para realizar pagamentos do Instituto Nacional de Seguridade Social e ofertar empréstimos consignados[xxiv].

Luiz Gonzaga Belluzzo foi feliz na contextualização dos ciclos financeiros e seus escândalos, esbanjou erudição para citar autores reconhecidos, mas errou ao minimizar as denúncias como “incômodos futebolísticos” e “desassossegos antipalestrinos [que] nascem de uma saudável rivalidade”. Sobre a Crefisa, se restringiu a dizer que há dezenas de empresas habilitadas a realizar empréstimos consignados. Após isso, descreveu o contexto da parceria Palmeiras-Parmalat para rebater a acusação de Juca Kfouri sobre lavagem de dinheiro da empresa italiana, mas não retornou às denúncias sobre o credenciamento silencioso da Crefisa no governo Bolsonaro para realizar pagamentos de aposentadorias, pensões e auxílios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e auxílio-doença, pagos pelo INSS. Um adendo importante: até o momento, a parceria não foi revista pelo governo Lula.

Em primeiro lugar, espanta que a Crefisa passe a ser instituição pagadora face à pequena quantidade de agências e pouca capilaridade. Antes, bancos eram credenciados e majoritariamente ofereciam no primeiro pagamento a possibilidade de fazer o crédito numa conta corrente do favorecido em outro banco. Ao não debater isso, Luiz Gonzaga Belluzo ignora situações esdrúxulas como a seguinte: uma pensionista do Rio de Janeiro que mora na Pavuna e precisa se deslocar à agência da Crefisa no Méier (mais de 17km de distância com trajeto de cerca de 50 minutos em condições boas de tráfego em transporte público). Não lhe foi oferecida ou orientada a possibilidade de transferir o pagamento para uma conta corrente, como fazem a maioria dos bancos. Pesquise a quantidade de agências da empresa e veja se a sua designação respeita o atendimento aos segurados, cuja maioria é idosa e parte possui alguma necessidade especial.

Em segundo lugar, as práticas que Juca Kfouri chamam de fraudulentas não sei se podem ser aplicadas a todas as financeiras cadastradas para os empréstimos consignados. Logo, deveriam ser debatidas. Basta entrar no Reclame Aqui para ver o festival de horrores: uma pensionista conta que foi orientada na agência da Crefisa na Ilha do Governador a antecipar o benefício já que esteve na agência dia 23/08 e receberia dia 01/09. A sugestão não foi acompanhada de orientação sobre as taxas de juros. Ao ter acesso ao aplicativo identificou dois empréstimos em seu nome, assinados via tablet sem o esclarecimento da funcionária sobre o que estava autorizando.

Outro caso me foi relatado por uma advogada: seu cliente esteve numa agência no interior do Estado de São Paulo para receber sua aposentadoria, escutou que não poderia receber sem assinar um empréstimo consignado. O cliente acessou a advogada que chamou a polícia. A mesma advogada soube que caso semelhante ocorreu em uma cidade vizinha. A profissional percebeu que os casos começaram em 2020 e, na região onde atua, o direcionamento à Crefisa é maior nos municípios pequenos. Além disso, o Procon do Tocantins autuou as agências da Crefisa em Araguaína e Palmas por cobrar valores indevidos de usuários do INSS, como tarifa por saque, e por condicionar o saque da pensão/aposentadoria à emissão de cartões pré-pagos. Em abril deste ano, a Polícia Civil do Pará abriu investigação contra a agência da Crefisa em Tucuruí por crimes de estelionato e contra a ordem financeira.

Em terceiro lugar, há também problemas na esfera trabalhista: o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região recebeu denúncias de que a Crefisa mascara as relações de trabalho para evitar que seus empregados sejam enquadrados como financiários para não pagar direitos previstos na Convenção Coletiva da categoria. A prática consistiria em contratar pessoas por outras empresas do grupo. Há, ainda, denúncias de trabalhadores que não gozam do descanso semanal e que frequentemente realizam trabalho extraordinário sem pagamento.[xxv]

Ora, seria o caso de perguntar a Luiz Gonzaga Belluzzo se denunciar essas práticas que violam direitos trabalhistas, questionar a falta de publicidade do acordo, as acusações de fraude e a ausência de fiscalização dos órgãos públicos em função de se tratar de um público com importante parcela composta por pessoas com pouca instrução se enquadram também em “invectivas antipalestrinas” ou se deveriam ser minimizadas por haver outras empresas credenciadas para empréstimos consignados ou esquecidas devido aos apontamentos contextuais do ciclo financeiro vigente.

