Cais do Porto

Imagem_Marcio Costa
image_pdf

Por HERALDO CAMPOS*

Lembremos que nós, homens e mulheres, fazemos parte do meio ambiente e que ele vem sendo aniquilado pelo presidente e seu governo mesquinho a cada dia que passa

Outro dia um amigo enviou um e-mail e perguntou: qual foi a maior tragédia da história do Brasil?

Não titubeei na resposta e cravei em caixa alta: GOVERNO BOLSONARO.

Um governo responsável por mais de 69 mil mortes, pelo descaso e falta de compaixão com que trata a pandemia do coronavírus e pratica, deliberadamente, a eugenia, aos quatro ventos, é a maior tragédia da história do Brasil.

Existe muita surpresa nisso?

Lembremos que nós, homens e mulheres, fazemos parte do meio ambiente e que ele vem sendo aniquilado pelo presidente e seu governo mesquinho a cada dia que passa.

Na realidade, quem falou que ia deixar passar a boiada para a devastação ambiental, antes de ser eleito e durante a sua campanha, foi o presidente e não seu ministro do Meio Ambiente, que só abriu a porteira para a boiada. E, mesmo assim, votaram nele, com base em fake news criminosas conforme, recentemente, mais do que demonstrado e comprovado.

Como o presidente e sua equipe sempre estão trabalhando para desviar a atenção dos graves problemas diários que passa a maioria da população, agora a bola da vez é a suposta contaminação do presidente pelo coronavírus.

Isso vai render muito espaço na mídia e é tudo o que essa gente “estudada” mais quer. Ser tratado a pão de ló no palácio, com equipe médica 24 horas por dia, é fácil. Quero ver ir cantar de galo forte na Rocinha, no Rio de Janeiro, ou em Paraisópolis, em São Paulo, sem segurança e sem milícia por perto.

Por isso, pouco se fala de outras tragédias que ocorreram na gestão do GOVERNO BOLSONARO como a mineração em Brumadinho, a grilagem de terras com as queimadas criminosas na Amazônia e a sabotagem com o derramamento de óleo nas costas do nordeste brasileiro, somente para citar algumas mais conhecidas.

Lembram-se disso?

Além disso, como sabemos, as populações indígenas são as mais vulneráveis para a infecção pelo coronavírus. E o que o presidente faz por elas? Com um requinte de maldade, simplesmente vetou o texto que o Congresso havia aprovado, desautorizando o governo federal, entre outras coisas, a fornecer água potável e leitos hospitalares aos índios o que seria, no mínimo, o que se esperar de um governo humanitário.

Nesse cenário pavoroso, dantesco, o que podemos esperar daqui para frente no curto prazo? Um impeachment do presidente ou a cassação da chapa militar-presidencial?

O tempo está correndo muito depressa e precisamos avistar o cais do porto para dar sentido, segurança e alguma esperança para nossas vidas.

“Cais do porto / Tenha pena de mim / Já é dia, nem vestígio sequer / Não será cais do porto / Aquela luzinha que lá longe apaga e acende / Fazendo sinal quem sabe pra mim” (trecho de Cais do Porto de Inezita Barroso).

*Heraldo Campos é doutor em ciências pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP).

Veja todos artigos de

MAIS LIDOS NOS ÚLTIMOS 7 DIAS

1
Em defesa das bibliotecárias e bibliotecários
12 Mar 2026 Por FELIPE SANCHES: As bibliotecas estão atravessadas pela política e, se negarmos seu papel político, fechamos os olhos ao seu papel estratégico no desenvolvimento cultural, educacional, científico e econômico do Brasil
2
Rússia e China na guerra no Irã
18 Mar 2026 Por VALERIO ARCARY: No xadrez geopolítico da guerra contra o Irã, Rússia e China movem suas peças com cautela: Moscou não pode, Pequim não quer — e o regime persa descobre, na solidão estratégica, que alianças têm limites quando os interesses das potências apontam em outra direção
3
No radar geopolítico – EUA x Irã
14 Mar 2026 Por RUBEN BAUER NAVEIRA: O que o Irã pretende é forçar os americanos a pedirem por negociações que não serão por algum "cessar-fogo", mas que envolverão concessões dolorosas, como o fim de todas as sanções e o desmantelamento das bases militares americanas no Oriente Médio
4
Os impactos da guerra no Irã
16 Mar 2026 Por LUIS FELIPE MIGUEL: Ao atacar o Irã sem estratégia, Trump revela o vazio de sua política externa e a submissão a Israel; no Brasil, o impacto imediato é a alta dos combustíveis, que exige do governo Lula coragem para romper de vez com a paridade internacional e proteger a economia popular do choque inflacionário
5
Hamnet – a vida antes de Hamlet
11 Feb 2026 Por GUILHERME E. MEYER: Comentário sobre o filme de Chloé Zhao, em cartaz nos cinemas
6
A “filosofia” do cérebro podre
15 Mar 2026 Por EVERTON FARGONI: Uma crítica radical à colonização algorítmica da consciência, onde a promessa de prazer imediato culmina na falência do pensamento, da autonomia e da vida democrática
7
Um país (des)governado
13 Mar 2026 Por PAULO GHIRALDELLI: A guerra no Irã não é imperialismo, é o espasmo de um país sem projeto, governado por um homem que trocou promessas por bombas
8
Pecadores
16 Mar 2026 Por BRUNO FABRICIO ALCEBINO DA SILVA: Comentário sobre o filme dirigido por Ryan Coogler , premiado com quatro estatuetas no Oscar 2026
9
Jürgen Habermas (1929-2026)
16 Mar 2026 Por MARCO BETTINE: Filósofo da esfera pública e do agir comunicativo, Habermas recusou o pessimismo da primeira geração frankfurtiana para mostrar que a modernidade ainda pode fundamentar racionalmente a crítica social
10
A pornô-política
14 Jun 2020 Por RICARDO T. TRINCA: O político obsceno tem prazer pelo domínio, sob a forma de uma prestidigitação, algo que pode ser encontrado também nos mágicos
11
Sonhos de trem
14 Mar 2026 Por VANDERLEI TENÓRIO: Comentário sobre o filme dirigido por Clint Bentley.
12
A escolha de Donald Trump
13 Mar 2026 Por MICHAEL ROBERTS: Trump descobriu que decapitar um regime não é o mesmo que subjugar uma nação: o Irã resiste e o preço do petróleo cobra a fatura
13
Por que a música?
15 Mar 2026 Por FRANCIS WOLFF: Trecho da primeira parte do livro recém-editado
14
A figura do pai
13 Mar 2026 Por SAULO MATIAS DOURADO: Nos filmes indicados ao Oscar, a figura do pai emerge como sintoma de uma época que perdeu a direção do futuro e busca na transmissão um sentido
15
Contraste entre lulismos
12 Mar 2026 Por FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA: O ponto cego atual da esquerda é ela ganhar no PIB, ganhar no emprego, ganhar na redução da pobreza, mas perder na pergunta fundamental: “para onde estamos indo?”
Veja todos artigos de

PESQUISAR

Pesquisar

TEMAS

NOVAS PUBLICAÇÕES