Cumpre ressaltar que antes desse acordo a Crefisa não estava habilitada a ofertar crédito consignado, realizava empréstimos com descontos em conta corrente, priorizando servidores, aposentados e pensionistas negativados e sem margem consignável disponível (que não poderiam acessar mais crédito consignado e teriam dificuldade para linhas de crédito convencionais). O credenciamento feito no governo Bolsonaro abriu um novo mercado à Crefisa e entregou de bandeja uma grande clientela vulnerabilizada (pela idade, pela pouca instrução, pela necessidade ou pela dependência de terceiros não tão bem-intencionados).

Portanto, não se trata de dizer que o sucesso do Palmeiras é por causa do governo de Jair Bolsonaro, mas o Palmeiras foi usado como difusor de Jair Bolsonaro por atletas, técnicos, dirigentes e patrocinadores e, sob o governo Bolsonaro, a parceira que financiou o clube com valores superiores aos praticados no mercado foi premiada com um importante contrato com o governo.

Para concluir

Na ocasião do título brasileiro do Palmeiras, Jair Bolsonaro enunciou sua visão acerca do futebol: “O futebol é muito mais que torcer para um time, é um estado de espírito totalmente identificado com o brasileiro”[xxvi]. A postagem de Jair Bolsonaro está correta, capta uma dimensão incompreendida por muitos intelectuais e políticos progressistas e é ilustrativa sobre como mobilizou elementos da cultura popular para ampliar suas conexões com a base eleitoral.

Os acenos e as medidas em favor ao futebol (também ao gênero musical sertanejo) em contraste, por exemplo, com as constantes críticas ao carnaval, apesar deste ser também uma manifestação popular, demonstram um projeto consciente com clareza de sua base eleitoral: um público conservador, conectado com o agronegócio, geograficamente interiorizado e conservador.

A afirmativa do ex-presidente também esclarece o que é visto por muitos dos seus críticos como proselitismo: utilizar camisa de vários times é, na verdade, encenar o que ele chama de “[…] estado de espírito totalmente identificado com o brasileiro”, que emulava essa conexão com a base junto a outras construções imagéticas (caneta Bic, café da manhã simples, pão com leite condensado, idas às feiras, etc.). As práticas simbólicas foram acompanhadas de decisões políticas e afagos financeiros (BRB-Flamengo; contrato Crefisa-INSS) àqueles que se disponibilizaram a oferecer um instrumento útil de popularização do bolsonarismo – sabe-se lá o que teríamos visto na seleção brasileira caso Rogério Caboclo não tivesse sido cassado na CBF.

As reações esperadas às linhas que compõem esse texto é mais ou menos na linha do que Belluzzo respondeu a Kfouri. Pela diferença de repercussão e importância, é provável que meu texto receba respostas menos elaboradas e eruditas que, provavelmente, seguirão na linha de lembrar a grandeza da história de Palmeiras e Flamengo e o poderio financeiro de ambos, que ultrapassa em muito a grana paga pelos seus patrocinadores; alguns resgatarão as páginas efetivamente populares e progressistas dos clubes. Em suma, fornecerão um contexto amplíssimo para reduzir a importância dos fatos presentes, mas esse não é o debate. A intenção não é questionar a grandeza da história e nem a coerência das identidades clubísticas flamenguista e palmeirense.

Este texto não reduz os clubes à adesão de seus dirigentes ao bolsonarismo e nem questiona a capacidade financeira de sobreviver sem os patrocínios. O exercício é o inverso: é demonstrar como Jair Bolsonaro conseguiu estabelecer relações eficientes para instrumentalizar instituições poderosíssimas como Palmeiras e Flamengo. Esses clubes seriam os exemplares mais bem-sucedidos desse elemento fundamental da cultura popular, o futebol.

Por um lado, alerto aqui os grupos internos para se organizar e demonstrar, caso haja, a diversidade política no clube associativo em resposta ao sequestro dos símbolos e do alcance dessas entidades pelo bolsonarismo, em troca de vantagens indiretas aos seus dirigentes e/ou patrocinadores. Por outro, reitero que continuam errando feio os intelectuais e políticos progressistas que menosprezam a importância do futebol como manifestação cultural no cotidiano das pessoas e seu potencial político – que nos diga a demissão da assessora-chefe do Ministério da Igualdade Racial por postagens na final da Copa do Brasil.

*Jefferson Nascimento é doutor em ciência política pela UFSCar. Autor do livro Ellen Wood: a luta pela democracia e o resgate da classe (Appris).

Notas


[i] Ver mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2023/10/31/a-desconhecida-parceria-insscrefisa.htm

[ii] A Caixa chegou a patrocinar 25 clubes de alguma divisão do Campeonato Brasileiro de 2018. Entre 2012 e 2018, gastou com patrocínios a clubes de futebol cerca de R$ 663 milhões, sendo 2017 o ano com o maior valor gasto – R$ 145,8 milhões. Para se ter uma ideia, o valor total destinado pela Caixa a patrocínios e publicidade no período foi de R$ 5,2 bilhões (os clubes de futebol não correspondem a 15% do valor); no ano de 2014, em que a Caixa mais gastou, foram R$ 887,7 milhões.

[iii] Ver mais em https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/bolsonaro-chega-a-arena-do-palmeiras-para-ver-jogo-do-titulo-opositores-protestam-com-cartazes.ghtml

[iv] Rodrigo Maia (à época, no Democratas e presidente da Câmara), não colocou em votação alegando a necessidade de debate entre os clubes, mesma posição do deputado Danrlei Hinterholz (PSD), apontado como membro da “bancada da bola”. O governo apresentou o Projeto de Lei, cujo pagamento do direito de arena ou imagem permanece, como na Lei Pelé, sendo feito aos sindicatos para repasse aos atletas, diferente da MP. A novidade é a fixação do prazo de 72 horas para o repasse ocorrer. Em relação à MP, a lei mantém o mandante com 100% dos direitos de transmissões; mas, diferente da medida expirada, a Lei é clara ao preservar intacto os contratos vigentes. Tais ajustes foram suficientes para aprovação da Lei 14.205/2021.

[v] Ver mais em https://www.estadao.com.br/politica/relacao-ibaneis-rocha-ex-governador-df-jair-bolsonaro/

[vi] Ver mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/mauro-cezar-pereira/2020/06/19/banco-que-patrocinara-fla-e-de-governo-com-um-politico-rubro-negro-a-frente.htm

[vii] Ver mais em https://extra.globo.com/economia-e-financas/apos-desgaste-presidente-do-banco-do-brasil-coloca-cargo-disposicao-de-bolsonaro-24902130.html

[viii] Ver mais em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/03/compra-de-mansao-por-flavio-dificulta-indicacao-de-executivo-do-banco-de-brasilia-ao-bb.shtml

[ix] Ver mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2023/07/11/por-que-flamengo-renovou-com-brb-por-r-225-mi-so-por-seis-meses.htm

[x] Ver mais em https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/11/6531030-nacao-brbfla-da-prejuizo-de-rs-455-milhoes-ao-brb.html

[xi] Ver mais em https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/11/6530482-brb-apresenta-deterioracao-dos-indicadores.html

[xii] Ver mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo-mattos/2023/09/29/flamengo-tem-como-plano-b-uma-oferta-de-patrocinio-de-r-85-mi-por-ano.htm

[xiii] Ver mais em https://www.espn.com.br/blogs/maurocezarpereira/677854_exclusivo-patrocinador-admite-que-paga-ao-palmeiras-mais-do-que-vale-e-diz-que-compensa

[xiv] Conferir https://istoedinheiro.com.br/verdades-e-mentiras-sobre-o-caso-lamacchia/

[xv] Conferir https://blogdojuca.uol.com.br/2018/06/patrocinadora-do-palmeiras-sofre-grave-derrota-na-justica/

[xvi] Ver mais em https://deolhonosruralistas.com.br/2021/10/20/o-agro-e-offshore-a-face-agraria-dos-citados-nos-pandora-papers/

[xvii] Conferir https://blogdopaulinho.com.br/2022/08/12/presidente-do-palmeiras-e-investigada-por-lavagem-de-dinheiro-ocultacao-de-patrimonio-e-sonegacao-de-impostos/

[xviii] É preciso destacar que a Escola de Samba Mancha Verde possui razão social e administração própria e diferente do Grêmio Recreativo e Cultural Torcida Mancha Alviverde (conhecida como torcida organizada Mancha Verde).

[xix] Conferir https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/01/4980135-moro-bolsonaro-tirou-coaf-do-ministerio-da-justica-para-proteger-os-filhos.html#:~:text=O%20pr%C3%A9%2Dcandidato%20%C3%A0%20Presid%C3%AAncia,para%20o%20Minist%C3%A9rio%20da%20Economia.

[xx] https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/10/dono-da-crefisa-doa-r-200-mil-a-campanha-pela-reeleicao-de-bruno-covas-em-sp.shtml

[xxi] Ver mais em https://www.lance.com.br/palmeiras/leila-pereira-recebe-jair-bolsonaro-no-allianz-entorno-do-estadio-do-palmeiras-tem-manifestacoes.html

[xxii] Ver mais em https://blogdopaulinho.com.br/2023/07/13/justica-nega-novamente-censura-a-materia-que-expoe-utilizacao-do-palmeiras-pelo-bolsonarismo/

[xxiii] Ver mais em https://www.cartacapital.com.br/opiniao/moralismos-futebolisticos/

[xxiv] Conferir referência da nota I

[xxv] Conferir em https://spbancarios.com.br/03/2022/crefisa-para-o-futebol-milhoes-para-o-trabalhador-fraude-para-nao-pagar-direitos

[xxvi] Conferir referência da nota II.


A Terra é Redonda existe graças aos nossos leitores e apoiadores.
Ajude-nos a manter esta ideia.
CONTRIBUA

AUTORES

TEMAS

MAIS AUTORES

Lista aleatória de 160 entre mais de 1.900 autores.
Salem Nasser Marcelo Guimarães Lima Antonio Martins Eduardo Borges Eugênio Bucci Vladimir Safatle Lucas Fiaschetti Estevez José Dirceu Berenice Bento Eliziário Andrade Samuel Kilsztajn Mariarosaria Fabris Mário Maestri João Feres Júnior Ronald León Núñez Dennis Oliveira Sergio Amadeu da Silveira Luiz Roberto Alves Ari Marcelo Solon Renato Dagnino Elias Jabbour Gilberto Lopes André Márcio Neves Soares Yuri Martins-Fontes Heraldo Campos Atilio A. Boron Chico Alencar Valério Arcary Fernão Pessoa Ramos José Machado Moita Neto Maria Rita Kehl Michael Roberts Marjorie C. Marona Bento Prado Jr. Osvaldo Coggiola Priscila Figueiredo Tadeu Valadares Slavoj Žižek Leonardo Avritzer André Singer Everaldo de Oliveira Andrade Annateresa Fabris João Paulo Ayub Fonseca Marilena Chauí Denilson Cordeiro Vanderlei Tenório Caio Bugiato Jorge Luiz Souto Maior Alysson Leandro Mascaro Igor Felippe Santos Sandra Bitencourt Érico Andrade Chico Whitaker Bruno Fabricio Alcebino da Silva Gilberto Maringoni Luiz Bernardo Pericás Luiz Costa Lima Alexandre Aragão de Albuquerque Antonino Infranca Luciano Nascimento Francisco de Oliveira Barros Júnior Roberto Bueno José Costa Júnior Gabriel Cohn João Sette Whitaker Ferreira Francisco Fernandes Ladeira Daniel Brazil Antônio Sales Rios Neto Luís Fernando Vitagliano Claudio Katz Luiz Renato Martins Boaventura de Sousa Santos Paulo Capel Narvai José Micaelson Lacerda Morais Celso Favaretto Marilia Pacheco Fiorillo Ricardo Musse Luiz Carlos Bresser-Pereira Jean Pierre Chauvin Paulo Sérgio Pinheiro Andrew Korybko Paulo Martins Carla Teixeira João Adolfo Hansen Ladislau Dowbor José Geraldo Couto Jean Marc Von Der Weid Remy José Fontana Bernardo Ricupero Flávio R. Kothe Daniel Costa Leonardo Sacramento Ronaldo Tadeu de Souza João Carlos Loebens Rubens Pinto Lyra Rodrigo de Faria Bruno Machado Rafael R. Ioris Vinício Carrilho Martinez Ricardo Fabbrini Leonardo Boff Paulo Fernandes Silveira Tales Ab'Sáber Lorenzo Vitral José Raimundo Trindade Marcos Aurélio da Silva Valerio Arcary Manuel Domingos Neto Otaviano Helene Henry Burnett Manchetômetro Ronald Rocha Liszt Vieira Plínio de Arruda Sampaio Jr. João Carlos Salles Luis Felipe Miguel Alexandre de Lima Castro Tranjan José Luís Fiori Kátia Gerab Baggio Benicio Viero Schmidt Luiz Marques Alexandre de Freitas Barbosa Roberto Noritomi Julian Rodrigues Eleonora Albano Tarso Genro Paulo Nogueira Batista Jr Luiz Eduardo Soares Ricardo Antunes Leda Maria Paulani Walnice Nogueira Galvão Marcelo Módolo Eugênio Trivinho João Lanari Bo Armando Boito Ricardo Abramovay Milton Pinheiro Marcos Silva Flávio Aguiar Lincoln Secco Thomas Piketty Fernando Nogueira da Costa Juarez Guimarães Luiz Werneck Vianna Airton Paschoa Gerson Almeida Anderson Alves Esteves Michael Löwy Daniel Afonso da Silva Henri Acselrad Afrânio Catani Fábio Konder Comparato Dênis de Moraes Celso Frederico Marcus Ianoni Eleutério F. S. Prado Anselm Jappe Jorge Branco Francisco Pereira de Farias Carlos Tautz

NOVAS PUBLICAÇÕES

Pesquisa detalhada